Empreendedorismo feminino destaca força das mulheres
19 de novembro de 2025
Redação

Celebrado em 19 de novembro, o Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino — criado pela ONU em 2014 — reforça a força econômica e social das mulheres que comandam negócios em todos os setores do país. Hoje, elas já representam cerca de 10,4 milhões de empreendedoras, quase 35% do total de empreendedores brasileiros, segundo o Sebrae. E essa presença cresce em ritmo acelerado: nos últimos 12 anos, o número de mulheres à frente de empresas ou atuando por conta própria aumentou 42%.

O movimento também tem impacto direto na qualificação. No Instituto BAT Brasil, responsável por programas de formação de microempreendedores em áreas urbanas e rurais, 70% dos alunos são mulheres — um retrato claro de quem está buscando capacitação para gerir o próprio negócio. A instituição já formou 1,4 mil empreendedoras nos programas Decola Negócios e Novos Rurais, que têm ajudado a elevar em até 30% a renda de quem conclui as capacitações.

A transformação aparece inclusive em espaços tradicionalmente masculinos. No programa Novos Rurais, a presença feminina saltou de 30% para 70% entre 2012 e 2025. Exemplo desse avanço é a jovem Ana Paula, 22 anos, de Gramado Xavier (RS), que após participar do programa montou uma estufa de morangos suspensos. “Achei que empreender no campo era distante, mas hoje consigo viver do meu negócio e inspirar outras mulheres”, afirma.

Para Nicole Hajj, diretora do Instituto BAT Brasil, esse movimento revela um salto de autonomia: “Cada mulher que passa pelos nossos programas leva confiança, independência e a capacidade de redesenhar o cenário do empreendedorismo no Brasil”.

Desafios e avanços

Apesar do crescimento, persistem obstáculos. A pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2024 aponta problemas como sobrecarga doméstica, menor acesso a crédito e falta de tempo para capacitação. A ausência de mentoria também pesa: estudo da DDI mostra que 63% das mulheres nunca tiveram um mentor formal, embora 67% considerem mentorias decisivas para suas carreiras.

Em resposta, líderes de diferentes áreas têm se tornado referência no apoio a outras profissionais. Nomes como Itali Collini (Potencia Ventures), Laís Macedo (Future Is Now), Tatyane Luncah (EBEM), Juliana Vital (Nubimetrics), Wana Schulze (Wayra/Vivo Ventures) e Lisandra Branco (S8 Capital) atuam como mentoras para reduzir desigualdades e ampliar a presença feminina em posições estratégicas.

Empreendedorismo e impacto social

O protagonismo feminino também se traduz em negócios voltados à inovação e impacto social. Entre os exemplos:

  • Alcione Pereira, da Connecting Food, criou a primeira foodtech especializada em redistribuição inteligente de alimentos.
  • Juliana Camargo, da Ampara Animal, lidera a maior ONG de proteção animal do país.
  • Kelly Michel, da Potencia Ventures, investe em startups voltadas à educação e empregabilidade.
  • Tatiana Pimenta, da Vittude, transformou uma experiência pessoal em uma plataforma referência em saúde mental corporativa.

Na cultura, saúde e comunicação, mulheres seguem empurrando fronteiras. A médica Ionata Smikadi cofundou o Instituto Luiza Mahin, primeira associação médica negra do país. A produtora musical Gilvana Viana, líder em trilhas e criatividade sonora, levou seu trabalho ao júri do Cannes Lions. A pesquisadora Marcelle Chagas criou a Rede de Jornalistas Pretos, com foco em combate à desinformação. Na área de conexões profissionais, Dani Benoit revolucionou o networking com a filosofia de NetWeaving.

Turismo, tecnologia e novas formas de empreender

O setor de turismo e tecnologia também tem ampliado espaço para lideranças femininas. Mônica Medeiros, executiva da Seazone — maior gestora de imóveis do Airbnb no Brasil — destaca o papel das mulheres em mercados tradicionalmente masculinos e a importância da autonomia financeira.

Com mais de 2 mil propriedades e nota média acima de 4,8, a empresa mantém o selo Superhost e opera um modelo de expansão baseado em microfranquias, que já reúne 80 franqueados em 15 estados. Para Mônica, esse formato abre portas para mulheres que buscam empreender com suporte técnico e estrutura competitiva.

Crescimento no setor de franquias

Dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF) mostram que, em 2024, as mulheres chegaram a 29% dos franqueados do país e ampliaram sua participação em cargos de liderança de 19% para 29% em menos de uma década. Para a advogada Daniella Spach Rocha Barbosa, especialista em contratos empresariais, o aumento da presença feminina revela um avanço importante em um ambiente ainda dominado por homens.

Ela ressalta que o modelo de franquias tem apelo especial para mulheres por oferecer maior segurança operacional, mas alerta para a necessidade de análise detalhada da Circular de Oferta de Franquia e acompanhamento jurídico especializado. “Franquia não é negócio autônomo. A gestão ativa da empreendedora é decisiva para o sucesso”, explica.

Eventos e políticas públicas

No próximo dia 25 de novembro, o CMEC realiza em São Paulo a sexta edição do Liberdade para Empreender, evento voltado a líderes femininas com temas como tecnologia, equilíbrio emocional e inovação. A data dialoga com políticas recentes: a Lei nº 14.667 instituiu a Semana do Empreendedorismo Feminino, reforçando ações de conscientização e incentivo.

Um movimento que transforma a economia

“Apoiar empreendedoras é defender um futuro mais justo”, afirma Ariane Arrais, dona do Brechó Valen Bella. Ela resume a essência do movimento: quando uma mulher empreende, gera renda, transforma a própria vida e impacta quem está à sua volta.

O Brasil segue avançando — das startups ao campo, das franquias ao turismo, da saúde à cultura. Os números mostram força, e as histórias confirmam: o empreendedorismo feminino não é apenas uma tendência, mas um vetor de desenvolvimento econômico, inclusão e inovação que redesenha o país.

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