Tecnologia com IA monitora ninhos de tartaruga
16 de maio de 2026
Redação

O projeto desenvolvido na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) por pesquisadores do Centro de Energias Alternativas e Renováveis (CEAR) e do Centro de Ciências Exatas e da Natureza (CCEN) e pela associação Guajiru auxilia no monitoramento da postura e desenvolvimento dos ovos da tartaruga-marinha no litoral paraibano, sem interferir no comportamento dos animais. O sistema utiliza inteligência artificial, sensores térmicos e drones para identificar o animal e localizar o ninho. 

Denominado “Inovação e Tecnologia para a Conservação de Tartarugas-Marinhas em João Pessoa – PB”, o projeto de extensão tecnológica foi selecionado e é fomentado pelo Edital Nº 009/2025 – INOVATEC-JP/SECITEC – PMJP Projeto Tartarugas-Marinhas. 

O projeto conta com apoio de vários laboratórios da UFPB. O professor responsável pelo projeto é o Prof. Dr. George Emmanuel Cavalcanti de Miranda, do Departamento de Sistemática e Ecologia do Centro de Ciências Exatas e da Natureza (CCEN), mas conta com a atuação tanto de professores e alunos da UFPB, como de voluntários da associação Guajiru. 

O professor do Departamento de Engenharia Elétrica do CEAR/UFPB Cleonilson Protasio informou que o desenvolvimento dos sensores eletrônicos é feito no Laboratório de Microengenharia do CEAR/UFPB. 

As principais áreas de desova monitoradas ficam entre o bairro do Bessa (João Pessoa) e Intermares (Cabedelo), e nas praias de Jardim Oceania e Barra de Gramame, também em João Pessoa. Geralmente, os voluntários procuram as tartarugas e os ninhos por meio dos rastros que elas deixam na areia. Então, a ideia é utilizar a tecnologia para facilitar essa localização.

“Toda a inteligência de detecção das tartarugas marinhas já está em testes com resultados importantes”, conta o professor Cleonilson Protasio. De acordo com o docente, o objetivo é utilizar um minicomputador compacto, com um software prático e acessível, criando uma inovação útil para a sociedade. O sistema, por meio de sensores de temperatura, reconhece padrões térmicos e identifica o animal ao detectar a diferença de temperatura entre o corpo da tartaruga e a areia. 

Além dos professores George Emmanuel Cavalcanti de Miranda e Cleonilson Protasio de Souza, integram o projeto Juliana de Fátima Galvão, Karina Massei, Ricardo Lourenço-de-Moraes, Danielle Siqueira Barrêto de Oliveira, Edkênio Pereira de Araújo, Rafael Gomes de Lima, Flaviano Batista do Nascimento, Victoria Temoteo de Alencar, Pedro Germano Agripino Cruz e Ezequias Amorim Martins Batista. 

Na próxima etapa do projeto, os pesquisadores vão desenvolver um ovo com sensores para ser colocado no ninho das tartarugas, capaz de monitorar, em tempo real, temperatura, umidade e a movimentação dentro do ninho, sem interferir no nascimento dos filhotes. Aluna de Engenharia Elétrica do CEAR, Victoria Temoteo de Alencar explica que muitos ovos estavam entrando em processo de cozimento dentro do ninho por causa do calor extremo. A pesquisa, que iniciou em setembro de 2025, tem duração de um ano.

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