Julho é omês mais honesto do mercado
18 de julho de 2026
Redação

“Janeiro tem um volume natural maior de candidaturas, parte por causa da virada de ano, parte porque é quando as empresas costumam reabrir o orçamento de contratação. Julho é diferente: quem está buscando emprego agora, no meio do ano e fora desse pico sazonal, geralmente já passou por um processo de reflexão maior e tem mais clareza do que quer”, observa Patricia Suzuki, Diretora de RH da Redarbor Brasil, detentora do Infojobs.
 

A leitura de Patricia ganha respaldo no retrato mais recente do mercado de trabalho brasileiro. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do IBGE, o número de pessoas buscando emprego há dois anos ou mais caiu 21,7% no primeiro trimestre de 2026 frente ao mesmo período de 2025, somando 1,089 milhão de pessoas, o menor contingente já registrado desde o início da série, em 2012. O grupo que busca uma vaga de um mês a menos de um ano também encolheu, somando 3,38 milhões de pessoas, queda de 9,9% na mesma comparação.

Com o mercado historicamente mais aquecido e menos gente em busca prolongada, sobra um grupo menor, mas potencialmente mais qualificado, de candidatos ativos em meses como julho. Para Patricia, esse recorte tende a se refletir mais na qualidade das candidaturas do que no volume delas. “Quando o candidato aplica fora do pico, é mais comum que ele já tenha filtrado mentalmente o que faz sentido para a carreira dele. Isso aparece em detalhes, como uma carta de apresentação mais direcionada ou um currículo ajustado especificamente para aquela vaga, em vez de um envio em massa”, explica.
 

Esse padrão sazonal tem implicações práticas dos dois lados do processo seletivo. Recrutadores que avaliam candidaturas recebidas fora dos períodos de maior movimento podem se beneficiar de um filtro natural a favor.

“Vale o RH considerar que um volume menor de candidatos em julho não significa menor qualidade, pelo contrário. Pode ser uma boa oportunidade para encontrar profissionais mais alinhados com a vaga, sem a pressão de um alto volume de currículos para avaliar”, pondera Patricia.
 

Já para quem está em busca de uma nova oportunidade, a recomendação vai na direção oposta à lógica de volume. Em vez de aplicar para o máximo de vagas possível, a executiva sugere escolher um número menor de oportunidades realmente alinhadas e dedicar mais cuidado a cada candidatura, estratégia que tende a aumentar as chances de retorno justamente porque reduz a concorrência direta dentro do próprio recorte de quem está buscando emprego no mês.
 

Patricia reforça que entender a sazonalidade do mercado de trabalho ajuda tanto candidatos quanto empresas a calibrarem expectativas ao longo do ano, sem confundir queda natural de volume em determinados meses com enfraquecimento do mercado como um todo.

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