Varejo tem pior setembro desde 2020
12 de outubro de 2026
Redação

 O varejo brasileiro aprofundou sua trajetória de retração em setembro. De acordo com o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), as vendas caíram 3,9% em termos reais, descontada a inflação, na comparação com o mesmo mês de 2025.

Foi o pior resultado para setembro desde 2020, quando o indicador havia registrado queda de 7,9%, e o 16º mês consecutivo de retração real.
O desempenho também representa uma piora em relação a agosto, quando o ICVA apontou recuo de 2,2%. Em setembro, a queda foi disseminada entre os três macrossetores acompanhados pelo índice, com perdas particularmente intensas em serviços e bens duráveis e semiduráveis. A diferença entre os resultados mostra que a desaceleração do varejo não atinge todos os tipos de consumo com a mesma intensidade.
MACROSSETORES
setor de serviços apresentou o desempenho mais negativo entre os três macrossetores acompanhados pelo ICVA, com queda real de 9,0% em setembro. O resultado foi influenciado principalmente por turismo e transporte, segmento que registrou retração real de 13,0%, além do desempenho desfavorável de bares e restaurantes.
Entre os bens duráveis e semiduráveis, a redução real foi de 7,3%, refletindo a fraqueza de segmentos como móveis, eletrodomésticos, lojas de departamentos, vestuário e artigos esportivos.
Já as vendas de bens não duráveis registraram queda real de 0,7%, a menor entre os três macrossetores. O desempenho sugere uma resistência relativamente maior do consumo de produtos essenciais, embora também tenha ocorrido retração nesse grupo.
O resultado reforça um cenário de fragilidade do consumo, marcado por diferenças expressivas entre categorias de produtos e serviços. Enquanto as vendas de bens não duráveis apresentaram retração mais moderada, setores associados a gastos adiáveis, como turismo e transporte, vestuário, móveis e eletrodomésticos, enfrentaram um desempenho mais desfavorável.
A retração não pode ser explicada apenas pelo calendário. Quando considerados os ajustes que neutralizam seus efeitos, o ICVA aponta queda real de 4,5% em setembro.
“O resultado de setembro mostra que a retração do varejo continua e ganhou intensidade. A queda atingiu todas as grandes categorias, mas foi significativamente maior em serviços e bens duráveis, enquanto as compras essenciais apresentaram maior resistência. São 16 meses consecutivos de retração, um sinal de que o consumo permanece pressionado. Mesmo nesse contexto, o comércio eletrônico segue demonstrando maior resiliência, com crescimento nominal de 5,1% em relação a setembro do ano passado”, afirma o vice-presidente de Tecnologia e Negócios da Cielo, Carlos Alves.
COMÉRCIO ELETRÔNICO MANTÉM VANTAGEM SOBRE LOJAS FÍSICASApesar da retração do varejo em termos reais, o comércio eletrônico continuou apresentando desempenho nominal superior ao das lojas físicas. As vendas pelo e-commerce cresceram 5,1% em termos nominais em setembro, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Já o comércio físico apresentou recuo nominal de 0,1%
A diferença de 5,2 pontos percentuais entre os dois canais reforça a mudança na dinâmica competitiva do varejo. Os dados, entretanto, não permitem concluir isoladamente que houve migração de consumidores entre canais ou que o comércio eletrônico cresceu em termos reais.
TODAS REGIÕES MOSTRAM RETRAÇÃO
A queda real do varejo foi observada nas cinco regiões brasileiras. O Sudeste apresentou o resultado mais negativo, com retração de 5,6%, seguido pelo Centro-Oeste (-4,5%) e Nordeste (-3,6%). No Norte, a redução foi de 2,1%, enquanto o Sul registrou a menor queda regional, de 1,0%.
DESEMPENHO ESTADUAL

Entre os estados, São Paulo apresentou um dos desempenhos mais desfavoráveis, com queda real de 7,1%. Em sentido contrário, o Amapá registrou crescimento de 4,0%, Rondônia avançou 1,4%, Santa Catarina cresceu 0,7% e Acre apresentou alta de 0,6%.
Os resultados revelam que, embora a retração seja generalizada no recorte regional, há diferenças relevantes entre os mercados estaduais.
SOBRE O ICVA 
O Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) acompanha mensalmente a evolução do Varejo brasileiro, de acordo com as vendas realizadas em 18 setores mapeados pela Cielo, desde pequenos lojistas a grandes varejistas. O peso de cada setor no resultado geral do indicador é definido pelo seu desempenho no mês.
O ICVA foi desenvolvido pela área de Business Analytics da Cielo com o objetivo de oferecer, mensalmente, uma fotografia do comércio varejista do país a partir de informações reais.
COMO É CALCULADO
A unidade de Business Analytics da Cielo desenvolveu modelos matemáticos e estatísticos aplicados à base da companhia com o objetivo de isolar os efeitos do mercado de credenciamento — como variação de market share, substituição de cheque e dinheiro no consumo, bem como o surgimento do Pix. Dessa forma, o indicador não reflete somente a atividade do comércio pelo movimento com cartões, mas, sim, a real dinâmica de consumo no ponto de venda.
Esse índice não é, de forma alguma, prévia de resultados da Cielo, que são impactados por uma série de outras alavancas, tanto de receitas quanto de custos e despesas.
ENTENDA O ÍNDICE
ICVA Nominal – Indica o crescimento da receita nominal de vendas no Varejo Ampliado do período, comparado ao mesmo período do ano anterior. Reflete o que o varejista de fato observa nas suas vendas.
ICVA Deflacionado – ICVA Nominal descontado da inflação. Para isso, é utilizado um deflator calculado a partir do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado pelo IBGE, ajustado ao mix e aos pesos dos setores contidos no ICVA. Reflete o crescimento real do Varejo, sem a contribuição do aumento de preços.
ICVA Nominal/Deflacionado com ajuste de calendário – ICVA sem os efeitos de calendário que impactam determinado mês/período, quando comparado com o mesmo mês/período do ano anterior. Reflete como está o ritmo do crescimento, permitindo observar acelerações e desacelerações do índice.
ICVA E-commerce – Indicador do crescimento da receita nominal no canal de vendas online do Varejo, no período em comparação com o período equivalente do ano anterior.
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