Um estudo inédito da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EESP) mostra que quase 1 milhão de brasileiros (968.512 pessoas) recorreram ao day trade durante a pandemia de COVID-19 – e perderam, em conjunto, R$ 9,9 bilhões entre 2020 e 2023 (sem considerar nenhum custo de corretagem, gasto com cursos e plataformas etc). A prática, vendida por corretoras e influencers como oportunidade de renda rápida em meio ao confinamento e à crise, funcionou, na verdade, como um mecanismo de transferência massiva de recursos das pessoas físicas para as instituições financeiras.
A pesquisa, recém-publicada na Revista Brasileira de Finanças, analisou dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e mostra que, no auge da pandemia, até 100 mil pessoas faziam day tradediariamente. A perda bruta média foi de R$ 10,2 mil por indivíduo. “A pandemia expôs em escala inédita a vulnerabilidade de indivíduos que, diante da incerteza econômica, recorreram ao day trade como alternativa de renda. O resultado foi uma transferência maciça de recursos das pessoas físicas para as instituições”, destacam os autores, Fernando Chague e Bruno Giovannetti.