Logística no Brasil gasta R$ 2,2 tri em 2026
22 de outubro de 2026
Redação

Os gastos com logística no Brasil devem alcançar R$ 2,2 trilhões em 2026, o equivalente a 16,1% do PIB. O dado é do estudo anual de custos logísticos do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS), com mais de 30 anos de atuação no Brasil, que acompanha a série desde 2004, e mostra que o custo de mover, armazenar e financiar estoques no Brasil se estabilizou em um patamar significativamente superior ao da última década, informa o sócio-diretor do ILOS e responsável pelo estudo, Maurício Lima.
 

A evolução do custo de estoque

Enquanto o transporte vem oscilando em torno dos 9% do PIB desde 2020, o estoque foi o componente que mais variou nesse período. De 2,9% do PIB em 2020, saltou para 5,0% em 2022 e nunca mais voltou ao nível anterior, chegando a 5,6% em 2023 e 2025.

Mauricio Lima explica que o movimento acompanha de perto o ciclo de juros: com a Selic em patamar elevado, o capital imobilizado em mercadoria deixou de ser um custo secundário e passou a pesar de forma estrutural no resultado das empresas. Não é apenas o volume de estoque que explica a alta, mas também o custo de carregá-lo.


A conta dentro das empresas

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Paralelamente ao acompanhamento macroeconômico, o ILOS realizou no primeiro semestre de 2026 pesquisa inédita com mais de 100 das maiores empresas industriais e varejistas do Brasil em faturamento, para medir como esse custo se manifesta na operação das companhias.

Vista a partir da operação das companhias, e não da economia como um todo, a logística consome, em média, 9,5% da receita líquida das empresas brasileiras, com forte dispersão entre setores: material de construção aparece no topo, com 19,8%, enquanto tecnologia e telecomunicações registra o menor peso, com 3,0%.


Pressão adicional em 2027

O quadro tende a se agravar no ano que vem. No Brasil, 69% das empresas acreditam que o custo de transportes aumentará em 2027, com aumento médio esperado de 9,6%. Já em armazenagem, 44% das empresas esperam aumento de custos, com alta média de 5,7%. Por fim, 31% das empresas acreditam em aumento nos custos de estoque, com alta média de 7,0%.

 “O Brasil não está diante de um pico de custo logístico, mas de um novo patamar. O salto de 2022 se consolidou e, três anos depois, seguimos operando acima de 16% do PIB. O que preocupa é que as empresas não enxergam alívio: elas próprias projetam uma alta de quase 10% no custo de transporte em 2027, acima da inflação esperada. Isso pressiona margem, preço ao consumidor e competitividade do país ao mesmo tempo”, afirma Mauricio Lima, sócio-diretor do ILOS.

Os números de custo logístico em relação ao PIB resultam do acompanhamento anual conduzido pelo ILOS, com série histórica iniciada em 2004 e frequência anual desde 2014. Os dados referentes a 2026 são projeções do instituto. Os dados de participação dos custos logísticos na receita líquida e expectativa de variação de custos em 2027 são resultado de pesquisa realizada no 1º semestre de 2026 com mais de 100 das maiores empresas industriais e varejistas do Brasil em faturamento.

Sobre o ILOS

O ILOS é uma consultoria especializada em logística e supply chain, com atuação em projetos estratégicos, estudos setoriais, inteligência de mercado e desenvolvimento de soluções para empresas líderes no Brasil. O ILOS acompanha de forma contínua as transformações que impactam a competitividade das cadeias de suprimentos no país.

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