O Comitê de Política Monetária (COPOM), do Banco Central, subirá a taxa básica de juros do país, a Selic, em 1 ponto percentual (pp) após as reuniões que aconteceram nesta segunda-feira (17) . Com isso, o Brasil permanecerá tendo a quarta maior taxa de juros nominais do planeta – agora de 14,25% –, como efeito da conjuntura interna inflacionada e das incertezas que se avolumaram com a presidência de Donald Trump nos Estados Unidos
No âmbito nacional, o IPCA de fevereiro subiu 1,31%, a maior alta para o mês em mais de 20 anos , deixando o comitê sem escolha. Embora o número não tenha sido atraente para o mercado, ainda é um cenário grave, considerando que o grupo de alimentos e bebidas, que pesa no bolso das classes mais baixas, segue bastante pressionado , com uma alta de 0,70% nos preços no mês em questão — que havia sido de 0,96% em janeiro. Tudo isso levando em conta que a alimentação no domicílio, fora da variação da pesquisa do IBGE, também subiu (0,79%).

Em paralelo, o mercado de trabalho em bom momento tem, como um dos seus efeitos, o aquecimento da demanda, principalmente nos Serviços. Dados da XP Investimentos apontam que a inflação desse setor foi de 0,82% em fevereiro, o que faz o acumulado dos 12 meses beirar os 10%.
Se, por um lado, a desaceleração da economia brasileira, no fim do ano passado, como o Conselho Superior de Economia, Sociologia e Política da FecomercioSP (CSESP) já notou em sua Carta de Conjuntura, deu sinais evidentes de que os efeitos dos juros altos já se fazem notar, por outro, os serviços, o varejo e até mesmo o mercado de trabalho ainda estão bastante aquecidos.
Além disso, os rumores da política fiscal — que, após diversos encaminhamentos do mercado, podem, enfim, ser menos expansionistas — devem levar o Copom a tirar o pé do acelerador nas reuniões seguintes.
Como se não bastasse toda a situação interna, demasiada complexa, as medidas cada vez mais protecionistas nos Estados Unidos, sob a guarda do presidente Donald Trump, estão exportando dúvidas para economias de todo o mundo — e no Brasil, não é diferente. Já é possível sentir, por exemplo, no aumento das taxas de juros dos títulos norte-americanos e na convulsão de Wall Street nesses últimos dias. A fuga de dólares do mercado estadunidense para países emergentes terá, como consequência, uma pressão sobre as moedas. O real não é isso.