Ilha Lilás contra violência à mulher leva 1,6 mil pessoas ao debate em 4 estados
1 de outubro de 2026
Redação

O debate sobre prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher alcançou 1.625 pessoas em 35 ações gratuitas do Ilha Lilás. Realizada pelo Ilha Tech, hub de inovação paraibano, em parceria com a TrêsBê Delas, a campanha passou por 23 organizações da Paraíba, de Minas Gerais, de Mato Grosso e de Pernambuco em pouco mais de um mês.

A programação chegou a escolas públicas e particulares, empresas privadas, sindicatos, organizações não governamentais, associações e comunidades. Escolas e empresas dividiram a maior participação entre os espaços atendidos, com 26% cada. Organizações não governamentais, associações e comunidades representaram outros 17%.

A recorrência permitiu que o tema fosse trabalhado para além de uma abordagem pontual. Em escolas, empresas e demais organizações, as ações discutiram as diferentes formas de violência contra a mulher, os sinais que costumam passar despercebidos e o papel de cada pessoa na construção de ambientes mais seguros.

Resultados do Ilha Lilás vão além do alcance

Dos 1.625 participantes alcançados, 211 responderam ao formulário de avaliação da campanha. O Net Promoter Score, indicador que mede a disposição do público para recomendar uma iniciativa, chegou a 83,9 pontos. Entre os respondentes, 87,7% atribuíram notas 9 ou 10, em uma escala de zero a dez.

Outro resultado chamou a atenção: 81% afirmaram que pretendem mudar algo no próprio comportamento após a participação nas atividades. O percentual representa a percepção imediata das pessoas que responderam à avaliação e não um acompanhamento posterior de conduta. Ainda assim, oferece um indicativo de que o conteúdo não foi recebido apenas como informação, mas também como um estímulo à reflexão.

Para Ruy Dantas, presidente do Sin Group, fundador e CEO do Ilha Tech, o alcance da campanha está relacionado à decisão de levar o debate aos espaços nos quais as relações sociais acontecem diariamente.

“O Brasil ainda tem um problema sério de violência contra a mulher, e a forma mais eficaz de enfrentá-lo é levando essa conversa para dentro dos lugares onde as pessoas realmente vivem, trabalham e estudam. O Ilha Lilás mostrou, com números e com gente, que essa conversa muda comportamento”, disse.

A estratégia permitiu abordar o tema com públicos e realidades diferentes. Além das atividades realizadas com mulheres, o Ilha Lilás incluiu o grupo reflexivo com homens não autores de violência doméstica, no Ilha Tech. Desenvolvida em parceria com a Fundação Margarida Maria Alves e o projeto Repensar 2.0, com apoio do Fundo de Direitos Difusos da Paraíba (FDD-PB), a iniciativa promove cinco encontros sobre o papel dos homens na prevenção e no enfrentamento à violência contra a mulher.

Na avaliação, um integrante do grupo destacou que a abordagem “não está culpando os homens, e sim pedindo apoio para combater as violências contra as mulheres”. O relato aponta para uma das propostas da iniciativa: ampliar a responsabilidade sobre o problema e incluir os homens na construção de respostas.

Quando a violência contra a mulher passa a ser reconhecida

As respostas dos participantes também evidenciaram como determinadas formas de violência ainda podem ser naturalizadas ou permanecer sem nome. Em um dos relatos, uma mulher destacou “a clareza das informações” e acrescentou: “Às vezes passamos por agressão psicológica e nem se atentamos”.

Outra participante citou como principal aprendizado “a reflexão sobre os 5 tipos de violência, e não apenas a agressão física, que na verdade é o extremo de tudo”. Os depoimentos mostram que parte do público chegou às atividades associando a violência sobretudo à agressão física e saiu com uma compreensão mais ampla sobre o problema.

“Cada uma dessas 1.625 pessoas saiu de uma sala com uma pergunta que não tinha feito antes, ou com coragem para nomear algo que viveu e nunca tinha dito em voz alta. Esse é o real tamanho do Ilha Lilás — ele não cabe só nos números, mas os números provam que ele aconteceu de verdade”, afirmou Thayane Belchior, CEO da TrêsBê Delas, Head de comunidade do Ilha Tech e uma das idealizadoras da campanha.

Ao circular por escolas, empresas, sindicatos e comunidades, o Ilha Lilás buscou aproximar a informação da rotina das pessoas. A proposta foi criar espaços de escuta e diálogo capazes de favorecer o reconhecimento da violência, a busca por apoio e o fortalecimento das redes de proteção.

Ilha Lilás integra o Projeto Efeito Borboleta

O Ilha Lilás é uma das quatro frentes do Projeto Efeito Borboleta, que articula iniciativas voltadas ao enfrentamento à violência contra a mulher, à autonomia econômica, ao letramento digital e à inclusão produtiva.

