A maior percepção dos riscos financeiros por parte das famílias, associada ao aumento do patrimônio e a um ambiente econômico mais favorável, tem impulsionado o crescimento do mercado de seguros na Paraíba. Dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) mostram que o setor movimentou R$ 903,8 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 15,9% em relação ao mesmo período do ano passado.
O resultado coloca o estado na segunda posição entre os maiores crescimentos do mercado segurador no Nordeste. Segundo especialistas do setor, a busca por proteção financeira ganhou força nos últimos anos, especialmente após a pandemia, quando temas como perda de renda, doenças graves, invalidez e proteção patrimonial passaram a fazer parte das preocupações de um número maior de famílias.
Para Gabriela Nóbrega, analista de Desenvolvimento de Negócios da Central Sicredi Nordeste, o avanço reflete uma mudança de comportamento dos consumidores e o amadurecimento do mercado local.

“As pessoas estão mais atentas à necessidade de proteção financeira. O seguro passou a ser encarado como uma ferramenta de planejamento e segurança para diferentes momentos da vida. Esse movimento acompanha o crescimento econômico do estado e a ampliação do acesso aos produtos de proteção”, afirma.
Entre os segmentos que mais contribuíram para o resultado do mercado segurador paraibano estão os seguros de vida e residencial. De acordo com a CNseg, o seguro de vida arrecadou R$ 55,82 milhões no primeiro trimestre deste ano, alta de 21,3% em comparação com o mesmo período de 2025. Com esse desempenho, a Paraíba registrou o segundo maior crescimento do Nordeste nessa modalidade.
Já o seguro residencial alcançou R$ 13,36 milhões em arrecadação, avanço de 27,4% na comparação anual, o maior crescimento entre os estados nordestinos. Para Gabriela Nóbrega, os dois segmentos refletem transformações importantes no perfil dos consumidores.
“Houve um movimento relevante na sociedade, com o seguro de vida passando a ser procurado não apenas para situações extremas, mas também pelas coberturas que oferecem suporte financeiro em diferentes circunstâncias. No residencial, observamos uma busca crescente por proteção diante de eventos climáticos e de ocorrências domésticas que podem gerar custos significativos para as famílias”, destaca a especialista.

Cooperativismo de crédito impulsiona setor
Os números internos do Sicredi acompanham esse movimento de crescimento. Em julho deste ano, a carteira de seguro de vida individual da instituição na Paraíba alcançou R$ 5,81 milhões, resultado que representa uma alta de 59% em relação a julho de 2025. No seguro residencial, a carteira cresceu 8% na mesma base de comparação.
A concorrência no setor tem ampliado as vantagens oferecidas à população. Segundo Gabriela Nóbrega, a contratação de seguros tem se tornado mais acessível para diferentes perfis de associados. “Existem opções de seguro de vida a partir de R$ 10 por mês, o que amplia o acesso à proteção financeira para um número maior de pessoas. Além das coberturas tradicionais, os produtos também oferecem benefícios adicionais e a participação em sorteios mensais”, afirma.
Apesar do crescimento observado nos últimos anos, o seguro residencial ainda possui baixa penetração no país. Estimativas utilizadas pela CNseg, com base em dados do IBGE e da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), indicam que apenas 17% das residências brasileiras contam com esse tipo de cobertura. O cenário é visto pelo setor como uma oportunidade para ampliar a cultura de proteção financeira entre a população.
Nesse contexto, o Sicredi tem buscado ampliar sua atuação no segmento residencial por meio da parceria com a Yelum Seguros. O produto oferece cobertura para painéis solares, proteção contra alagamentos, indenização sem depreciação, renovação automática e serviços como eletricista, encanador e chaveiro.
“Existe um espaço muito significativo para ampliação no estado, especialmente entre famílias das classes C e D, que muitas vezes acreditam que o seguro não é acessível.À medida que mais pessoas conhecem essas possibilidades, a tendência é de ampliação da proteção patrimonial e financeira em toda a Paraíba”, afirma Gabriela Nóbrega.
