Repaginar lojas é tendência no varejo
19 de março de 2024
Redação

Após o varejo brasileiro passar por um 2022 turbulento e permanecer praticamente estagnado em 2023, com previsão de crescimento anual de apenas 2% nas vendas, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), a expectativa não é tão otimista para o setor em 2024. Com os juros ainda altos e a renda das famílias comprometidas após um período de inflação elevada, os resultados de grande parte das companhias nacionais seguem comprimidos. Mas, segundo Antônio Sá, sócio-fundador da Amicci, empresa de tecnologia de varejo private label, na contramão do boom do e-commerce, a repaginação das lojas físicas promete ser a peça-chave que garantirá a fidelização e o retorno dos clientes às compras no próximo ano. 

“Os diversos canais de consumo que o varejo já tem continuam sendo muito importantes, mas, em 2023, comprovamos a importância da loja física. Perto da casa do cliente ou do trabalho, esses pontos de venda, que já trazem comodidade, serão totalmente transformados e evoluídos, oferecendo experiências ainda mais personalizadas, simplificadas e inovadoras”, explica. 

De acordo com o especialista, a exploração sensorial tornará esses destinos emocionantes e confortáveis para os compradores: “Aqui, entram soluções criativas para despertar os sentidos dos clientes: música, aromatização do ambiente, iluminação adequada, organização e até uma simples cadeira para descansar”. 

Além disso, o uso da Inteligência Artificial (IA) e machine learning ajudará na otimização de processos dentro da loja: “alguns benefícios já estão sendo vistos, como o gerenciamento de estoque, a produção de catálogos e a otimização logística. No entanto, as grandes tecnologias conseguirão ir além e proporcionarão detecção de fraudesanálise preditiva e até precificação dinâmica. Ou seja, conseguiremos aumentar a segurança das lojas, prever tendências de consumo e comportamento do cliente com base em muitos dados, além de ajustar preços de uma forma dinâmica para maximizar lucros e competitividade”. 

Para o consumidor, isso será refletido na simplificação da jornada de compra. “Para alguém sair de casa e ir a um ambiente de compra físico, esse local precisa ser muito agradável, diferente, que traga uma ótima experiência e ofereça uma vida facilitada para a tomada de decisões. É muito importante pensar em como o cliente fará a escolha do produto e o checkout, ou seja, pegar a sua compra, pagar e ir embora de uma forma muito fácil, sem atrito, reduzindo ao máximo o tempo no caixa, sem ter que dar tantas informações ao estabelecimento”.

Segundo Sá, a coleta de dados é fundamental para tornar a experiência com a empresa única. Uma pesquisa da McKinsey aponta que 72% das pessoas gostam de personalização e esperam ser reconhecidas pelas marcas que consomem: “não estamos mais falando de chamar o cliente pelo primeiro nome, mas entender suas preferências e desejos. É colocar o consumidor no centro das escolhas, fazendo uma leitura para tornar a experiência mais de acordo com o perfil de consumo e não só fazer algo que sirva a uma manada de clientes. O uso de chatbots e assistentes virtuais, que interagem com o consumidor, seja na loja física ou durante uma comunicação online, serão destaques. São aspectos que irão transformar o perfil de consumo, otimizando a tomada de decisões dos compradores”. 

Olhando para o potencial do e-commerce, a união entre o online e o offline (phygital) será o grande diferencial para as marcas de sucesso no próximo ano: “estamos falando em multicanalidade. Em 2023, os varejistas já começaram a integração entre lojas físicas e digitais. Essa estratégia tende a se amplificar ainda mais no próximo ano. Os consumidores poderão comprar online, retirar na loja e devolver com facilidade em todos os canais. Ou até pesquisar um produto na internet e ir até o endereço da marca efetuar a compra”. 

Aqui, destacam-se também os pagamentos digitais: “o aumento do uso de carteira digital, por aproximação ou por outras tecnologias, até de reconhecimento facial, são algumas das formas que o varejo está vendo de tornar essa identificação do cliente fácil”. 

“No final do dia, todos esses aspectos irão colaborar para a jornada de compra se tornar muito mais suave e customizada. O objetivo é que o consumidor tenha uma experiência sensorial e de tempo para que ele se sinta bem na loja, sem esforço. Com isso, a relação entre comprador e vendedor será fortalecida e o ato da visita mais desejado e frequente”, finaliza Sá. 

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