A inadimplência das empresas brasileiras atingiu um novo recorde em junho de 2026. Levantamento da Serasa Experian aponta que mais de 9,1 milhões de CNPJs estavam negativados, crescimento de 16,67% em relação ao mesmo período de 2025.
Juntas, as empresas inadimplentes acumulavam R$ 232,9 bilhões em dívidas. O levantamento mostra ainda que cada CNPJ negativado possuía, em média, 7,3 contas em atraso, indicando que as dificuldades financeiras não estão concentradas em apenas um compromisso, mas se espalham por diferentes obrigações.
O cenário atinge principalmente os negócios de menor porte. Dos 9,1 milhões de CNPJs inadimplentes, cerca de 8,6 milhões são micro e pequenas empresas, o equivalente a aproximadamente 94% do total.
Para o diretor e contador da SF Barros Contabilidade, Gabriel Barros, o aumento da inadimplência exige atenção especial à saúde financeira das empresas, principalmente porque o acúmulo de dívidas pode afetar diretamente a capacidade de manter as atividades.
“Um CNPJ inadimplente representa um desequilíbrio financeiro que pode comprometer a liquidez, o capital de giro e o acesso da empresa ao crédito”, afirma.
Segundo o especialista, antes de buscar a renegociação, o empresário precisa fazer um diagnóstico das contas, identificar a origem das dívidas e verificar quanto do fluxo de caixa pode ser destinado ao pagamento dos débitos sem prejudicar a operação.
Gabriel Barros destaca que a prioridade deve ser estabelecer uma estratégia de pagamento e renegociação compatível com a realidade financeira do negócio.
“É fundamental identificar a origem do passivo, avaliar o impacto das dívidas sobre o fluxo de caixa e estabelecer uma ordem de prioridade para pagamentos e renegociações”, explica.
A preocupação, segundo o contador, é evitar que a tentativa de resolver o endividamento atual provoque um novo problema financeiro. Parcelamentos e acordos acima da capacidade de pagamento podem pressionar ainda mais o caixa e levar a empresa novamente à inadimplência.
“A regularização deve ser conduzida de forma planejada e compatível com a capacidade financeira do negócio, evitando que a quitação dos débitos provoque novos desequilíbrios de caixa e comprometa a continuidade das operações”, acrescenta.
Diante do recorde de empresas negativadas, especialistas recomendam reforçar o controle do fluxo de caixa, separar as despesas pessoais das empresariais, revisar custos, renegociar compromissos e evitar a contratação de novas dívidas sem uma avaliação prévia da capacidade de pagamento. Para micro e pequenas empresas, que representam a maior parcela dos inadimplentes, o planejamento financeiro pode ser decisivo para impedir que uma dificuldade temporária de caixa evolua para o encerramento das atividades.