Varejo cai 2,0% em agosto
11 de setembro de 2026
Redação
O varejo brasileiro aprofundou a retração em agosto. O Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) registrou queda de 2,0% em termos reais na comparação com o mesmo mês de 2025. O resultado foi pior que o observado em julho, quando o índice havia recuado 1,4%, e que o de agosto do ano passado, de -1,5%.
Com isso, o varejo completa 15 meses consecutivos de queda real. 
O desempenho de agosto de 2026 também foi o mais fraco para o mês desde 2020, período ainda fortemente afetado pela pandemia. 
Ao mesmo tempo em que a retração se aprofundou, os dados revelam uma diferença crescente entre os canais de venda. O e-commerce avançou 5,1% nominalmente em agosto, enquanto o varejo físico cresceu 1,2%. A distância entre os dois chegou, portanto, a 3,9 pontos percentuais.
O movimento é compatível com um consumidor mais seletivo, que continua comprando, mas distribui seus gastos de maneira diferente entre canais e categorias. O ambiente digital amplia as possibilidades de comparação de preços e condições de compra, além de oferecer conveniência ao consumidor.
“Agosto reforça um cenário em que o consumidor não necessariamente deixa de comprar, mas escolhe com mais cuidado onde, como e com o que gastar. De um lado, vemos uma retração real mais intensa do varejo. De outro, o e-commerce continua apresentando um ritmo nominal superior ao das lojas físicas. É um consumidor mais seletivo, em um ambiente no qual preço, conveniência e prioridade ganham cada vez mais peso na decisão de compra”, afirma Carlos Alves, vice-presidente de Tecnologia e Negócios da Cielo.
TODOS OS GRANDES GRUPOS RECUAM EM TERMOS REAISA retração foi disseminada entre os três macrossetores acompanhados pelo ICVA. Bens Duráveis e Semiduráveis apresentaram a maior queda real, de 4,6%, e retração nominal de 1,6%. Vestuário e artigos esportivos e Materiais para Construção estiveram entre os principais detratores do grupo.
Em Serviços, o faturamento avançou 4,4% nominalmente, mas caiu 3,7% em termos reais. Alimentação – Bares e Restaurantes e Autopeças e Serviços Automotivos estiveram entre as atividades que pressionaram o desempenho.
Já Bens Não Duráveis ficaram mais próximos da estabilidade, com retração real de 0,4% e crescimento nominal de 2,6%. Drogarias e Farmácias se destacaram positivamente, enquanto Supermercados e Hipermercados estiveram entre os segmentos que pressionaram o resultado.
A composição reforça um comportamento que já vinha aparecendo nos dados do varejo: categorias mais associadas a despesas recorrentes demonstram maior resistência, enquanto compras que podem ser adiadas enfrentam maior dificuldade.
NORTE RESISTE; CENTRO-OESTE APRESENTAM MAIOR RETRAÇÃOA queda do varejo também ocorreu de maneira desigual pelo país. O Norte apresentou o melhor desempenho relativo, ficando praticamente estável em termos reais (-0,0%). Na sequência aparecem Sul (-1,1%), Nordeste (-1,9%) e Sudeste (-2,9%). O Centro-Oeste registrou a maior retração entre as cinco regiões, de 3,7%.
DESEMPENHO ESTADUALEntre os Estados com melhor desempenho real, o destaque foi o Amapá, com alta de 4,6%, seguido pelo Acre (+3,4%). Também ficaram no campo positivo Minas Gerais (+0,4%), Santa Catarina (+0,4%) e Sergipe (+0,3%).
Na outra ponta, Pernambuco (-4,9%) apresentou a maior retração, seguido por Rio Grande do Norte (-4,2%), Goiás (-4,1%), Mato Grosso (-3,8%) e São Paulo (-3,5%). 
As diferenças regionais mostram que a desaceleração do consumo não ocorre com a mesma intensidade em todo o país e pode refletir características distintas de renda, composição da cesta de consumo e dinâmica econômica dos mercados locais.
CONSUMIDOR MAIS SELETIVOOs dados de agosto reforçam um cenário no qual o consumidor precisa fazer escolhas mais claras sobre a destinação do orçamento.
Mesmo com alívio recente em alguns preços, o ambiente segue desafiador para as famílias. Nesse contexto, recursos liberados pela redução de determinadas despesas podem ser usados tanto para novas compras quanto para recompor o orçamento, pagar dívidas ou formar alguma reserva.
Essa dinâmica ajuda a explicar por que a redução da inflação em determinados grupos não se traduz necessariamente em aumento imediato do volume vendido pelo comércio.
A diferença entre o desempenho do comércio eletrônico e das lojas físicas acrescenta outra dimensão ao cenário. Mais do que simplesmente reduzir compras, parte dos consumidores pode estar reorganizando quando, onde e em quais categorias gastar.
Para o varejista, o comportamento reforça a importância de acompanhar não apenas a evolução geral das vendas, mas também a mudança dos canais, a sensibilidade a preços e o grau de prioridade atribuído pelo consumidor a cada categoria de produto ou serviço.
SOBRE O ICVA 
O Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) acompanha mensalmente a evolução do Varejo brasileiro, de acordo com as vendas realizadas em 18 setores mapeados pela Cielo, desde pequenos lojistas a grandes varejistas. O peso de cada setor no resultado geral do indicador é definido pelo seu desempenho no mês.
O ICVA foi desenvolvido pela área de Business Analytics da Cielo com o objetivo de oferecer, mensalmente, uma fotografia do comércio varejista do país a partir de informações reais.
COMO É CALCULADO
A unidade de Business Analytics da Cielo desenvolveu modelos matemáticos e estatísticos aplicados à base da companhia com o objetivo de isolar os efeitos do mercado de credenciamento — como variação de market share, substituição de cheque e dinheiro no consumo, bem como o surgimento do Pix. Dessa forma, o indicador não reflete somente a atividade do comércio pelo movimento com cartões, mas, sim, a real dinâmica de consumo no ponto de venda.
Esse índice não é, de forma alguma, prévia de resultados da Cielo, que são impactados por uma série de outras alavancas, tanto de receitas quanto de custos e despesas.
ENTENDA O ÍNDICE
ICVA Nominal – Indica o crescimento da receita nominal de vendas no Varejo Ampliado do período, comparado ao mesmo período do ano anterior. Reflete o que o varejista de fato observa nas suas vendas.
ICVA Deflacionado – ICVA Nominal descontado da inflação. Para isso, é utilizado um deflator calculado a partir do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado pelo IBGE, ajustado ao mix e aos pesos dos setores contidos no ICVA. Reflete o crescimento real do Varejo, sem a contribuição do aumento de preços.
ICVA Nominal/Deflacionado com ajuste de calendário – ICVA sem os efeitos de calendário que impactam determinado mês/período, quando comparado com o mesmo mês/período do ano anterior. Reflete como está o ritmo do crescimento, permitindo observar acelerações e desacelerações do índice.
ICVA E-commerce – Indicador do crescimento da receita nominal no canal de vendas online do Varejo, no período em comparação com o período equivalente do ano anterior.

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