Apesar do avanço das discussões sobre diversidade e equidade nas empresas, a percepção de desigualdade ainda é forte entre as mulheres brasileiras. A nova edição da Pesquisa Mulheres realizada pela Catho, plataforma gratuita de empregos, mostra que apenas 20% das entrevistadas afirmam se sentir plenamente valorizadas no mercado de trabalho, sendo uma em cada cinco que percebe reconhecimento real por sua atuação profissional.
O levantamento, que ouviu 478 mulheres de diferentes regiões do país, também revela que a percepção de barreiras estruturais segue elevada. Apenas 17% acreditam que mulheres e homens têm as mesmas oportunidades de crescimento na carreira, enquanto 38% afirmam que essa igualdade não existe. Além disso, 46% dizem já ter sentido que ser mulher impactou negativamente sua trajetória profissional, indicando que quase metade das respondentes enxerga o gênero como um obstáculo em algum momento da carreira.
A pesquisa captou percepções tanto de quem está inserida quanto de quem está fora do mercado de trabalho atualmente. Entre as entrevistadas, 49% exercem atividade remunerada no momento, enquanto 51% não estão trabalhando, o que amplia a visão sobre os desafios enfrentados por mulheres em diferentes fases da vida profissional.
Para Patricia Suzuki, diretora de RH da Redarbor Brasil, detentora da Catho, os resultados refletem um cenário em que o mercado ainda carrega estruturas historicamente moldadas por uma lógica masculina de carreira.
“Quando apenas uma em cada cinco mulheres diz se sentir valorizada no mercado, isso indica a necessidade das organizações assegurarem programas que assegurem equidade de oportunidades. Muitas profissionais ainda sentem que precisam provar mais ou enfrentar barreiras invisíveis para avançar na carreira”, afirma Suzuki.
Segundo ela, a mudança passa, principalmente, por revisões culturais e estruturais nas empresas, onde políticas claras de inclusão, retenção de talentos, reconhecimento e valorização profissional continuam sendo cada vez mais importantes nesse cenário.
“Promover igualdade de oportunidades não significa apenas abrir vagas, mas garantir que mulheres tenham condições reais de se desenvolver, liderar e serem reconhecidas por seu desempenho. Isso envolve combater vieses inconscientes, ampliar políticas de flexibilidade e criar ambientes onde a trajetória feminina seja parte natural da força de trabalho”, conclui a especialista.