Faturamento das PMEs cresce 1T2026
6 de maio de 2026
Redação

O Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs) mostra que a movimentação financeira real média das pequenas e médias empresas brasileiras registrou crescimento de 4,5% no primeiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Com isso, o índice apresenta o terceiro avanço trimestral, consecutivo, superando o fraco desempenho do mercado no primeiro semestre do ano anterior.

O IODE-PMEs funciona como um termômetro da atividade econômica das empresas com faturamento anual de até R$ 50 milhões, acompanhando cerca de 750 atividades econômicas distribuídas entre os setores de Comércio, Indústria, Infraestrutura e Serviços.

A relativa melhora do desempenho das PMEs em determinados segmentos tem como base alguns pilares importantes do cenário macroeconômico. Do ponto de vista dos custos, observou-se um alívio significativo para os empreendedores no período recente, especialmente nos três primeiros meses de 2026, quando comparado ao mesmo período do ano anterior. Tendo como base o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), calculado pela FGV, observamos uma trajetória relevante de arrefecimento das pressões inflacionárias: o acumulado em 12 meses passou de 8,58% ao final do primeiro trimestre de 2025 para os atuais -1,83% no encerramento dos três primeiros meses do ano. 

Apesar da tendência geral observada no índice ao longo do último ano, é importante destacar que a alta nos preços dos combustíveis em março, decorrente da guerra no Irã, impõe um novo desafio às PMEs, sobretudo pela pressão de custos no curto prazo em diversas cadeias produtivas.

Sob a ótica da demanda, a resiliência do mercado de trabalho — com o desemprego ainda em níveis historicamente baixos (5,8% no trimestre encerrado em fev/26) e rendimentos reais significativamente acima dos observados no período pré-pandemia (+13% em mar/26 em relação à média de 2019), além de trajetória recente de crescimento — contribui para sustentar o consumo das famílias.

Por outro lado, a confiança dos consumidores, teve menor contribuição para o desempenho positivo das PMEs no período recente. Segundo a Sondagem do Consumidor da FGV IBRE, o índice de confiança apresentou, no entre janeiro e março de 2026, um recuo médio de 1,1% ao mês na série dessazonalizada. Apesar do avanço da renda, a queda da confiança de consumidores prejudica as decisões de consumo e investimentos.

As condições restritivas de crédito continuam a frear PMEs mais sensíveis aos juros, mantendo a pressão sobre o mercado no médio prazo. Na reunião mais recente do Copom (Comitê de Política Monetária) em março/26, o colegiado reduziu a meta da Selic em 0,25 p.p. para 14,75% a.a., iniciando o ciclo de corte de juros, após o período de 9 meses com a taxa em seu nível mais alto das últimas duas décadas. O colegiado adotou um tom cauteloso devido às incertezas geopolíticas no Oriente Médio, abrindo a possibilidade para uma redução mais contida da taxa. Assim, apesar do início dos cortes, pode-se dizer que os juros no país seguem em níveis altos e com risco de observarmos uma trajetória de queda apenas amena no curto prazo.

A manutenção de taxas de juros elevadas na economia brasileira por um período prolongado já produz efeitos colaterais claros no ambiente de negócios, refletidos tanto na desaceleração da atividade quanto no forte aumento dos índices de inadimplência entre pessoas físicas e jurídicas no período recente. Esse contexto afeta as PMEs por dois canais: na demanda, ao reduzir o consumo e o acesso ao crédito; e nos custos, ao encarecer o capital de giro e elevar a inadimplência, pressionando margens.

Do ponto de vista setorial, os resultados recentes do IODE-PMEs voltam a evidenciar diferenças significativas de desempenho entre os segmentos, diferente do que havia sido observado no segundo semestre de 2025. O setor industrial apresentou o avanço mais expressivo no primeiro trimestre, com as PMEs registrando uma expansão de 9,7% no faturamento médio real em relação ao mesmo período do ano anterior, sustentando a posição de principal componente positiva do índice. 

