IR acende alerta para empresas em crise
18 de março de 2026
Redação

O prazo para entrega da declaração do Imposto de Renda deve começar em 23 de março e seguir até o fim de maio, em um ano marcado por ajustes nas regras, maior cruzamento de dados e impactos da reforma tributária em andamento. Especialistas alertam que erros no preenchimento podem levar contribuintes à malha fiscal, comprometer a restituição e agravar a situação de empresas que já enfrentam dificuldades financeiras.

Marcos Pelozato, advogado, contador e especialista em reestruturação empresarial, afirma que o momento exige atenção redobrada diante do aumento da pressão fiscal sobre empresas fragilizadas. Mais de 7,3 milhões de negócios estão inadimplentes e acumulam cerca de R$ 170 bilhões em dívidas, segundo o Serasa Experian e o governo federal. No mesmo período, os pedidos de falência cresceram 18,9% no primeiro semestre de 2025. “Um erro na declaração pode gerar autuações, travar a restituição e dificultar qualquer tentativa de reorganização”, diz.

Levantamentos do IBGE indicam que a maior parte das empresas brasileiras opera com margens reduzidas, frequentemente abaixo de 10%, o que limita a capacidade de absorver erros ou custos adicionais.

Na prática, inconsistências como divergências entre movimentação financeira e declaração, ausência de comprovação de rendimentos ou erros na classificação de receitas são rapidamente identificadas pelos sistemas da Receita Federal, que ampliaram o cruzamento de dados nos últimos anos. “Hoje existe um nível de monitoramento muito elevado. Qualquer inconsistência pode levar o contribuinte à malha fiscal. Para empresas em dificuldade, isso significa mais pressão, menos acesso a crédito e dificuldade para negociar dívidas”, explica.

Além do impacto imediato, falhas fiscais comprometem a credibilidade da empresa diante de bancos, investidores e credores, reduzindo sua capacidade de reação em momentos críticos. A orientação passa por antecipação e organização, com foco em reduzir riscos e preservar a operação.

O especialista aponta cinco medidas para empresas evitarem erros fiscais e organizarem a operação

Para evitar que erros fiscais agravem a crise e comprometam a recuperação do negócio, especialistas recomendam medidas práticas que devem ser implementadas de forma imediata e contínua:

  • Separar finanças pessoais e empresariais
    A mistura entre CPF e CNPJ gera distorções contábeis e aumenta o risco de inconsistências na declaração.
  • Revisar o regime tributário
    Empresas podem estar enquadradas de forma inadequada, pagando mais impostos ou declarando incorretamente.
  • Organizar documentos e comprovações
    Toda movimentação financeira deve ter origem comprovada, especialmente lucros, pró-labore e aportes.
  • Mapear dívidas e obrigações fiscais
    Ter clareza do passivo permite estruturar negociações mais eficientes e evitar surpresas no caixa.
  • Buscar apoio especializado
    “Não é apenas cumprir obrigações, mas estruturar a empresa para sobreviver e retomar o controle financeiro”, afirma.

A adoção dessas medidas pode trazer benefícios relevantes, como maior previsibilidade financeira, melhora na relação com credores e aumento das chances de acesso a crédito.

Por outro lado, negligenciar esses cuidados amplia riscos. A desorganização fiscal, aliada à pressão de caixa, pode acelerar o agravamento da crise e reduzir drasticamente as alternativas disponíveis. “A desorganização pode até aliviar no curto prazo, mas compromete o futuro da empresa. Em muitos casos, é o que define se o negócio vai conseguir se recuperar ou não”, alerta.

Com maior fiscalização e mudanças regulatórias em curso, a gestão tributária passa a ser um dos principais fatores para a sobrevivência das empresas. “A empresa que se organiza ganha tempo e alternativas. A que ignora esses sinais acaba ficando sem saída”, conclui.

Sobre Marcos Pelozato

Marcos Pelozato é advogado, contador e empresário com 14 anos de atuação no setor de reestruturação empresarial e recuperação judicial. Reconhecido como referência no segmento, presta assessoria estratégica a empresas em crise financeira, com foco em reorganização societária, gestão de passivos e recuperação de negócios. À frente de um escritório especializado, Marcos também atua como conselheiro para advogados e contadores interessados em ingressar na área de reestruturação, com o objetivo de ampliar o número de profissionais capacitados a atuar diante da crescente demanda por soluções eficazes em gestão de crise

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