Um dos legumes mais utilizados na alta culinária, “Tomate Cereja” dá nome ao filme de estreia da cineasta paraibana Naderdane Uloth. A produção iniciou suas filmagens na última quarta-feira (08/01), no município de Lucena, na região da Grande João Pessoa, e elas vão até este domingo (12/01). O roteiro do curta foi desenvolvido no Laboratório JABRE de Cinema para Jovens Roteiristas 2024, realizado na cidade de Maturéia (PB). A iniciativa é coordenada pelo cineasta paraibano Torquato Joel, um dos nomes mais proeminentes do cinema do Nordeste. Na ocasião, a proposta foi premiada com o terceiro lugar.
A obra gira em torno da história de duas meninas, Nina e Rita, que vivem em cidades e em realidades sociais diferentes. Elas acabam se encontrando num contexto peculiar: o pai de uma vai à casa da outra em busca de comprar tomate cereja.
No enredo do filme, Nina, de classe média alta, precisa buscar uma encomenda com seu pai e irmã num assentamento localizado em Lucena, litoral norte da Paraíba. Lá, se depara com Rita, uma menina nascida e criada nesse assentamento que vive da agricultura familiar desenvolvida por sua avó. O encontro de ambas nos revela como realidades diferentes podem se tornar uma só através da inocência vivida pelas crianças.





Segundo a diretora e roteirista, a inspiração inicial para o desenvolvimento do projeto surgiu através da sua própria experiência de vida, na infância. “Passamos muitos verões em Lucena e a convivência com a comunidade era inevitável. No meu caso, não existia uma diferença de classes, mas uma diferença cultural muito grande. Depois de também ter morado lá e de ter produzido um minidoc sobre a vida levada neste assentamento, decidi juntar dois pontos importantes que nos chamam bastante atenção: a vida simples que se leva até hoje em algumas localidades na Paraíba. Apesar de ser uma ficção, esse projeto não foge da realidade que cerca milhões de crianças aqui na Paraíba e Brasil a fora: a desigualdade social”, destacou Naderdane.
Trajetória
Na trajetória de Naderdane, a arte e a cultura estão presentes “de berço”: ela é filha de Tina Nascimento, cantora e agente cultural e de Paulo Ró, Compositor, músico e um dos fundadores do Jaguaribe Carne, movimento emblemático na história da música da Paraíba. Nascida em João Pessoa (PB), em 1992 se mudou junta da família para Lucena e morou por lá até 2005, quando se mudou para Alemanha pela primeira vez. Ao voltar para o Brasil em 2010, formou-se em Letras Inglês pela Universidade Federal da Paraíba. Em 2017, voltou para a Alemanha para estudar cinema, tendo se formado em Cinema e TV pela Academia de Artes “WAM – Die Mediakademie” na cidade Dortmund, na região alemã de Arnsberg.
De volta à Paraíba, Dane, como é mais conhecida, fundou a produtora Uloth Productions, e com ela trabalhou na produção de dois minidocs, na coprodução do Festival Pé na Areia, realizado na cidade de Lucena em 2023, e do Festival Copaoba, realizado em Serra da Raiz, em 2014. Ela atua profissionalmente como fotógrafa, roteirista, produtora, continuísta e editora de audiovisual.
Consciência social
A abordagem do filme parte do encontro e do olhar infantil, quando duas crianças de origens diametralmente opostas ficam cara a cara numa circunstancia peculiar. A dimensão sensível e lúdica dá a tônica da narrativa, mas as questões socioculturais também aparecem de forma evidente e simples de ser acessada pelo público.
“É importante continuar trabalhando e alertando a sociedade para que as novas gerações tomem consciência da gravidade dessa situação e que não queiram dar continuidade a desigualdade social. Devemos quebrar esses ciclos e procurar, com projetos como esse, onde a linguagem é leve e clara, levar ao maior número de pessoas que essa realidade e que essas pessoas existem”, defende Dane.
“Na Guerrilha!”
A produção de Tomate cereja é totalmente independente e colaborativa, acontece sem recursos de fomento para produção. Nesse sentindo, foi viabilizada pelos profissionais envolvidos, que doaram sua força de trabalho e toparam fazer o filme “na guerrilha”, expressão que era comum no cinema paraibano quando se fazia filmes sem nenhum patrocínio. Quem quiser colaborar com o projeto, pode doar qualquer valor através do PIX da diretora, na chave: naderdane@icloud.com – Nu Bank, em nome de Narderdane Uloth.
Sobre o filme (sinopse)
Tomate Cereja é um curta-metragem de ficção que narra o inesperado encontro entre duas meninas de realidades sociais distintas. Nina, uma jovem de classe média alta, vai com seu pai e irmã até um assentamento no litoral norte da Paraíba, em busca de uma encomenda de tomates cereja. Lá, ela conhece Rita, uma menina que vive com avó, que é dedicada à agricultura familiar. Em meio à diferença de seus mundos, a história revela como a pureza da infância pode transcender barreiras sociais, unindo dois universos que, à primeira vista, pareciam tão distantes.
Sobre a diretora
Naderdane Uloth é uma profissional apaixonada e versátil da produção audiovisual, com uma carreira sólida e diversificada. Formada em Cinema e Televisão pela Universidade WAM-Die Mediakademie (Alemanha), e em Letras Inglês pela UFPB, ela também possui formação em Assistente Comercial. Com 11 anos de vivência na Alemanha, Naderdane se destaca como continuísta, roteirista, editora e gestora da Uloth Productions. Seu trabalho inclui a coprodução do festival “Pé na Areia” e a criação de minidocs, além de sua contribuição para o 2º Copaoba – Festival de Cinema de Serra da Raiz. Recentemente, conquistou o terceiro lugar no Jabre 2024, reconhecendo seu talento na escrita de roteiros.