Selic fica em 15% e BC sinaliza corte em março
29 de janeiro de 2026
Redação

Em decisão unânime e amplamente antecipada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) manteve a taxa Selic em 15% ao ano. Embora o diagnóstico econômico tenha sofrido apenas alterações marginais, o comunicado trouxe um “plano de voo” inesperadamente explícito: a autoridade monetária antevê o início de um ciclo de redução de juros já na próxima reunião, em março, caso o cenário esperado se confirme.

Divergência de análises: cautela vs. aceleração

A comunicação do BC gerou interpretações variadas entre as principais casas de análise e setores da economia, expondo o equilíbrio delicado entre o controle inflacionário e o estímulo ao crescimento.

  • Visão de Cautela (Banco BV): Para os analistas do Banco BV, a sinalização de março veio acompanhada de um tom de “serenidade”. A instituição projeta um início de ciclo gradual, com dois cortes sucessivos de 0,25 p.p. (março e abril), antes de acelerar o passo para 0,50 p.p., visando encerrar o ano em 12%.
  • Aposta em Ciclo Mais Robusto (Banco Bmg): Já Flávio Serrano, economista-chefe do Banco Bmg, destaca que, embora o BC pregue cautela, a adoção do forward guidance (orientação futura) foi a mais clara possível. O banco mantém a projeção de um corte mais agressivo, de 0,50 p.p., já na reunião de março.
  • Foco na Credibilidade (Privatto e MAG): Eduardo Tellechea Cairoli, CEO da Privatto Multi Family Office, reforça que o BC prefere “errar pelo excesso de cautela” para garantir a ancoragem das expectativas. No mesmo sentido, Felipe Oliveira, da MAG Investimentos, salienta que a flexibilização está condicionada à convergência da inflação à meta, mantendo o caráter restritivo da política por ora.

Reação Social: “Irresponsabilidade”

No campo social e produtivo, a manutenção da taxa em 15% foi recebida com indignação. A Força Sindical classificou a decisão como uma “perversidade” contra a classe trabalhadora. Em nota, a entidade afirmou que os juros altos atuam como um obstáculo ao desenvolvimento, beneficiando especuladores enquanto elevam o custo do dinheiro para famílias e empresas, travando a geração de emprego e renda.

Riscos no Radar

O BC reiterou que o cenário internacional permanece incerto e que a inflação de serviços e as dúvidas fiscais domésticas seguem como pontos de atenção. Além disso, o câmbio é monitorado de perto: analistas da Privatto lembram que cada 10% de oscilação no dólar pode impactar o IPCA em cerca de 1 ponto percentual, o que pode ditar a velocidade real dos cortes prometidos para março.


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