O projeto reúne ainda o Digitaliza MEI Mulher – Centro Histórico, programa de aceleração digital destinado a 100 microempreendedoras e realizado por meio de convênio com o Ministério Público da Paraíba; o Protege e Cresce, voltado à autonomia econômica de 100 mulheres em situação de violência e financiado pela SDH/PB; e o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos – Percurso de Inclusão Produtiva, Cultura e Direitos, direcionado a 50 mulheres em situação de vulnerabilidade.

O Efeito Borboleta conta com apoio institucional do Ministério Público da Paraíba, da SDH/PB e do Banco do Nordeste do Brasil. As ações desenvolvidas pela Ilha Lilás também se conectam à meta 5.2 do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5 — Igualdade de Gênero, da Agenda 2030 das Nações Unidas.

A meta trata da eliminação de todas as formas de violência contra mulheres e meninas nas esferas públicas e privadas. Dentro desse compromisso, o Ilha Lilás adotou a informação, o diálogo e a articulação entre organizações como instrumentos de prevenção.

Ilha Lilás prepara transição para Ilha Amarelo

Como parte do encerramento da primeira edição, as 23 organizações parceiras receberão certificados de participação e relatórios com os resultados das atividades realizadas junto aos seus públicos.

O compartilhamento dos dados permitirá que escolas, empresas, sindicatos, associações e demais instituições conheçam o alcance das ações e mantenham o tema em circulação mesmo após o encerramento do calendário de atividades.

A conclusão do ciclo marcará ainda a transição para o Ilha Amarelo, próxima iniciativa preparada pelo Ilha Tech. A nova frente do Projeto Efeito Borboleta será voltada à saúde mental de adolescentes.

Dessa forma, o encerramento do Ilha Lilás não representa a interrupção das ações, mas a passagem para um novo tema social. Depois de levar o debate sobre violência contra a mulher a quatro estados, o projeto se prepara para abrir outra conversa, desta vez direcionada à saúde mental na adolescência.

Ilha Tech conecta inovação, negócios e impacto social

Com raízes na Paraíba, o Ilha Tech é um hub de inovação que articula negócios, tecnologia e impacto social. Fundado em 2023 pelo publicitário e empresário Ruy Dantas, mantém bases em João Pessoa e Brasília e desenvolve projetos e parcerias com diferentes ecossistemas do país. Sua rede reúne startups, empresas, empreendedores, pesquisadores, instituições públicas, organizações sociais e lideranças interessadas em transformar ideias em soluções para negócios, governos e comunidades.

O ecossistema atua nas áreas de inovação, tecnologia, empreendedorismo, educação corporativa, consultoria estratégica e impacto social. Também oferece ambientes para eventos e reuniões, cursos, oficinas, mentorias, monitorias, programas de aceleração, formação de lideranças e conexões empresariais.

Sua atuação está organizada em sete correntes: Ilha Hub, Ilha Comunidade, Ilha Org, Ilha Edu, Ilha Innovation, Ilha Impacto e Ilha Partners. As frentes abrangem desde a conexão entre startups e empresas até o desenvolvimento de soluções para governos, projetos de impacto social, consultorias em inovação e marketing estratégico e alianças institucionais.

Em João Pessoa, o Ilha Tech está localizado na Rua Sandoval de Oliveira, 22, no bairro da Torre. A unidade reúne empresas residentes, startups e espaços para reuniões, eventos, produção de conteúdo e formação profissional. Em Brasília, o hub mantém uma unidade no Lago Sul, ampliando sua conexão com empresas, governos, instituições e o ecossistema nacional de inovação.

Mais informações sobre o ecossistema, os espaços, projetos, eventos, programas de formação e oportunidades de conexão estão disponíveis no site oficial do Ilha Tech: ilha tech.com.

TrêsBê Delas: igualdade de gênero, empreendedorismo e impacto social

A TrêsBê Delas integra o ecossistema do Ilha Tech e atua em parceria com o hub no desenvolvimento de projetos como o Efeito Borboleta e o Ilha Lilás. A organização de impacto social é especializada em igualdade de gênero e conecta mulheres, lideranças, organizações e espaços de poder — da base para o poder e do poder para a base.

Sua atuação vai além da aceleração de negócios femininos e está estruturada em diferentes frentes: participação das mulheres na política e nos espaços de decisão, empreendedorismo, tecnologia, cultura e enfrentamento à violência. Da capacitação ao poder público, os projetos partem do princípio de que a igualdade de gênero é uma alavanca para o desenvolvimento econômico e social do país.

Cofundada em 2019 por Thayane Belchior, a TrêsBê Delas atua há mais de sete anos e já alcançou mais de 17 mil mulheres. Desse total, mais de 600 foram diretamente aceleradas em São Paulo, Pernambuco e Paraíba.

Sua trajetória reúne programas de formação e aceleração, como o Acelera MEI Mulher e o Empreender: Verbo Feminino, além do Convergência, iniciativa que aproxima lideranças femininas, organizações e empresas em torno da política, do empreendedorismo e da tecnologia.

Ao se definir como uma “convergência em movimento”, a TrêsBê Delas articula formação, geração de renda, participação política, inclusão tecnológica, produção cultural e proteção das mulheres.

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