Varejo brasileiro dá sinais de fôlego curto
13 de março de 2026
Redação

O varejo brasileiro inicia 2026 sob um cenário de desaceleração e desempenho heterogêneo entre os segmentos, segundo projeção elaborada pelo IBEVAR – Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo em parceria com a FIA Business School. 

 O estudo, que considera dados dessazonalizados com base média 2022 = 100 e histórico desde junho de 2016, indica que o primeiro semestre será marcado por oscilações modestas no Varejo Restrito e retração no Varejo Ampliado, especialmente nos segmentos mais sensíveis ao crédito e à renda. 

Para o Varejo Restrito, a projeção aponta leve variação negativa de -0,21% em março de 2026 na comparação com o mês anterior e queda de -0,29% em relação a março de 2025. Ainda assim, o setor mantém crescimento acumulado no ano de 0,55% e alta de 1,17% em 12 meses. Em abril, a expectativa é de estabilidade, com variação mensal de 0,06% e crescimento interanual de 0,08%. Em maio, a projeção indica estabilidade frente a abril (0,00%) e avanço de 0,37% na comparação anual, consolidando um ritmo moderado de expansão. 

Já o Varejo Ampliado apresenta cenário mais desafiador. Em março de 2026, a estimativa é de retração de -1,94% sobre fevereiro e queda de -3,73% em relação ao mesmo mês do ano anterior, acumulando baixa de -1,53% no ano e recuo de -0,56% em 12 meses. Abril deve manter o viés negativo, com retração mensal de -1,40% e queda interanual de -3,07%. Apenas em maio surge uma reação pontual na margem (1,56%), embora ainda com desempenho anual negativo (-1,58%). 

A análise setorial revela contrastes importantes. O segmento de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos segue como destaque positivo, com crescimento interanual de 4,43% em março e acumulado de 5,48% no ano. Supermercados, hipermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo também mantêm trajetória resiliente, com alta de 0,79% frente a março de 2025 e crescimento acumulado de 1,08% no ano. 

Por outro lado, os segmentos mais dependentes de crédito e bens duráveis enfrentam maior pressão. Material de construção registra queda interanual de -7,41% em março e recuo acumulado de -5,51% no ano. Veículos, motos, partes e peças apresentam retração de -3,96% frente ao mesmo mês de 2025, enquanto móveis e eletrodomésticos recuam -0,79% na comparação anual de março. O setor de livros, jornais, revistas e papelaria permanece em trajetória estrutural de queda, com retração interanual de -12,41% em março. 

Em contrapartida, equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação destacam-se com forte expansão interanual de 13,71% em março e acumulado de 16,10% no ano, sinalizando dinamismo em segmentos ligados à tecnologia e digitalização. 

Segundo o Claudio Felisoni, Presidente do IBEVAR e Professor da FIA Business School: “o comportamento projetado para os próximos meses reflete um ambiente de consumo mais seletivo, com famílias priorizando itens essenciais e segmentos de maior valor agregado ou vinculados à tecnologia, enquanto bens duráveis e itens mais dependentes de financiamento enfrentam maior volatilidade. O cenário exige estratégia refinada por parte das empresas, com gestão rigorosa de estoques, política comercial mais assertiva e monitoramento constante dos indicadores de demanda”.  

Sobre a FIA Business School – Criada em 1980, a FIA Business School é referência entre as escolas globais de negócios do Brasil e da América Latina. Atua em educação executiva, pesquisa e consultoria com soluções customizadas para organizações do setor privado e público – uma referência no Brasil e no mundo. Porque ensina você a transformar conhecimento em resultados que mudam o jogo – no mundo dos negócios e na sociedade. Sua fundação se deu por professores da Faculdade de Administração, Economia e Contabilidade (FEA-USP) com a missão de desenvolver e disseminar o conhecimento e as melhores práticas em Administração. Os MBAs da FIA são credenciados pela AMBA (Association of MBAs), sediada em Londres e, desde 2004, frequenta as publicações internacionais de melhores MBAs, e EuropeanCEO. A graduação em Administração de Empresas foi avaliada pelo ENADE como a melhor em Administração em Negócios na cidade de São Paulo, e alcançou por três vezes consecutivas 5 estrelas na avaliação do Guia do Estudante. 

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