Digitalização traz ganhos e expõe potencial para MPEs
27 de junho de 2023
Redação

Processos financeiros em planilhas trabalhosas que demandavam muito tempo, arquivos armazenados em HD externos sem nenhuma segurança, falta de ferramentas para otimizar a contratação de pessoas, foram alguns dos motivos que levaram a Cerâmica Silvana, empresa que atua há 30 anos no setor de construção no mercado capixaba, a participar do programa Jornada Digital, da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).
 

“Foi a transformação digital do nosso negócio que nos ajudou a solucionar problemas básicos e, a partir da digitalização de alguns processos, percebemos os benefícios gerados para a empresa e para a saúde do nosso negócio. Nosso foco agora é digitalizar a nossa produção”, explica Vitor José Duarte Jovita, sócio da Cerâmica Silvana. 
 

Cada vez mais valorizada e necessária, a procura por inovação é uma constante dentro das pequenas e médias empresas e o estudo “Transformação digital, produtividade e crescimento econômico”, desenvolvido pelo Movimento Brasil Competitivo (MBC), demonstra em detalhes os impactos positivos gerados pela digitalização da economia em diversos setores, especialmente na potencialização do aumento da produtividade e do crescimento econômico, inclusive para esse tipo de empresa. 
 

Para que o país avance na economia digital, é fundamental, no entanto, uma ampla rede de suporte para as Micro e Pequenas Empresas (MPEs), incentivando a adoção de tecnologias em seus negócios. Para se ter uma ideia da importância desse modelo de negócio, as MPEs representam 30% do Produto Interno Bruto (PIB) e mais de 50% dos postos de trabalho do país.
 

Um dado relevante apresentado no estudo feito em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), mostra uma realidade distante da ideal para o ambiente de negócios e para o setor produtivo: 66% das Micro e Pequenas Empresas ainda se encontram em estágio inicial em relação ao nível de maturidade digital, independentemente de seu setor econômico, de acordo com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). 
 

O potencial da digitalização no Brasil
 

Embora a maturidade digital de muitas empresas não esteja totalmente desenvolvida, as estimativas de investimentos em tecnologia no Brasil para os próximos anos são otimistas. De acordo com a Brasscom43, são previstos no país, para o período entre 2022 e 2025, valores na ordem de R$ 510,5 bilhões em tecnologias de transformação digital.
 

O valor expressivo tem grande representatividade para a economia brasileira e o estudo “Transformação digital, produtividade e crescimento econômico”, ressalta que, nos últimos 5 anos, a oferta digital brasileira cresceu em média 5,7%, enquanto esse mesmo mercado nos Estados Unidos aumentou 7,1%. A partir da ampliação da oferta digital nos patamares da economia americana, a maior digitalização dos setores seria capaz de gerar um aumento de R$ 422,7 bilhões na economia brasileira. Caso chegássemos ao patamar atual de representatividade da economia americana, calculado em 10,2% em 2020, o Brasil teria um incremento de R$ 1,12 trilhão na economia.
 

“A transformação digital é um dos pilares do MBC. Nós acreditamos profundamente na digitalização da economia como um grande diferencial competitivo. Ao longo dos últimos sete anos, temos trabalhado de forma intensa junto a governos e ao setor produtivo para que o país possa avançar nessa agenda”, destaca a diretora executiva do MBC, Tatiana Ribeiro.
 

Como pequenos e médios empreendedores podem avançar na digitalização?
 

O estudo propõe algumas ações para que as MPEs avancem no campo da transformação digital. A criação de um marketplace com oferta de serviços e tecnologias digitais voltadas para MPEs é uma das iniciativas que pode auxiliar o avanço dos negócios. E essa construção pode ser feita em parceria com startups, Sociedade Científica, Universidades, Sistema S (composto por Sesi, Senai, Sesc, Senac, Sebrae, Sescoop, Sest, Senat e Senar) e até mesmo com o setor produtivo, utilizando soluções customizadas, de baixo custo, setorizadas e por nível de maturidade digital.
 

Outra sugestão é adotar tecnologia digital pelas Micro e Pequenas Empresas por meio de incentivos à transferência de conhecimento entre MPEs e institutos de tecnologia, criando condições para inovação em processos, produtos e serviços.
 

O Programa Brasil Mais – coordenado pelo Ministério da Economia em parceria com a ABDI, SENAI, Sebrae e BNDES – é outra iniciativa que tem como objetivo “aumentar a produtividade e a competitividade das Micro, Pequenas e Médias empresas mediante a adoção de melhorias de gestão e soluções digitais de rápida implementação, baixo custo e alto impacto, além de fomentar o desenvolvimento de novas tecnologias voltadas a esse público. Desde o início do programa, mais de 90 mil empresas foram atendidas, tendo como resultados ganhos de produtividade entre 24% e 42%.
 

“Participar da mentoria da ABDI foi muito positivo para o nosso negócio, conseguimos otimizar o trabalho, hoje com dois cliques conseguimos acessar todas as informações necessárias. As nossas redes sociais estão alinhadas com os clientes e, como a evolução é constante, seguiremos incluindo a digitalização em nosso negócio”, comenta o executivo da Cerâmica Silvana, uma das empresas beneficiadas pelo programa da ABDI, Jornada Digital.
 

Outro exemplo de sucesso com a transformação digital está em Vitória da Conquista, na Bahia: o projeto Hub Sudoeste Inova, que faz parte do Digital BR da ABDI, atende 100 empresas da região, que são voltadas principalmente para o comércio e serviços. A fase inicial de implantação foi finalizada e já foi possível identificar pontos de maturidade digitais nas companhias participantes. 
 

“Muitas empresas da região não tinham presença digital e passaram a ter por causa do Hub Sudeste. Uma delas tinha 5% de faturamento em meio digitais, e aumentou para 22% do faturamento total a partir do avanço na digitalização do negócio”, informa Thales Linke, Gerente de projetos da consultoria IEBT Innovation.  
 

Mais do que levar ferramentas, a transformação digital ocorre com a absorção dessa nova cultura que busca excelência no atendimento independentemente de onde esteja o cliente. E um resultado positivo só é alcançado com o apoio dos diferentes atores da sociedade, apoio do governo, investimentos dos empresários e disponibilidade dos clientes para as novidades que o mundo digital propõe. 
 

“O avanço da competitividade brasileira está diretamente ligado a transformação digital, o MBC tem isso muito claro, por isso continuará atuando para ampliar as iniciativas, para que mais empresas possam ingressar de forma segura e completa no mundo digital”, finaliza Tatiana Ribeiro.
 

Sobre o Movimento Brasil Competitivo

O Movimento Brasil Competitivo (MBC) é uma organização da sociedade civil, apartidária, que une os setores público e privado, investindo e fomentando no país um ambiente mais competitivo, replicando boas práticas e elaborando projetos para um Estado melhor.

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