Brasil e Estados Unidos mantiveram as expectativas do mercado em mais uma Super Quarta. O Banco Central brasileiro elevou a Selic em 0,5 ponto percentual, atingindo 14,75% ao ano. Já o Federal Reserve optou por manter sua taxa entre 4,25% e 4,50%, reforçando uma postura cautelosa diante de uma possível desaceleração econômica.
A manutenção da taxa pela terceira vez seguida do Fed refletiu a postura cautelosa do banco central diante da crescente incerteza fiscal e comercial de Donald Trump. A política econômica do atual presidente, marcada por medidas tarifárias e posicionamentos imprevisíveis, já foi citada pelo banco central norte-americano como um desafio adicional na condução da política monetária e no equilíbrio entre inflação e geração de empregos.
No Brasil, a elevação da Selic indica uma resposta à inflação persistente, mas também intensifica as incertezas quanto à duração do atual ciclo de aperto monetário. “A grande expectativa agora está nas atas das reuniões, que podem indicar se a taxa vai parar em 15% ou seguir subindo. O mais preocupante é por quanto tempo os juros permanecerão nesse nível elevado”, analisa Paulo Cunha, CEO da iHUB Investimentos.

Impactos nos investimentos e na economia
Do ponto de vista do investidor, a elevação da Selic impulsiona os ativos de renda fixa atrelados ao CDI, como títulos pós-fixados. “Sempre que os juros sobem, esses papéis passam a oferecer retornos mais atrativos quase imediatamente, atraindo o investidor que busca segurança com rentabilidade”, afirma Cunha.
No entanto, o efeito colateral sobre a economia real é cada vez mais evidente. “O varejo já apresenta sinais de desaceleração, a construção civil enfrenta um ambiente de crédito mais caro, e os investimentos produtivos estão sendo postergados. Uma nova alta da Selic pode agravar esse cenário”, aponta o CEO da iHUB.
O mercado agora se divide entre a expectativa de estabilidade e o receio de novos aumentos. “O grande dilema é saber se o BC vai, de fato, levar a Selic a 15% e, principalmente, por quanto tempo ela vai permanecer nesse nível. Essa resposta será determinante para o comportamento dos ativos de renda fixa e variável nos próximos meses”, conclui Cunha.
Sobre iHUB Investimentos
A iHUB Investimentos é uma empresa especializada em assessoria de investimentos credenciada pela XP Investimentos. Possui mais de 5,5 mil clientes, somando mais de R$1,8 bilhão em valores investidos sob custódia.