Geração 60+ chefia 32% dos lares brasileiros
11 de setembro de 2026
Redação

A população com 60 anos ou mais ocupa uma posição cada vez mais importante na sustentação econômica das famílias brasileiras. Essa faixa etária é responsável pela chefia de 21,6 milhões de domicílios, o equivalente a 32% dos lares do país, segundo o levantamento “Geração 60+: Moradia e Arranjos Familiares”, elaborado pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados.

O estudo foi produzido com base em informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, a PNAD Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A análise considera dados coletados entre 2015 e 2025 sobre renda, moradia, composição familiar e participação no mercado de trabalho.

A pesquisa mostra que a influência econômica da população idosa é ainda maior quando se considera a administração das despesas familiares. Em 87% dos lares onde vivem pessoas com 60 anos ou mais, elas são responsáveis diretamente pela chefia ou compartilham a gestão do orçamento doméstico.

Segundo a Nexus, os números demonstram que essa parcela da população não deve ser vista apenas como beneficiária de aposentadorias e pensões. Em milhões de famílias, a renda dos mais velhos é fundamental para pagar despesas e garantir a manutenção da casa.

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Maior renda média, mas com perda de poder de compra

A renda média mensal da população com 60 anos ou mais chegou a R$ 3.865 em 2025, o maior valor entre as faixas etárias analisadas. O resultado, no entanto, não representa uma melhora financeira ao longo da última década.

Entre 2016 e 2025, o rendimento médio desse grupo caiu 4% em termos reais, ou seja, descontada a inflação. No mesmo período, a renda média da população brasileira apresentou crescimento real de 13%.

Os dados revelam que, apesar de possuir o maior rendimento médio do país, a Geração 60+ perdeu poder de compra. Ao mesmo tempo, passou a assumir uma parcela significativa das despesas de famílias compostas por pessoas de diferentes idades.

A maioria dos idosos responsáveis pelos domicílios não vive sozinha. De acordo com o estudo, 68% dos chefes de família com 60 anos ou mais dividem a casa com pelo menos outra pessoa. Apenas 32% moram sozinhos.

Esses arranjos incluem filhos, netos e outros parentes que, em muitos casos, dependem dos rendimentos dos mais velhos para compor o orçamento familiar. A Nexus classifica essa situação como uma “sobrecarga geracional”, porque aposentadorias, pensões e rendimentos do trabalho acabam sendo utilizados para sustentar várias pessoas da mesma família.

Número de idosos que moram sozinhos cresce 75%

Embora a maioria ainda compartilhe a residência, o número de brasileiros com 60 anos ou mais vivendo sozinhos cresceu de forma expressiva. Entre 2015 e 2025, esse contingente aumentou 75%, com a criação de 2,76 milhões de novos domicílios unipessoais.

A partir dos dados apresentados no levantamento, o país passou a ter aproximadamente 6,45 milhões de pessoas dessa faixa etária morando sozinhas.

As mulheres lideram esse movimento. Cerca de 4 milhões de brasileiras com 60 anos ou mais vivem sozinhas, representando 62% do total. A predominância feminina aparece em 23 das 27 unidades da Federação.

No Sul, as mulheres correspondem a 67% das pessoas idosas que vivem sozinhas. A única região onde existe equilíbrio é o Norte, com participação de 50% para homens e 50% para mulheres.

Sudeste e Nordeste concentram 72,6% dos brasileiros com 60 anos ou mais que moram sozinhos. Juntas, as duas regiões reúnem aproximadamente 4,7 milhões de pessoas nessa condição.

São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, isoladamente, concentram 2,89 milhões de moradores com 60 anos ou mais vivendo sozinhos. O número representa 45% do total nacional.

Mais de 8 milhões continuam trabalhando

O levantamento também chama a atenção para a presença da população idosa no mercado de trabalho. Em 2025, o Brasil tinha 8,5 milhões de pessoas com 60 anos ou mais ocupadas, o equivalente a 24,4% da população dessa faixa etária.

Isso significa que praticamente uma em cada quatro pessoas com 60 anos ou mais continuava trabalhando.

Mais da metade dos trabalhadores desse grupo atuava como empreendedora. Eram 4,3 milhões de pessoas, correspondentes a 50,6% da população 60+ ocupada. O estudo reúne nessa categoria trabalhadores por conta própria e empregadores.

O principal problema está na falta de formalização. Entre os empreendedores com 60 anos ou mais, 72% trabalhavam sem CNPJ. Ao todo, 3,1 milhões de pessoas exerciam atividades econômicas sem registro empresarial.

A informalidade pode deixar esses trabalhadores mais vulneráveis, com dificuldades para conseguir crédito, emitir notas fiscais, ampliar o negócio e acessar direitos relacionados à atividade formal.

Para o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, os dados confirmam que a população com 60 anos ou mais está no centro da sustentabilidade econômica de milhões de famílias. O levantamento, porém, também revela desafios relacionados à pressão financeira sobre os mais velhos, à perda real de renda e à informalidade no mercado de trabalho.

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