Posicionar um negócio ‘PME’ no Brasil, sem cair nas armadilhas que comprometem o crescimento das organizações, exige estratégia, visão de mercado e capacidade de adaptação por parte do empreendedor. Somadas às microempresas no cenário internacional, as pequenas e médias empresas representam 90% dos negócios globais, segundo dados do Instituto McKinsey.
Apesar do protagonismo, a escalada no setor ainda enfrenta desafios importantes, principalmente em relação ao acesso limitado à capital. Embora a movimentação financeira das pequenas e médias empresas no Brasil tenha registrado crescimento de 4% na comparação entre o primeiro trimestre de 2025 e 2026, conforme o “Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs)”, captar esses recursos continua sendo um dos maiores obstáculos para o mercado empreendedor.
Nesse cenário, a chance de “virada de chave” profissional depende de fatores como modelo de negócio, diferenciação competitiva, potencial de escala e construção de marca. Foi justamente essa combinação que a empresária Cáren Cruz demonstrou ao entrar no tanque da 9ª edição do Shark Tank Brasil e conquistar um investimento de meio milhão de reais das sócias-investidoras Monique Evelle, Carol Paiffer e Cláudia Rosa.
A experiência no programa realçou uma percepção importante para Cáren. “No mercado de consultoria de imagem e comunicação, a criatividade sozinha já não garante competitividade. Com milhares de PMEs disputando atenção, investidores passaram a observar critérios mais estratégicos antes de apostar em negócios considerados escaláveis”, explica a especialista.
Esse movimento acompanha uma transformação mais ampla no empreendedorismo brasileiro. Embora as PMEs sejam uma das principais engrenagens da economia nacional, com mais de 22 milhões de negócios ativos, segundo dados da Visa, muitas ainda enfrentam dificuldades para transformar serviços em empresas verdadeiramente sustentáveis, capazes de crescer sem depender exclusivamente da operação do fundador.
Mas o que torna uma PME atrativa para investidores?
Segundo Cáren Cruz, CEO da Pittaco Consultoria, a virada de chave do setor está na capacidade de demonstrar viabilidade comercial a partir de três pilares centrais: imagem, comunicação e mentalidade. Ao apresentar uma solução estruturada, com diferenciação competitiva e foco em posicionamento estratégico, Cáren demonstrou que empresas do setor criativo também podem operar com potencial de escala, considerado um fator decisivo em negociações de investimento.
Além da ‘diferenciação’, outros elementos também entram no radar de investidores, como organização financeira, visão de crescimento e capacidade de adaptação. Para a especialista, muitos empreendedores ainda concentram esforços apenas na entrega operacional e acabam deixando de lado pilares fundamentais para a expansão do negócio.
Para Cáren, o primeiro passo para uma PME se tornar mais competitiva é estruturar o negócio além da operação diária. Investir em posicionamento de marca, organização financeira, definição de processos e presença digital deixou de ser diferencial e tornou-se necessidade para quem deseja crescer de forma sustentável. Além disso, desenvolver produtos ou serviços escaláveis, acompanhar indicadores de desempenho e construir autoridade no mercado são estratégias que aumentam a competitividade da empresa e o interesse de investidores e parceiros comerciais.
“Existe uma dificuldade muito grande das PMEs em enxergarem seus serviços como ativos escaláveis. O empreendedor precisa estruturar processos, fortalecer o branding, organizar indicadores e desenvolver soluções capazes de crescer além da operação diária. Sem isso, o negócio fica limitado ao esforço individual do fundador”, conclui.