Docente aposentada da UFPB é 1ª mulher a presidir a AMB
22 de novembro de 2025
Redação

A compositora e professora aposentada da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Iiza Nogueira, acaba de escrever um capítulo inédito na história da música nacional. Ela foi escolhida para presidir a Academia Brasileira de Música (ABM), tornando-se a primeira mulher a comandar a instituição criada por Heitor Villa-Lobos há quase oito décadas. A eleição também quebra a tradição de lideranças concentradas no eixo Rio de Janeiro, ampliando o reconhecimento a trajetórias consolidadas em outras regiões, como a construída por Iiza a partir da Paraíba.

Para a nova presidente, sua escolha representa dois avanços simbólicos: o fortalecimento do caráter verdadeiramente nacional da ABM — que passa a refletir melhor a diversidade regional da produção musical brasileira — e o crescimento da presença feminina em um espaço historicamente restrito. Embora a Academia conte com 40 cadeiras, apenas 10 são ocupadas por mulheres, e a participação feminina total não ultrapassa 15%. Iiza acredita que seu mandato pode inspirar outras profissionais da música e da gestão cultural, ressaltando o papel das mulheres na promoção da inclusão, na valorização de saberes diversos e na busca por sustentabilidade institucional.

Radicada em João Pessoa desde 1978, Iiza chegou à UFPB ao lado do marido, o violinista Leopoldo Nogueira, integrando o projeto idealizado pelo então reitor Lynaldo Cavalcante de Albuquerque para criar um bacharelado completo em Música. Desde então, construiu uma trajetória de profunda influência acadêmica e artística. Ocupante da cadeira nº 27 da ABM desde 2003, ajudou a fundar o curso de Música da UFPB, atuou no comitê assessor de artes do CNPq, criou e presidiu entidades como a ANPPOM e a TeMA, além de ter obras executadas no Brasil e no exterior, especialmente no repertório de música de câmara.

Agora, prepara-se para conduzir a principal instituição dedicada à preservação e promoção da música erudita brasileira — um marco histórico que reforça o nome da Paraíba no cenário cultural do país.

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