A Paraíba entrou definitivamente para o mapa mundial da inovação médica. Durante a Convenção Nacional da Unimed, realizada em João Pessoa, o médico anestesiologista e presidente da Unimed João Pessoa, Dr. Gualter Ramalho, liderou uma telecirurgia robótica inédita, que conectou, em tempo real, um console de comando instalado na capital paraibana a um robô cirúrgico em Campo Largo, no Paraná — a 3.200 quilômetros de distância.
A operação, transmitida ao vivo para centenas de profissionais e especialistas, marcou um recorde mundial: foi a primeira telecirurgia da América Latina realizada em evento, a primeira a essa distância e a primeira executada com internet não dedicada — a chamada “internet simples”, que barateia o custo da transmissão em até 95%.
O procedimento envolveu 42 profissionais e 17 empresas, incluindo a participação da fabricante chinesa ED Médico. A precisão da tecnologia impressionou: a latência entre comando e execução foi de apenas 0,04 segundos, garantindo total segurança e estabilidade no processo.
Segundo o Dr. Gualter Ramalho, o feito representa um marco histórico para a medicina brasileira:
“Essa tecnologia vai democratizar a excelência assistencial cirúrgica, levando o melhor da medicina para todos os rincões do país. É a prova de que a inovação pode nascer e ser testada aqui, na Paraíba.”
A ação faz parte do Programa Nacional de Cirurgia Robótica e Telecirurgia da Unimed, que pretende formar a maior rede de cirurgia digital do mundo e, em uma segunda fase, levar o modelo ao Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando o alcance da telemedicina em regiões remotas e fronteiriças.
Defesa da qualidade na formação médica
Apesar do otimismo com o avanço tecnológico, o médico também fez um alerta sobre a queda na qualidade da formação médica no país, criticando a proliferação descontrolada de cursos:
“Sou fortemente a favor de um exame de ordem médica, como ocorre com os advogados, para garantir que quem entra no mercado esteja realmente preparado.”
Ramalho reforçou que, mesmo com o apoio da Inteligência Artificial e da realidade virtual, a medicina continuará sendo “um ato humano, que depende da escuta, da empatia e da compaixão”. Ele defende a consolidação do que chama de “medicina dos quatro Ps” — preditiva, preventiva, personalizada e participativa — com o paciente sempre no centro do cuidado.
“A Missão”: memória e emoção após a pandemia
Na mesma semana, o presidente da Unimed João Pessoa também lançou o livro “A Missão”, uma obra que resgata o esforço coletivo da cooperativa durante a pandemia de COVID-19. A publicação reúne depoimentos de médicos, enfermeiros e pacientes, além de registros emocionais da linha de frente.
Durante a crise, a Unimed JP atendeu 260 mil pessoas, com uma taxa de letalidade em UTIs de 28%, bem abaixo da média nacional e internacional, que girava em torno de 40%.
“O lema era um só: não deixar ninguém para trás. Nenhum paciente ficou sem leito, sem ventilador ou sem acolhimento, mesmo que fosse do SUS”, destacou o médico.
O livro é dedicado à memória das vítimas e aos profissionais que tombaram na batalha — entre eles, Fernando Ramalho, primo do presidente. A obra conta ainda com prefácio de Omar Abujanra, então presidente nacional do Sistema Unimed.

Reconhecimento e legado
Pelo protagonismo à frente da cooperativa e pela inovação tecnológica, Dr. Gualter Ramalho recebeu a Medalha de Empreendedor Pessoense José Carlos da Silva Júnior, concedida pela Câmara Municipal de João Pessoa.
“Com talento, você até ganha o jogo. Mas só com o time é que se ganha o campeonato”, disse, ao dedicar a honraria a todos os colaboradores da Unimed JP.
O médico revelou ainda planos de transformar o livro em um documentário audiovisual, para que a história da luta contra a pandemia — e agora, da revolução digital na medicina — nunca seja esquecida.
“A tecnologia é o futuro, mas o humano é o que nos mantém vivos. A missão continua.”