O bom desempenho recente das PMEs industriais foi disseminado entre os diferentes segmentos da indústria de transformação: dos 23 subsetores acompanhados, 19 apresentaram resultados positivos no trimestre, com destaque para Fabricação de máquinas e equipamentos, Fabricação de papel e produtos de papel, Fabricação de produtos de madeira e Metalurgia. 

As PMEs do setor de serviços, por sua vez, tiveram desempenho estável no primeiro trimestre, interrompendo o avanço verificado no segundo semestre de 2025, em que registrou crescimento médio de 4,4%. Diferentemente do setor industrial, o IODE-Serviços apresentou, nos últimos meses, um desempenho mais concentrado em atividades específicas, com destaque para Atividades profissionais, científicas e técnicas (notadamente Serviços de arquitetura e engenharia), Saúde humana e serviços sociais e Transportes.

Ainda assim, é importante destacar a manutenção de um desempenho mais fraco em segmentos relevantes para o universo das PMEs, com ênfase em Alimentação e Educação, que seguem enfrentando maior dificuldade de recuperação no início de 2026.

No setor de Comércio, o índice aponta que o faturamento médio real das PMEs encerrou o primeiro trimestre de 2026 com leve retração de -0,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, configurando o quinto recuo consecutivo do setor na ótica trimestral. Na análise desagregada dos principais segmentos, observam-se resultados mistos: enquanto o atacado se manteve no campo positivo e o varejo estável, o comércio de veículos experimentou forte recuo.

Entre os setores com desempenho negativo, as PMEs de Infraestrutura mantiveram a tendência de retração no período recente, registrando queda de 1,0% no primeiro trimestre, após avanço de 1,2% no quarto trimestre de 2025. Como já apontado nas divulgações anteriores do índice, o resultado negativo ao longo do ano reflete a desaceleração da cadeia da construção civil, especialmente diante do contexto de juros elevados no país — fator que desestimula investimentos —, impactando atividades como Serviços especializados para a construção e Construção de edifícios. Ainda assim, a performance positiva do segmento de Descontaminação e gestão de resíduos contribuiu para evitar uma retração ainda mais acentuada do setor como um todo no período.

Por fim, o IODE-PMEs também permite uma análise regional do desempenho das pequenas e médias empresas brasileiras. No primeiro trimestre de 2026, o índice revela que o mercado de PMEs permaneceu em território positivo na região Sudeste (+3,8% YoY). O resultado é expressivo não apenas por se tratar da região que concentra a maior parte das empresas ativas do país, mas também por reforçar a tendência de recuperação do mercado observada desde o 3T2025.

Os dados regionalizados mais recentes do IODE-PMEs também indicam a manutenção do crescimento em boa parte do país: no Sul (+7,7% YoY), Nordeste (+7,3%) e Centro-Oeste (+9,5% YoY). Por outro lado, observou-se, em média, uma leve retração na região Norte (-0,6% YoY).

Projeção de crescimento do IODE-PMEs em 2026 é revisada para 2,2% após piora na inflação e Selic

Os resultados mais fracos observados no mercado de PMEs no início de 2026, somados à deterioração das perspectivas de curto prazo para a inflação e para a Taxa Selic, levaram a uma revisão baixista da projeção do IODE-PMEs para o ano. A estimativa passou de +2,9% para +2,2% frente a 2025 — ano em que o índice registrou crescimento discreto de 1,2%. Ainda assim, mesmo diante dessa revisão e de novos desafios no ambiente de negócios, o cenário de crescimento moderado das PMEs em 2026 permanece.

Apesar de um contexto econômico desafiador, marcado pela manutenção de juros em patamares historicamente elevados e por novos choques externos, os principais agentes de mercado não projetam interrupção da atividade econômica doméstica. De acordo com a mediana das expectativas do Boletim Focus do Banco Central, o PIB deve crescer 1,9% em 2026, indicando desaceleração em relação aos anos anteriores.

