Chegamos à reta final de 2026. Podemos dizer que, ao mesmo tempo em que foi um ano desafiador, também foi revelador, principalmente no mercado de TI — setor que vem crescendo continuamente e hoje representa 7,2% do PIB nacional. Não à toa, segundo o Relatório Setorial 2025 do Macrossetor de TIC, realizado pela Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologias Digitais (Brasscom), o Brasil deve investir até R$ 2 trilhões em tecnologias entre 2026 e 2029, sendo a nuvem e a inteligência artificial (IA) os principais vetores dessa próxima onda de crescimento.
É preciso enfatizar que a digitalização já é uma realidade. Hoje, a maioria das empresas tem acesso a uma vasta gama de informações, porém ainda enfrenta a falta de confiança nesses registros. A razão disso? Os dados continuam espalhados em sistemas que não se comunicam e em planilhas paralelas, fazendo com que o time gaste mais energia conferindo números do que tomando decisões a partir deles.
Essa é uma realidade que afeta organizações de diversos setores — desde a Engenharia de Infraestrutura e Subterrânea até a indústria de alimentos, entre outras verticais de grande representatividade no desempenho do país. Diante desse desafio, muitos acreditam que a solução imediata é a IA. No entanto, antes de aderir a qualquer nova tecnologia, é fundamental resolver o básico.

Tendo em vista que em breve daremos início a um novo ano para o qual se prevê a continuidade desses avanços, vale destacar três tendências para 2027 que impactarão diretamente os resultados das empresas:
#1 IA embarcada no ERP: em vez de funcionar como uma ferramenta isolada, a inteligência artificial passa a atuar dentro do próprio sistema onde os dados residem. Com isso, ela consegue sugerir volumes de compra, apontar riscos no fluxo de caixa ou alertar sobre anomalias antes que se tornem problemas graves.
#2 Automação de tarefas repetitivas: uma abordagem que já gera resultados práticos nas empresas que a adotam. No segmento de laticínios, por exemplo, já presenciamos casos em que a automação reduziu em mais de 75% o tempo de faturamento e emissão de boletos, e em 60% o lançamento de documentos de entrada. O tempo poupado é direcionado para análises e ações estratégicas.
#3 Dado confiável e governança: pode parecer clichê, mas, sem esses pilares alinhados, a IA ganha apenas munição para errar mais rápido, levando a decisões baseadas em registros incorretos. Essa pode ser a tendência menos chamativa, mas é a mais importante — especialmente diante da Reforma Tributária, em que as empresas com dados fiscais organizados em 2027 se adaptarão com muito menos esforço.
Contudo, embora essas tendências pareçam óbvias, a maioria das empresas ainda utiliza a tecnologia como um “espelho retrovisor” (que mostra por onde já passou) em vez de um “para-brisa” (que indica a estrada à frente). Seguindo a analogia do automóvel, para enxergar o caminho com clareza é necessário um painel confiável, com o velocímetro calibrado e indicadores que garantam a segurança do veículo.
Isso é, ao invés de ter vários sistemas independentes que impedem a confiança nos dados, ao centralizar as informações em uma única plataforma, além de aumentar a segurança, também é possível obter ganho de eficiência, como é o caso de uma companhia do setor de obras e infraestrutura, que o fechamento do balanço passou de 6 meses para 10 dias.
As empresas precisam compreender que o caminho para evoluir não é apenas adotar a tecnologia X ou Y, mas sim percorrer três degraus: ter o dado certo, integrado e em tempo real; entender o que aconteceu e por quê; e só então projetar o futuro. Ao pular essas etapas, muitas organizações cometem erros que vão desde tratar TI como mero custo de manutenção (renovando licenças e mantendo o status quo para deixar a inovação apenas “se sobrar verba”) até adquirir ferramentas desconectadas que criam ilhas de dados com previsões incompatíveis com a realidade.
A pergunta que deve pautar qualquer mudança é: “estou aproveitando ao máximo o que já tenho?”. Afinal, de nada adianta ter ferramentas altamente robustas, sem utilizar totalmente seu potencial. Pode parecer algo nítido, mas ao longo da jornada, vimos setores da indústria como, por exemplo, de higiene pessoal, que foi descoberto que a empresa utilizava apenas 30% da capacidade total do software contratado.
Em suma, o grande diferencial no mercado será a postura adotada: enquanto as empresas que apenas automatizaram operações continuam fazendo o de sempre descobrindo os gargalos apenas após o ocorrido, aquelas guiadas por dados preditivos agem antecipadamente. Quem consolida essa visão organizacional chega a 2027 com uma vantagem competitiva real.
A chegada de um novo ano traz o sentimento de renovação, algo que também deve se refletir nos negócios. Para quem busca dar um salto de eficiência nas operações, vale a pena seguir três passos práticos: arrumar a casa, revisar cadastros, processos e a qualidade dos dados; escolher poucos casos de uso, analisar o impacto claro no caixa ou na operação e definir métricas objetivas de resultado; e deixar o ERP ser a espinha dorsal, visto que um sistema integrado e atualizado é a base indispensável para o funcionamento de qualquer IA. Afinal, a pergunta que deve reger todo o planejamento é: “esta tecnologia está me ajudando a apenas registrar o passado ou a decidir o futuro?”
Marco Vonzodas é Co-CEO da Okser.
Sobre a Okser:
A Okser é uma consultoria especializada na implementação do SAP Business One. Com 17 anos de expertise, atendendo empresas em todo o território nacional, a empresa já soma mais de 2 mil projetos realizados e mais de 3 mil usuários. A organização vai além, criando soluções tecnológicas personalizadas para lidar com qualquer desafio, simplificando processos e garantindo maior segurança e eficiência operacional