O mercado de trabalho brasileiro encerrou 2025 com uma taxa de desemprego de 5,1%, mas o cenário revela gargalos estruturais preocupantes. Segundo o Departamento de Pesquisas Econômicas (DPEc) do Banco Daycoval, 8 em cada 10 setores da economia já enfrentam escassez de mão de obra. Essa restrição na oferta de trabalhadores tem sustentado ganhos reais de salário, mesmo com o arrefecimento da ocupação.
O paradoxo da participação e o fator COP30
A dinâmica do desemprego em 2025 foi marcada por dois momentos distintos:
Houve um respiro pontual em novembro devido às contratações temporárias e obras ligadas à COP30, mas o padrão de retração na força de trabalho voltou a dominar em dezembro.
Pressão inflacionária e projeções para 2026
Para a política monetária, o sinal é de alerta. Os rendimentos reais cresceram 5,7% em dezembro (em comparação anual), mantendo a massa salarial em trajetória ascendente. Esse avanço dos salários, impulsionado pela falta de braços e pelo reajuste do salário mínimo, gera desconforto no Banco Central quanto ao controle da inflação.
O Daycoval projeta que a taxa de desemprego terminal suba para 5,6% ao final de 2026. A previsão é de que os rendimentos reais avancem 2,3%, enquanto a população ocupada deve registrar um crescimento mais modesto de 1,7%.