População 60+ gasta mais do que a média nacional
10 de abril de 2026
Redação

Os brasileiros com 60 anos ou mais vêm consolidando um novo protagonismo no consumo e já figuram entre os públicos mais estratégicos para a economia. É o que revela o 1º Anuário Mosaic Insights, da Serasa Experian, que analisou dados de quase 190 milhões de CPFs e identificou um padrão de consumo ativo, planejado e, em muitos casos, acima da média nacional.

De acordo com o levantamento, o público 60+ tem forte presença em categorias essenciais do dia a dia e de bem-estar, como supermercados, farmácias, produtos para casa, eletrônicos e lazer. Em faixas de renda mais altas, o consumo desse grupo pode superar o de até 72% da população, evidenciando não apenas poder aquisitivo, mas também regularidade e consistência nos gastos.

Esse comportamento acompanha uma transformação demográfica em curso no país. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que o Brasil passa por um acelerado processo de envelhecimento populacional, com aumento da expectativa de vida e redução das taxas de natalidade. A tendência é que, nas próximas décadas, a população idosa represente uma fatia cada vez maior da sociedade — e, consequentemente, do mercado consumidor.

Especialistas apontam que esse público valoriza atributos específicos na jornada de compra. Segurança, previsibilidade e clareza nas informações são fatores decisivos. Trata-se de um consumidor que pesquisa, compara e prioriza experiências simples, funcionais e confiáveis, evitando riscos e surpresas.

Esse cenário tem impulsionado o conceito da chamada “economia prateada”, que reúne produtos e serviços voltados à população mais velha. Setores como saúde, seguros, turismo, tecnologia assistiva e serviços financeiros já vêm adaptando suas estratégias para atender a esse perfil, com soluções mais acessíveis, atendimento personalizado e comunicação direta.

Para Marcos Ferreira, especialista em longevidade, pós-carreira e mercado de seguros, o avanço desse público exige uma mudança estrutural por parte das empresas. “Não se trata apenas de adaptar produtos, mas de repensar toda a experiência do consumidor, desde o atendimento até a linguagem utilizada”, avalia.

A tendência, segundo analistas, é que empresas que não incorporarem essa nova lógica fiquem para trás. Com mais tempo, renda estável em muitos casos e foco em qualidade de vida, o público 60+ deve continuar ampliando sua influência sobre o consumo no Brasil, consolidando-se como um dos principais motores da economia nos próximos anos.

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