“Escutar para Escrever” chega à Solânea
3 de setembro de 2026
Redação

Depois de reunir estudantes em uma experiência que combina sons, imaginação e produção literária no Sertão paraibano, o projeto “Escutar para Escrever: A Paisagem Sonora como Matéria Narrativa” chega a Solânea nesta sexta-feira (4), como parte da programação da 5ª Festa Literária de Solânea (FLISOL).

A atividade será realizada às 14h, na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Arlindo Ramalho, e integra as ações promovidas pela Academia Solanense de Letras durante o evento. A proposta é conduzida pelo escritor, advogado e produtor cultural Pedro Pereira de Sousa Neto, em parceria com o artista multimídia e pesquisador sonoro IORDZ, nome artístico de Iordan Moura.

O projeto utiliza a chamada Escuta Narrativa, metodologia na qual paisagens sonoras servem como ponto de partida para a construção de histórias. Durante a vivência, seis composições sonoras concebidas e mixadas ao vivo por IORDZ estimulam os participantes a identificar ambientes, personagens, situações e conflitos e, a partir dessas percepções, produzir microcontos.

A ideia é mostrar que o som também pode funcionar como matéria-prima para a literatura, estimulando diferentes interpretações e formas de expressão.

O projeto nasceu de uma pesquisa desenvolvida por Pedro Pereira durante o processo de criação do romance Dois Sonhos: Primeiro Sonho, publicado em 2024. A investigação buscava compreender como experiências, memórias, ambientes, imagens, sons e relações humanas poderiam ser transformados em narrativa.

Posteriormente, o trabalho foi ampliado por meio de projetos culturais que incorporaram teatro, artes visuais e experiências sonoras. A parceria com IORDZ aprofundou a utilização do som como elemento do processo criativo e resultou em trabalhos como Pulsa: Um Experimento Sensorial, This Is Our House e O Homem-Rã: Experiência de Mutação.

Experiência reuniu 54 participantes em Paulista

Antes de chegar ao Brejo, o “Escutar para Escrever” teve uma experiência no município de Paulista, no Sertão paraibano. A atividade foi realizada em 19 de agosto, na Escola Municipal de Ensino Fundamental Cândido de Assis Queiroga, por meio do Edital Agosto das Letras 2026, da Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc).

A ação reuniu 54 participantes, distribuídos entre turmas nos períodos da manhã e da tarde. Além da produção de textos, houve distribuição de exemplares do suplemento Correio das Artes e de catálogos da Editora A União, além da aproximação com o Clube de Leitura local.

Pedro Pereira destaca que a resposta dos estudantes superou as expectativas e revelou potencial para a produção literária.

“Os textos produzidos revelaram um nível de envolvimento muito acima do esperado. Diversos participantes apresentaram narrativas de elevada qualidade estética, demonstrando domínio intuitivo da construção de atmosferas, personagens e conflitos a partir da escuta”, afirma.

Segundo o escritor, alguns trabalhos chamaram especialmente a atenção pelo potencial demonstrado pelos estudantes, que foram incentivados a continuar escrevendo.

Para IORDZ, um dos aspectos mais importantes da experiência foi perceber como os participantes atribuíam significados diferentes aos mesmos estímulos sonoros.

“O processo foi extremamente dinâmico e cativou a atenção dos estudantes. Foi um exercício coletivo de criatividade muito rico, pois todos participaram ativamente na decodificação dos estímulos sonoros”, avalia.

O artista afirma ter sido surpreendido pela capacidade das crianças de construir interpretações próprias para os sons apresentados durante a atividade.

Oficinas chegam às escolas públicas de Solânea

Em Solânea, a proposta integra uma programação voltada também à formação de novos leitores e escritores. De acordo com a presidenta da Academia Solanense de Letras, Djanira Meneses, as oficinas da quinta edição da FLISOL serão realizadas gratuitamente em oito escolas públicas.

Djanira destaca que a Academia também mantém uma iniciativa voltada especificamente aos mais jovens, incentivando adolescentes a desenvolver a escrita e aproximando novas gerações da produção literária.

“A escrita não é só feita por pessoas mais velhas, mas por mentes pensantes, e mentes pensantes não têm idade”, afirma.

Para ela, o “Escutar para Escrever” dialoga diretamente com essa proposta ao permitir que os estudantes ouçam paisagens sonoras e transformem aquilo que imaginam e sentem em textos.

A participação de Pedro Pereira na FLISOL também reforça uma relação construída ao longo dos últimos anos com a produção cultural de Solânea. O escritor já realizou atividades no município durante o circuito Caminhos do Frio e participou de outras edições da festa literária com palestra-performance e oficina de escrita criativa.

O vínculo resultou no reconhecimento de Pedro como Sócio Honorário Correspondente da Academia Solanense de Letras.

A 5ª FLISOL reúne diferentes manifestações artísticas ligadas à literatura, incluindo escrita, música, dança, performances e oficinas. A programação terá ainda uma culminância em praça pública, no dia 4 de setembro, com participação do artista Diógenes Ferraz.

A atividade do projeto “Escutar para Escrever” acontece nesta sexta-feira (4), às 14h, na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Arlindo Ramalho, no Centro de Solânea. A participação integra oficialmente a programação da V Festa Literária de Solânea e tem realização da Academia Solanense de Letras.

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