Turismo movimenta quase 10% do PIB do Nordeste 
12 de setembro de 2026
Redação

Quando um turista desembarca no Nordeste, o impacto de sua viagem começa muito antes de ele chegar à praia. Do motorista que realiza o transfer ao guia que apresenta o destino, passando pelo restaurante escolhido para o almoço, pelo artesão que vende uma lembrança e pelas empresas responsáveis pelos passeios, cada visitante coloca em movimento uma extensa cadeia de negócios e profissionais.

Os números ajudam a dimensionar essa força. O turismo representa cerca de 9,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do Nordeste, a maior participação da atividade na economia entre todas as regiões brasileiras. Em 2024, o setor contabilizou 433,3 mil empregos formais nos nove estados nordestinos, o maior patamar dos últimos seis anos. Somente a atividade de alimentação concentrava mais de 247 mil desses postos de trabalho, segundo dados do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. 

Por trás desses indicadores está um efeito multiplicador que nem sempre é percebido por quem viaja. O dinheiro desembolsado pelo visitante circula entre hospedagem, alimentação, transporte, comércio, lazer, cultura e diferentes prestadores de serviços, fazendo do turismo uma atividade com capacidade de distribuir recursos por diferentes segmentos da economia local. 

Para o Grupo Luck, que atua no turismo receptivo há mais de 65 anos no Nordeste, compreender essa cadeia é também parte da operação. “Quando recebemos um turista, não estamos falando apenas de transportá-lo do aeroporto ao hotel ou levá-lo para conhecer uma praia. Existe uma cadeia muito maior sendo movimentada. Há o motorista, o guia, o restaurante, os atrativos, os pequenos negócios e as pessoas que fazem aquele destino acontecer. Quanto mais conseguimos conectar o visitante à economia local, maior é a capacidade do turismo de gerar oportunidades para quem vive naquela região”, afirma Gustavo Luck, CEO do Grupo Luck.

O receptivo como elo entre turista e economia local

É justamente depois do desembarque que parte importante dessa distribuição acontece. O turismo receptivo funciona como um dos elos entre o visitante e aquilo que o destino oferece, ajudando a transformar a permanência em uma sequência de experiências que movimentam diferentes negócios.

Um passeio, por exemplo, pode envolver motorista, guia, embarcação, restaurante, atração turística e produtores locais em uma mesma jornada. Ao estimular o visitante a sair do hotel, conhecer novos lugares e consumir diferentes experiências, o receptivo contribui para ampliar a circulação econômica gerada pela viagem.

Esse papel ganha ainda mais relevância em destinos que atravessam períodos acelerados de crescimento, como João Pessoa. Para a Luck, o desafio passa a ser fazer com que o aumento da demanda seja acompanhado por uma operação estruturada e, ao mesmo tempo, capaz de preservar a hospitalidade e a conexão com o território.

“Quanto mais um destino cresce, maior também é nossa responsabilidade enquanto cadeia turística. Precisamos garantir qualidade, segurança e profissionalização, mas sem perder aquilo que torna cada lugar único. O turista quer conhecer a cultura, a gastronomia e as pessoas. Quando conseguimos proporcionar essa conexão, a experiência fica mais rica para quem visita e o impacto econômico também alcança mais pessoas no destino”, acrescenta Gustavo Luck. 

O impacto econômico ajuda também a mostrar por que a experiência turística não termina no viajante. Há uma outra ponta dessa relação formada pelas pessoas que recebem. No Nordeste, o setor turístico já representa 18,6% dos empregos formais do turismo brasileiro. Além de alimentação, estão nessa cadeia trabalhadores de alojamento, transporte, cultura e lazer, locação de veículos, agências, operadoras e diversas outras atividades relacionadas à viagem.

João Pessoa ajuda a revelar a dimensão desse impacto

Um dos exemplos mais evidentes dessa transformação está em João Pessoa. A capital paraibana vive um dos momentos de maior projeção de sua história recente no turismo nacional, impulsionada pelo aumento da procura, expansão da conectividade e maior exposição do destino.

Dados publicados pela Embratur em seu levantamento de tendências para 2026 apontam crescimento de 52,54% no fluxo de passageiros aéreos de João Pessoa em 2025 na comparação com 2024, colocando a capital entre os grandes destaques percentuais do país. Segundo a análise, o movimento de destinos como João Pessoa reflete, entre outros fatores, o fortalecimento do turismo interno, a ampliação das rotas diretas e a procura por destinos percebidos como mais autênticos.

E mais visitantes significam mais recursos circulando na economia. Para se ter uma dimensão, a Secretaria de Turismo de João Pessoa estimou para janeiro de 2026 uma movimentação de aproximadamente R$ 623,7 milhões na economia local, considerando gasto médio diário de R$ 700 por turista com hospedagem, alimentação, transporte, passeios e outros serviços. No Réveillon 2025/2026, a rede hoteleira da capital chegou a 100% de ocupação.

O crescimento também é percebido por quem está na ponta da operação turística. “João Pessoa é um ótimo exemplo do que acontece quando um destino ganha força. O aumento do número de visitantes não beneficia apenas a hotelaria ou o transporte aéreo. Temos mais pessoas fazendo passeios, frequentando restaurantes, conhecendo outros municípios, consumindo produtos regionais e contratando serviços. O turismo consegue fazer esse recurso circular por uma rede muito ampla”, explica Christiane Teixeira, diretora da Luck Receptivo na Paraíba

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