O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) acaba de dar um passo decisivo para fortalecer a educação patrimonial na Paraíba. Em parceria com a Fundação Casa de José Américo (FCJA) e a Secretaria de Estado da Educação da Paraíba (SEE-PB), o instituto participa da criação do Centro de Formação em Educação Patrimonial — o Cefep —, iniciativa que promete se tornar referência na interface entre cultura, educação e cidadania.

Os gestores das três instituições — Fernando Moura, da FCJA; Jivago Barbosa, superintendente do Iphan na Paraíba; e Erivonaldo Alves da Silva, da SEE-PB — assinaram, nesta segunda-feira (25/5), a Minuta do Plano de Trabalho e o Acordo de Cooperação Técnica que darão vida jurídica ao centro.
“A cooperação fortalece a articulação das políticas culturais e educacionais e estabelecerá ambiente favorável para a formação crítica”, diz Jivago Barbosa.
Para o Iphan, a iniciativa representa a concretização de um dos pilares de sua atuação: a aproximação entre a preservação do patrimônio e a formação da sociedade. O centro nasce com a missão de promover ações de capacitação, pesquisa e produção de conhecimento no campo do patrimônio cultural, respondendo à necessidade de qualificação crítica no contexto paraibano. O território em questão é rico e diverso — são 39 comunidades quilombolas, mais de 30 mil indígenas, uma tradição viva de literatura de cordel, festas populares e um vasto patrimônio religioso espalhado por cidades como João Pessoa, Campina Grande, Areia e Alagoa Grande.
O Cefep terá sede na Fundação Casa de José Américo, em João Pessoa, aproveitando a infraestrutura já disponível: auditórios, museu, biblioteca e a Unidade Tambaú. As atividades oferecidas não serão de graduação ou pós-graduação, mas sim cursos de curta duração, oficinas, laboratórios formativos, seminários e atividades de extensão — em formato híbrido, para alcançar o maior número possível de pessoas. Um Laboratório de Projetos está previsto para a produção de documentários, podcasts, inventários culturais e plataformas digitais.
Quem o Cefep vai atender
O corpo técnico do centro será multidisciplinar, reunindo historiadores, antropólogos, arqueólogos, arquitetos, museólogos e mestres da cultura popular. Essa composição reflete a abrangência do conceito de patrimônio cultural adotado pelo Iphan — que vai além dos monumentos edificados e alcança as práticas, saberes e expressões das comunidades.
Entre os objetivos estratégicos do Cefep estão o fortalecimento da preservação do patrimônio local, o estímulo a metodologias inovadoras de ensino, a produção de materiais científicos e o incentivo à economia criativa e ao desenvolvimento local — metas que dialogam diretamente com a agenda do Iphan para o território nordestino.