Pesquisa Inédita em Campina Grande, realizado pela Quaest em parceria com o YouTube, revela que quadrilhas juninas reteram 1,9 milhão de menções na Web e atuam como redes de proteção social
CAMPINA GRANDE — O movimento junino no Brasil deixou de ser apenas uma festividade sazonal para se consolidar como uma indústria cultural complexa e, acima de tudo, um ecossistema de acolhimento social. É o que aponta um diagnóstico inédito realizado pela Quaest em parceria com o YouTube, apresentado no SESI Museu Digital, em Campina Grande (PB).
O estudo, que é o primeiro de escala nacional dedicado exclusivamente às quadrilhas juninas, revela dados impressionantes tanto no impacto digital quanto na transformação social de comunidades periféricas e minorias.

Fenômeno Digital em números
A força do São João já transbordou dos palcos para os algoritmos. O monitoramento de social listening realizado pela Quaest entre janeiro de 2025 e maio de 2026 capturou a grandiosidade do movimento na internet:
1,9 milhão de menções diretas às quadrilhas juninas nas redes sociais.
608 mil autores únicos gerando conteúdo sobre o tema.
614 mil visualizações por hora, em média, de alcance digital.
Foco do interesse: A música lidera o engajamento digital com 71% das menções, seguida pelas comidas típicas (19%) e pela estética visual (10%).
Nas redes, o desejo do público é sintetizado por expressões recorrentes nos trending topics do X (antigo Twitter), como “queria ir” e “queria ir junto”, mostrando o forte apelo emocional da festa.
Espetáculo de alta complexidade e gargalos financeiros
O diagnóstico mapeou 29 lideranças de quadrilhas de diversos estados (como Amazonas, Distrito Federal, Piauí e Acre). O retrato aponta que as quadrilhas se transformaram em grandes espetáculos, exigindo cenografia, iluminação, figurinos elaborados e coreografias sofisticadas.
Contudo, o gigantismo esbarra na falta de estrutura: a maioria dos grupos não possui sede própria e muitos dependem da realização de dívidas para conseguir colocar o espetáculo na rua, recebendo recursos e aportes apenas após o período de festas.
“As quadrilhas cresceram muito, se estilizaram, se enxugaram. Então, um projeto como esse resgata, mantém e sobrevive o movimento.”
Erik Cristovão, diretor da Quadrilha Junina Moleka 100 Vergonha
Inclusão e escudo social nas periferias
Para além da beleza estética, a pesquisa comprova que as quadrilhas funcionam como potentes redes de proteção e cuidado, suprindo a falta de equipamentos culturais públicos. Elas acolhem:
Jovens de áreas periféricas;
Mulheres (em Campina Grande, por exemplo, 6 das 14 quadrilhas pesquisadas são presididas por mulheres);
Trabalhadores da cultura;
População LGBTQIAPN+ (sendo a presença majoritária em alguns dos grupos mais profissionalizados).
Os grupos oferecem desde suporte básico — como alimentação, transporte e apoio emocional — até formação profissionalizante em áreas como costura, maquiagem, música, cenografia e produção audiovisual.

O Projeto “Viva Junina” e o futuro das políticas públicas
Financiado pela Lei Rouanet e patrocinado pelo YouTube, o diagnóstico integra o projeto Viva Junina. O objetivo principal é fazer com que esses dados cheguem aos tomadores de decisão para embasar políticas públicas de incentivo. A atenção maior se volta para os grupos menores, que hoje enfrentam barreiras burocráticas e não conseguem acessar editais por falta de estrutura administrativa.
Como entrega prática, além do relatório, foi lançado o mapa interativo “Geografia Junina de Campina Grande”, mapeando 29 locais estratégicos entre sedes, locais de ensaio e almoxarifados, disponível em geografia-junina.quaestprojetos.com.br.