O Brasil está prestes a padronizar, por regra, um mercado que sempre funcionou como o “pulso” do capital de giro, mas por décadas operou com baixa rastreabilidade. As duplicatas, títulos emitidos a partir de vendas a prazo de mercadorias e serviços, movimentam cerca de R$ 10 trilhões por ano no país e, ainda assim, apenas 10% desses papéis são negociados em estruturas formais de financiamento. Em paralelo, o crédito estruturado ganhou escala e passou a disputar espaço com canais tradicionais: a indústria de FIDCs está perto dos R$ 800 bilhões em patrimônio líquido, ampliando a capacidade do mercado de capitais de transformar recebíveis pulverizados em liquidez organizada. Esse pano de fundo ajuda a explicar por que a “duplicata escritural” deixou de ser um tema técnico e passou a ser uma peça de infraestrutura para o financiamento de empresas, especialmente fora do topo do sistema bancário.
O gatilho, agora, é regulatório. No fim de 2024, o Banco Central aprovou a Convenção de Duplicatas Escriturais, que estabelece regras e procedimentos para que a emissão deixe de depender de processos dispersos e passe a exigir registro eletrônico em entidade autorizada. A B3 descreve um calendário de adaptação que começa em 2026 e avança por faixas de faturamento, com a primeira leva concentrada em companhias acima de R$ 300 milhões por ano. Em termos práticos, o que muda é a ordem do jogo: antes de negociar, antecipar, ceder ou usar a duplicata como lastro, a empresa precisa escriturar e registrar o título, criando trilha de dados, reduzindo brechas e elevando a segurança do mercado.

É nesse ponto que a discussão sai do cartório e entra na economia real. Com duplicatas registradas, o financiador passa a enxergar melhor o risco, e o risco precificado com mais precisão tende a reorganizar o custo do dinheiro. “A duplicata sempre foi um instrumento cotidiano das empresas, mas o Brasil operava com um mercado grande e pouco padronizado; a escrituralização muda esse patamar porque traz rastreabilidade e validação, e isso se traduz em eficiência de crédito”, afirma Gabriel Padula, CEO do Grupo Everblue. A Everblue atua na estruturação e operação de soluções de crédito baseadas em recebíveis, incluindo veículos como FIDCs, justamente na fronteira em que tecnologia, governança e capital de mercado se encontram. “Quando você combina registro, dados e monitoramento, o recebível deixa de ser uma promessa difusa e vira um ativo com controle; isso atrai mais liquidez e amplia o leque de financiadores além do banco tradicional”, diz Padula.
Nos próximos anos, a tendência é que o mercado caminhe para uma transição em ondas: primeiro, a adequação das grandes companhias ao registro e aos fluxos operacionais; depois, a entrada gradual de médias e pequenas, como preveem as regras do Banco Central sobre a duplicata eletrônica e seus prazos por porte. Com a infraestrutura amadurecendo, cresce a probabilidade de três efeitos encadeados: mais concorrência entre financiadores (bancos, FIDCs, fintechs e plataformas), menor espaço para fraude e contestação tardia, e maior padronização de processos, inclusive com integração a meios de pagamento, como vem sendo discutido no ecossistema da escritural. A consequência mais importante, se o calendário se cumprir, é a expansão do volume hoje “fora do trilho”: parte relevante dos R$ 10 trilhões tende a migrar para estruturas registradas e monitoradas, reforçando o papel dos recebíveis como motor de liquidez e aproximando o crédito brasileiro de uma lógica mais transparente, previsível e escalável.
Sobre o Grupo Everblue
O Grupo EverBlue é um ecossistema de soluções de crédito corporativas que transforma desafios em crescimento sustentável. A companhia nasceu com o propósito de fortalecer a indústria e impulsionar empresas, oferecendo soluções de crédito personalizadas com as necessidades de cada negócio.
A EverBlue atua como parceira estratégica do setor produtivo, integrando soluções financeiras, tecnologia e inteligência operacional para impulsionar crescimento e eficiência empresarial. Ao longo de sua trajetória, já realizou mais de 7 mil operações e concedeu mais de R$ 3 bilhões em crédito, consolidando sua presença como um dos principais impulsionadores do crescimento empresarial no Brasil, posicionando-se como o aliado financeiro no sucesso dos negócios de seus clientes.
O portfólio do grupo abrange um ecossistema 360º de soluções financeiras corporativas, que inclui capital de giro, antecipação de recebíveis, financiamento à cadeia de fornecedores, operações estruturadas e fundos exclusivos. Entre as vertentes do ecossistema, destaca-se a plataforma financeira integrada que impulsiona empresas e indústrias, solucionando as dores do dia a dia no acesso a serviços bancários tradicionais ao centralizar gestão de caixa, pagamentos, pix, cartões corporativos, crédito, cobrança, câmbio e conciliação bancária em um único ambiente tecnológico e eficiente.