Decisões lentas, desalinhadas ou baseadas em previsões desatualizadas podem gerar perdas entre US$ 5 milhões e US$ 15 milhões em lucros a cada US$ 1 bilhão em receita, segundo estimativas da o9 Solutions, plataforma global de planejamento empresarial baseada em inteligência artificial. Na prática, isso se traduz em excesso de estoque, receita não capturada e queda de produtividade – reflexo da dificuldade das empresas de operarem com modelos de planejamento que não acompanham a velocidade e a complexidade do mercado atual.
Em um ambiente marcado por volatilidade, incerteza e mudanças constantes na demanda e na cadeia de suprimentos, processos tradicionais baseados em ciclos mensais ou trimestrais e em áreas que operam de forma isolada, têm se mostrado cada vez menos eficazes. O resultado são previsões que se tornam obsoletas rapidamente, decisões fragmentadas entre áreas e perda recorrente de valor ao longo da operação.

Esse cenário tem impulsionado a adoção de novos modelos operacionais baseados em inteligência artificial, que buscam transformar o planejamento em um processo contínuo, conectado e orientado por dados em tempo real. É nesse contexto que empresas passam a adotar abordagens como o APEX, modelo desenvolvido pela o9 Solutions, que combina planejamento e execução de forma integrada e contínua. A proposta é substituir ciclos estáticos por um sistema capaz de aprender com a operação e ajustar decisões em tempo quase real.
Segundo a empresa, esse tipo de modelo pode alcançar até 90% a 95% de execução automatizada (touchless) nos principais processos, além de gerar ganhos de 10% a 15% na acurácia das previsões e impacto anual de US$ 100 milhões a US$ 300 milhões em EBITDA em grandes organizações. “O principal desafio hoje não é a falta de dados, mas a dificuldade de transformar informação em decisão coordenada e no tempo certo. Empresas ainda operam com estruturas pensadas para um ambiente previsível, que já não existe mais”, afirma Gabriel Vasconcellos, CEO Latam da o9 Solution.
Na prática, o modelo se apoia em três pilares: agilidade, adaptação contínua e automação. Isso permite que decisões que antes levavam dias, como ajustes de produção, reposição de estoque ou revisão de preços, passem a ser feitas em horas ou até minutos, com base em simulações e cenários atualizados constantemente.
Além da velocidade, outro ponto central está na integração entre áreas. Em muitas empresas, times de supply chain, comercial, produto e finanças ainda operam com métricas e sistemas distintos, o que dificulta a coordenação e aumenta o risco de decisões conflitantes. Plataformas baseadas em IA buscam resolver esse problema ao conectar dados e decisões em toda a cadeia de valor.
Casos recentes ilustram o impacto dessa mudança na prática. A EchoStar, empresa do setor de telecomunicações, enfrentava cerca de US$ 500 milhões em excesso de estoque e dificuldades para reagir à volatilidade do mercado. Após reestruturar sua operação logística e adotar um modelo mais ágil de distribuição, com apoio de ferramentas de planejamento baseadas em IA, a companhia conseguiu melhorar o fluxo de caixa e reduzir a dependência de estoques elevados.
No Brasil, a Zamp, operadora de marcas como Burger King, Popeyes e Subway, alcançou 92% de acurácia nas previsões, reduziu o desperdício em 60% e diminuiu rupturas em 32%, a partir de uma abordagem integrada que conecta previsão de demanda, planejamento de supply e abastecimento das lojas.
Já a New Balance, diante do aumento da complexidade global, unificou seus sistemas de planejamento e operação, conectando dados de demanda, estoque e supply. O movimento permitiu acelerar o planejamento de cenários, melhorar níveis de serviço e tornar mais eficiente o lançamento de novos produtos.
Para a o9, o movimento aponta para uma mudança mais profunda na forma como as empresas operam. Em vez de tratar o planejamento como um evento periódico, a tendência é que ele se torne um fluxo contínuo, integrado à execução e alimentado por aprendizado constante. “Esperar pelo próximo ciclo de planejamento já não é suficiente. A capacidade de aprender com a execução e ajustar decisões continuamente passa a ser um diferencial competitivo”, afirma Vasconcellos.