Salões incorporam wellness e tecnologia 
7 de maio de 2026
Redação

O setor de beleza no Brasil movimenta mais de US$ 31 bilhões por ano, segundo a Euromonitor, e acompanha uma mudança estrutural no consumo global. Relatório recente da McKinsey aponta que o mercado de wellness deve ultrapassar US$ 7 trilhões até 2027, impulsionado pela busca por saúde, longevidade e experiências completas. Nesse cenário, uma parte relevante dos salões ainda opera com foco em procedimento e preço, enquanto o consumidor passou a priorizar experiência, cuidado e resultado integrado. 

Para Saulo Abrahão, empresário do setor da beleza e fundador do salão conceito DUO+, essa mudança já redefiniu o modelo de negócio. “O cliente não busca apenas um procedimento. Ele quer sair melhor do que entrou, física e emocionalmente, e isso exige uma nova forma de estruturar o salão”, afirma.

Durante anos, o salão foi visto como um espaço voltado à estética. Hoje, passa a ocupar uma função mais ampla, conectando bem-estar, tecnologia e experiência. Essa transição expõe um desalinhamento entre oferta e demanda: enquanto o cliente evoluiu, parte dos negócios ainda segue presa a um modelo operacional limitado.

A mudança também altera a forma de decisão de compra. “O consumidor não compara mais só preço. Ele compara experiência. Quando encontra cuidado real, ele volta mais vezes e aceita investir mais”, diz.

Na prática, os salões passam a incorporar protocolos que ampliam a percepção de valor, com terapias sensoriais, ambientação voltada ao relaxamento e uso de equipamentos que potencializam resultados. O serviço deixa de ser isolado e passa a fazer parte de uma jornada. “O salão que entende wellness deixa de disputar valor e passa a construir desejo”, afirma.

A tecnologia assume papel estratégico nesse movimento. Equipamentos de eletroestimulação e soluções digitais permitem personalização, acompanhamento de histórico e otimização do tempo de atendimento. “Tecnologia não substitui o toque humano. Ela potencializa resultado, tempo e percepção de valor”, explica.

O impacto direto aparece nos indicadores financeiros. Dados do Global Wellness Institute mostram que consumidores estão mais dispostos a investir em serviços integrados, elevando ticket médio e recorrência. “Experiências bem estruturadas aumentam tempo de permanência, frequência e valor por atendimento, três variáveis centrais para rentabilidade”, afirma.

Esse ganho depende de eficiência operacional. Salões que organizam atendimentos simultâneos e integrados conseguem faturar mais por hora sem comprometer a qualidade, aumentando a produtividade da equipe e o aproveitamento da agenda. “Não se trata de fazer mais, mas de organizar melhor. Quando a operação é bem estruturada, o crescimento acontece com mais previsibilidade”, diz.

O comportamento digital reforça essa mudança. Mais de 90% dos consumidores pesquisam online antes de contratar serviços locais, segundo o Google, o que amplia o peso da reputação e da experiência percebida.

Para o empresário, a transformação exige mais do que adaptação estética. “Muitos salões não crescem por falta de talento, mas por falta de estrutura e visão. Quando o dono trabalha isolado, as decisões ficam mais lentas e o crescimento mais limitado”, afirma.

No novo momento da beleza, estética deixou de ser diferencial e passou a ser ponto de partida. O crescimento sustentável depende da capacidade de integrar bem-estar, tecnologia e gestão para entregar uma experiência que gere resultado para o cliente e consistência para o negócio.

Sobre Saulo Abrahão

Saulo Abrahão é empresário e mentor, fundador do Método Voe Alto. Iniciou sua trajetória no setor da beleza em 2014 e transformou um salão de 60m² no DUO+, operação que hoje supera R$ 6 milhões de faturamento anual.

A partir da experiência prática, desenvolveu um método estruturado em mentalidade, gestão, liderança e tração, voltado à profissionalização de donos de salão que buscam crescimento organizado e previsibilidade financeira.

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