Um levantamento da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) revela um cenário que preocupa o setor segurador: somente 9% da população do Nordeste possui seguro de vida. O índice representa metade da média nacional, que alcança 18%, e evidencia um déficit de proteção financeira em uma das regiões mais vulneráveis a oscilações econômicas e imprevistos.
O dado expõe um contraste. Em um contexto no qual doenças graves, acidentes ou afastamentos do trabalho podem comprometer a renda familiar de forma abrupta, o seguro de vida — instrumento tradicional de amparo financeiro — ainda enfrenta barreiras culturais e desconhecimento sobre suas novas funcionalidades.
De produto pós-morte a aliado em vida
Historicamente associado à indenização por falecimento, o seguro de vida passou por uma transformação significativa nos últimos anos. O mercado ampliou as coberturas e consolidou o conceito de “Seguro de Vida em Vida”, voltado à proteção do segurado em situações críticas enquanto ele ainda está ativo.
Para Marina Mota, diretora do Grupo Caburé Seguros, a baixa adesão no Nordeste está ligada, principalmente, à falta de informação. “Ainda existe a ideia de que o seguro é um produto apenas para depois da morte. Hoje, ele é um instrumento de proteção em momentos delicados da vida, quando a família mais precisa de estabilidade financeira”, afirma.
Entre as principais coberturas disponíveis nas apólices atuais estão:
Desafios socioeconômicos e comunicação
Segundo Marina Mota, além das questões culturais, fatores socioeconômicos também impactam a penetração do produto na região. No entanto, ela destaca que parte do desafio está na forma como o seguro é apresentado ao público.
“Muitas vezes o produto não é comunicado de maneira clara. É preciso mostrar que não se trata de um custo supérfluo, mas de um alicerce que protege o patrimônio e evita que uma doença ou acidente comprometa anos de esforço”, ressalta.
Para reduzir a distância entre oferta e demanda, o setor aposta em duas frentes: microseguros e digitalização. Os microseguros oferecem mensalidades acessíveis — em alguns casos inferiores ao valor de serviços de entretenimento — ampliando o acesso para famílias de renda mais baixa. Já a contratação digital simplifica processos e permite alcançar municípios do interior com menos burocracia.
Educação financeira como estratégia
O mercado segurador projeta crescimento sustentado no Nordeste, mas reconhece que o avanço dependerá de investimento em educação financeira. Planejamento sucessório, proteção de renda e organização patrimonial são apontados como pilares para consolidar o seguro de vida como instrumento essencial de estabilidade econômica.
“O objetivo é que as pessoas entendam o seguro de vida como uma proteção da renda, algo que preserva a saúde financeira da família diante de imprevistos. Se a saúde física falha, a estrutura financeira não pode desmoronar junto”, conclui Marina Mota.
Com apenas 9% de adesão, o Nordeste desponta como uma das regiões com maior potencial de expansão para o setor, mas também como um território onde informação e conscientização ainda são determinantes para reduzir o chamado “gap” de proteção.