Em meio ao elevado grau de incerteza, a resiliência da renda das famílias e do mercado de trabalho deve sustentar o consumo no curto prazo — um dos principais motores para as PMEs. Se, por um lado, a inadimplência elevada e a confiança volátil pressionam o consumo, por outro, o baixo nível de desemprego e a continuidade da expansão dos rendimentos reais favorecem a renda disponível. No primeiro bimestre de 2026, os rendimentos reais do trabalho ficaram 5,3% acima do mesmo período de 2025. Nesse contexto, o reajuste real do salário mínimo contribui para esse movimento, ainda que amplie os desafios fiscais.

Pelo lado do crédito, o cenário segue adverso para o empresário. A expectativa é de manutenção de juros elevados ao longo do ano. A intensificação das tensões no Oriente Médio, com a guerra no Irã, elevou os preços internacionais do petróleo e pressionou a inflação global de combustíveis. No Brasil, o impacto foi rapidamente observado: o IPCA de março de 2026 registrou altas expressivas nos preços do diesel (+13,9%) e da gasolina (+4,59%). Esse movimento preocupa, pois, além de comprometer a renda das famílias, encarece cadeias produtivas relevantes, como a de alimentos.

Nesse contexto, as expectativas de inflação têm sido revisadas para cima, alcançando recentemente 4,8%, acima do teto da meta para o ano. Em resposta, as projeções para a Selic também avançaram, com expectativa de 13% ao final de 2026 — acima dos 12,25% projetados no início do ano.

Em síntese, o ambiente inflacionário global mais adverso impõe desafios adicionais às PMEs no curto prazo, com maior pressão de custos, crescimento mais lento da demanda e crédito caro e restrito. A Sondagem Omie de abril de 2026 reflete esse cenário: os empresários demonstram visão predominantemente cautelosa, projetando estabilidade ou crescimento apenas marginal para seus negócios.

Diante disso, 2026 exige maior prudência dos empreendedores, em um ambiente marcado por elevada incerteza e volatilidade macroeconômica, tanto no cenário doméstico quanto internacional. Soma-se a isso o calendário eleitoral no segundo semestre, que tende a reforçar uma postura mais conservadora nas decisões de investimento. Mais do que acompanhar as pesquisas eleitorais, será fundamental que o empresário compreenda os desafios do próximo governo, especialmente no campo fiscal.

Por fim, além do cenário macroeconômico desafiador, os empresários também começam a lidar com a maior transformação estrutural da economia brasileira em décadas: a Reforma Tributária. Embora seus efeitos em 2026 ainda sejam limitados — especialmente para micro e pequenas empresas —, o momento exige preparação e entendimento das mudanças futuras. A Sondagem Omie revela um dado preocupante: cerca de metade das PMEs ainda não iniciou ou está em estágio muito inicial de preparação para a Reforma. Com o avanço da transição e a proximidade de marcos relevantes, o tempo para planejamento se reduz, elevando o risco de perda de competitividade para uma parcela significativa do mercado.

Sobre o Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs)

Compreendendo a relevância das PMEs no desempenho econômico do nosso país, a Omie desenvolveu o Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs), que acompanha as atividades econômicas das pequenas e médias empresas brasileiras. A pesquisa da scale-up Omie é um tipo de apuração inédita entre as empresas do segmento, atuando como um termômetro econômico das empresas com faturamento de até R$50 milhões anuais, além de oferecer uma análise segmentada setorialmente do mercado de PMEs no Brasil. Para elaborar os índices, a Omie analisa dados agregados e anonimizados de movimentações financeiras de contas a receber de mais de 180 mil clientes, cobrindo 750 CNAEs (de 1.332 subclasses existentes) – considerando filtros de representatividade estatística. Os dados são deflacionados com base nas aberturas do IGP-M (FGV), tendo como base o índice vigente no último mês de análise, com o objetivo de expurgar o efeito meramente inflacionário na série temporal, permitindo que se observe a evolução das movimentações financeiras em termos reais.

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