Gameficação avança nas escolas
10 de março de 2026
Redação

Uma pesquisa da Fundação Lemann, em parceria com a Educa Insights, mostra que 87% dos professores brasileiros acreditam que o uso da tecnologia, incluindo jogos digitais, melhora consideravelmente o engajamento dos alunos. Desse grupo, 68% relatam melhora no desempenho acadêmico após a introdução de recursos gamificados nas aulas.
 

Deixando de ser associada a jogos e atividades pontuais, a gamificação está se consolidando como uma estratégia estruturada de retenção e engajamento nas escolas brasileiras. Diante da busca por metodologias mais ativas, instituições de ensino têm adotado mecanismos inspirados em games, como missões, níveis de progressão, metas claras e recompensas simbólicas, para fortalecer o vínculo do estudante com o processo de aprendizagem, buscando também reduzir índices de desmotivação e evasão.
 

É o que explica Marcelo Brenner, sócio-fundador da Gamefik, empresa especializada em gamificação para salas de aula. Para ele, o principal desafio ainda é cultural: “Gamificação não é transformar a aula em um jogo. É aplicar inteligência estratégica ao desenho da jornada de aprendizagem. Quando estruturada corretamente, ela gera engajamento sustentável e fortalece a permanência do aluno na instituição”.
 

De acordo com o especialista, a retenção escolar está diretamente ligada à experiência vivida pelo estudante, uma vez que ele permanece onde se sente desafiado na medida certa, reconhecido por suas conquistas e capaz de visualizar sua evolução. A gamificação organiza essa trajetória de forma clara e mensurável.
 

“A metodologia também dialoga com o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, cada vez mais demandadas dentro e fora da escola. Ao propor desafios progressivos, incentivar colaboração e estimular a resolução de problemas, a estratégia contribui para o fortalecimento de competências como autonomia, resiliência e responsabilidade. A lógica de níveis e missões cria um ambiente seguro para o erro e para a tentativa. Isso muda a relação do estudante com o aprendizado”, complementa Marcelo.
 

Contudo, além do impacto pedagógico, há reflexos na gestão escolar. O sócio-fundador da Gamefik acredita que ao organizar dados, acompanhar evolução e agir preventivamente diante de sinais de desengajamento, a instituição de ensino pode acompanhar de perto o desempenho dos alunos de forma mais personalizada e, com isso, estabelecer estratégias com resultados reais para o negócio e para a competitividade perante o mercado. 
 

“As escolas que entendem a gamificação como estratégia deixam de usá-la como recurso pontual e passam a adotá-la como lógica organizadora da experiência educacional. O resultado é uma comunidade mais engajada e um processo de aprendizagem mais significativo”, conclui Marcelo Brenner.

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