Empresas fecham trimestre sob dupla pressão
15 de abril de 2026
Redação

O fechamento do primeiro trimestre sempre funcionou como um termômetro da saúde financeira das empresas, mas neste ano passou a cumprir um papel ainda mais estratégico: evidenciar o nível de maturidade da gestão diante de um ambiente de transformação estrutural. Além de consolidar resultados e revisar metas, organizações brasileiras enfrentam, simultaneamente, os primeiros impactos operacionais da reforma tributária, que altera de forma significativa a dinâmica de apuração, controle e planejamento financeiro.
 

A introdução de novos tributos sobre consumo, como CBS e IBS, exige revisão de processos, reconfiguração de sistemas e maior rigor na organização de dados. No entanto, boa parte das empresas ainda está em estágio inicial de adaptação. Segundo o estudo “Panorama do Contas a Pagar 2026”, realizado pela Qive em parceria com a Opinion Box, 40% das empresas brasileiras ainda não iniciaram adequações à reforma tributária, enquanto apenas 38% começaram a mapear impactos operacionais, o que amplia os desafios justamente em momentos críticos como o fechamento trimestral.
 

Nesse contexto, a capacidade de integrar informações entre áreas financeiras, fiscais e operacionais passa a ser requisito básico para garantir consistência nos números e agilidade na tomada de decisão. Para Alvaro Chaves, CEO da Areco, empresa de tecnologia e consultoria com ecossistema próprio de soluções de gestão empresarial, o fechamento do trimestre em 2026 evidencia uma mudança importante no papel desse processo dentro das organizações.
 

“O fechamento, antes visto só como uma fotografia do desempenho, se tornou um teste real da capacidade de adaptação das empresas. Hoje, além de se preparar para o duplo controle que a reforma tributária solicita nesta transição, as organizações precisam garantir uma operação alinhada às novas exigências fiscais e regulatórias. Preparar-se para um novo horizonte fiscal é mandatório para mensurar custos e interpretar melhor a situação do caixa”, explica Alvaro.
 

Segundo o CEO, empresas que ainda operam com dados descentralizados, planilhas paralelas e baixa integração entre sistemas tendem a enfrentar mais dificuldades nesse cenário, uma vez que, quando as informações não conversam entre si, o fechamento se torna mais lento, mais sujeito a erros e menos confiável, impactando diretamente na qualidade das decisões e podendo gerar riscos fiscais e financeiros.
 

A pressão por maior organização e controle também se reflete no avanço da digitalização. De acordo com os dados do International Business Report (IBR), da Grant Thornton, 76% das empresas de médio porte brasileiras continuam vendo a tecnologia como uma das principais prioridades de investimento para os próximos meses.
 

Com a transição da reforma tributária prevista para ocorrer de forma gradual até 2033, a tendência é que os próximos fechamentos trimestrais continuem exigindo um nível elevado de organização e integração.
 

“Esse investimento é o que permite transformar o fechamento financeiro em uma ferramenta estratégica. Empresas mais maduras conseguem fechar mensalmente e trimestralmente com dados praticamente em tempo real, o que permite ajustes rápidos de rota, quando necessário, e decisões mais assertivas sobre custos e planejamento tributário”, conclui Chaves.

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