O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) encaminhou ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) um novo pedido de autorização para realização de concurso público com 10 mil vagas. A solicitação substitui um pedido anterior, de 8.500 vagas, cuja validade expirou em maio deste ano. Paralelamente, o programa Acelera INSS, lançado pela nova presidência do órgão, prevê a necessidade urgente de contratação de aproximadamente 2 mil servidores para reforçar o atendimento à população.
O cenário já movimenta candidatos em todo o país e reacende o interesse por uma das carreiras mais procuradas do serviço público federal. Para Tiago Zanolla, especialista em educação, professor com mais de 15 anos de atuação na preparação para concursos públicos e fundador da UFEM Educacional, a expectativa de um novo certame exige preparação antecipada e uma mudança na forma de estudar.
“Historicamente, os candidatos que conquistam as melhores colocações não começam a estudar quando o edital é publicado. Eles iniciam antes, aproveitando justamente o período em que a concorrência ainda está esperando definições oficiais”, afirma.
Segundo o educador, a inteligência artificial tem desempenhado um papel cada vez mais relevante nesse processo.
“A preparação para concursos sempre foi baseada em leitura, resolução de questões e revisão. O que mudou é que agora o candidato consegue personalizar tudo isso. A inteligência artificial permite identificar pontos fracos, criar simulados específicos e organizar revisões de forma muito mais eficiente.”
O que já se sabe sobre o próximo concurso
Embora ainda não exista autorização oficial para o novo concurso, a movimentação recente do INSS aumentou as expectativas do mercado. Além do pedido de 10 mil vagas encaminhado ao MGI, o programa Acelera INSS reforçou a necessidade de contratação de servidores para reduzir filas e ampliar a capacidade operacional do órgão.
A expectativa entre especialistas é que o cargo de Técnico do Seguro Social continue sendo o principal foco da seleção, tanto pelo volume de vagas quanto pelo interesse dos candidatos.
Atualmente, a remuneração inicial do cargo ultrapassa R$ 7.500 mensais considerando vencimentos e auxílio alimentação. A carreira também chama atenção pela possibilidade de lotação em diferentes regiões do país, perspectivas de teletrabalho em diversas unidades e previsão legal para jornada reduzida de 30 horas semanais em determinadas situações.
O que estudar desde agora
Para Zanolla, quem pretende disputar uma vaga não deve esperar o edital para começar.
“Existe um núcleo de disciplinas que aparece historicamente nos concursos do INSS e que pode ser estudado imediatamente. Quem constrói essa base agora terá uma vantagem importante quando o edital for publicado.”
Segundo ele, as sete disciplinas prioritárias são:
Entre todas elas, Direito Previdenciário merece atenção especial.
“Nas últimas provas, a disciplina representou mais de 58% do peso total da avaliação. Foram 70 questões de um total de 120. É, sem dúvida, a matéria mais importante para quem busca uma vaga de Técnico do Seguro Social.”
Como a inteligência artificial pode ajudar
O crescimento das ferramentas de IA generativa tem alterado a rotina dos concurseiros. Plataformas que antes eram utilizadas apenas para pesquisas rápidas agora são empregadas para criar questões inéditas, organizar cronogramas e produzir materiais personalizados.
Para Zanolla, a tecnologia deve ser utilizada como complemento e não como substituição ao estudo.
“O maior erro é usar a inteligência artificial apenas para gerar resumos. O candidato precisa utilizá-la para criar simulados, identificar lacunas de conhecimento e construir revisões inteligentes.”
Entre os usos mais recomendados estão:
“Quando utilizada corretamente, a inteligência artificial funciona como uma espécie de tutor complementar. Ela não substitui o professor nem o esforço individual do candidato, mas ajuda a tornar o estudo mais direcionado e eficiente”, afirma Zanolla.
O professor continua importante
Apesar do avanço tecnológico, Zanolla não acredita que a inteligência artificial substitua professores ou cursos preparatórios.
“O acesso à informação deixou de ser o principal problema. O desafio agora é saber o que estudar, como estudar e como interpretar o que está sendo aprendido. O professor passa a atuar muito mais como mentor e estrategista da preparação.”
Segundo ele, o futuro dos concursos será marcado pela combinação entre tecnologia e orientação especializada.
“Quem conseguir unir disciplina, planejamento e uso inteligente das ferramentas disponíveis terá uma vantagem competitiva importante. A aprovação continuará exigindo esforço, mas o caminho para chegar lá está mudando.”
A próxima vantagem competitiva dos concurseiros
Para Zanolla, a revolução provocada pela inteligência artificial nos concursos públicos está apenas começando. Assim como ocorreu em outros setores, a tecnologia tende a alterar hábitos, acelerar processos e criar novas formas de aprendizagem.
“O próximo diferencial competitivo não será apenas quem estuda mais horas. Será quem consegue aprender melhor, revisar de forma mais eficiente e utilizar a tecnologia para tomar decisões mais inteligentes durante a preparação.”
Enquanto o governo avalia os pedidos encaminhados pelo INSS, milhares de candidatos já iniciam a preparação para o que pode se tornar um dos concursos mais disputados dos próximos anos. E, desta vez, muitos deles terão a inteligência artificial como aliada na jornada até a aprovação.