Celebrada em 9 de agosto, a data deve levar milhões de brasileiros às compras, mas pesquisas mostram que convivência, afeto e almoço em família continuam valendo mais do que presentes caros
O Dia dos Pais de 2026 deve movimentar o comércio brasileiro, fortalecer as vendas digitais e confirmar uma mudança no comportamento dos consumidores: a escolha do presente começa cada vez mais nas redes sociais, passa pela comparação de preços na internet e pode terminar tanto no comércio eletrônico quanto nas lojas físicas.
Levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do SPC Brasil estima que cerca de 104 milhões de consumidores irão às compras neste ano. A expectativa é de uma movimentação de aproximadamente R$ 29,7 bilhões no comércio e no setor de serviços. Em média, cada consumidor pretende gastar R$ 286 com 1,8 presente.
Os números variam conforme a metodologia e o público consultado. Pesquisa da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços, em parceria com o Datafolha, projeta cerca de R$ 9 bilhões em compras, com aproximadamente 73 milhões de consumidores dispostos a presentear. O valor médio previsto é de R$ 231.
Embora as estimativas sejam diferentes, os estudos convergem ao apontar um consumidor mais atento ao orçamento, conectado às plataformas digitais e disposto a pesquisar antes de fechar a compra.
Redes sociais influenciam a escolha do presente
Pesquisa realizada dentro do aplicativo Kwai mostra que 48% dos usuários que comemoram a data procuram ideias de presentes nas redes sociais. O percentual supera inclusive as sugestões dadas pelo próprio pai, citadas por 34% dos entrevistados.
O levantamento também revela que 66% demonstram interesse por produtos indicados por criadores de conteúdo. Perfumes aparecem na liderança das intenções de compra, com 42,7%, seguidos por roupas e calçados, com 40,7%.
Quase um em cada cinco consumidores, no entanto, ainda não decidiu o que comprar. Esse grupo representa uma oportunidade para marcas, influenciadores e comerciantes apresentarem sugestões durante os dias que antecedem a comemoração.
Outro levantamento da CNDL e do SPC Brasil mostra que 75% dos consumidores procuram inspiração antes de escolher o presente. Instagram e Google aparecem entre os principais canais de busca, acompanhados por sites de comércio eletrônico, YouTube e TikTok.
O planejamento começa cedo. Dados do Kwai indicam que as pesquisas relacionadas ao Dia dos Pais surgem cerca de seis semanas antes da data. Entre os entrevistados, 35,1% começam a comprar com um mês de antecedência, enquanto 33,5% deixam a decisão para a semana da comemoração.
Consumidor combina compras físicas e digitais
Apesar da força das redes sociais e do comércio eletrônico, as lojas físicas continuam relevantes. No levantamento do Kwai, 37,4% preferem comprar presencialmente e 34,8% recorrem às lojas online.
A pesquisa da Abecs também aponta liderança do comércio físico, citado por 64% dos consumidores, enquanto 35% pretendem utilizar canais digitais. Os resultados indicam que o consumidor transita entre os dois ambientes: pesquisa na internet, compara avaliações e preços, mas ainda pode concluir a compra na loja.
O Pix aparece como método preferido por 60% dos entrevistados pelo Kwai. Já o cartão de crédito ganha importância nas compras de maior valor, especialmente pela possibilidade de parcelamento. Entre os consumidores que pretendem usar crédito, 62% consideram dividir o pagamento.
Essa diversidade obriga os comerciantes a disponibilizar diferentes meios de pagamento, como Pix por QR Code ou aproximação, cartões de débito e crédito, carteiras digitais e links enviados por WhatsApp ou Instagram.
Presentes mais baratos e úteis ganham espaço
O preço é o principal critério de escolha para 47,6% dos consumidores ouvidos pelo Kwai. O levantamento aponta que 67,3% pretendem gastar até R$ 300. Desse total, 35,8% planejam desembolsar até R$ 100, enquanto 31,5% calculam gastos entre R$ 100 e R$ 300.
Pesquisa da Hibou, em parceria com a Score Agency, também identifica um orçamento mais limitado. Segundo o levantamento, 72% dos brasileiros pretendem gastar até R$ 250 com toda a comemoração.
Roupas, calçados, perfumes, cosméticos e acessórios concentram as principais intenções de compra. Eletrônicos aparecem em menor número, mas reúnem consumidores dispostos a desembolsar valores mais altos.
Fabricantes e plataformas de comércio eletrônico aproveitam o período para lançar promoções. A realme, por exemplo, anunciou descontos para o smartphone C100x 4G, equipado com bateria de 8.000 mAh, durante a semana do Dia dos Pais. A oferta integra uma série de campanhas voltadas ao público interessado em presentes de maior valor.
Presença ainda vale mais do que presente
Apesar da movimentação comercial, as pesquisas revelam que a data continua associada principalmente à convivência familiar.
Entre os entrevistados pelo Kwai, 69% afirmaram que irão comemorar o Dia dos Pais. A principal forma de celebração será passar o dia com o pai ou com uma figura paterna, resposta dada por 50,8%. A compra de presentes foi mencionada por 45,2%, enquanto 26,8% pretendem publicar homenagens nas redes sociais.
Na pesquisa Hibou e Score Agency, 41% afirmaram que estar com toda a família é o maior presente. Para 33%, o almoço em casa é o elemento que não pode faltar na comemoração, à frente de presentes, fotografias ou programas fora de casa.
O estudo aponta ainda que 22% pretendem passar o domingo em casa sem receber visitas. Entre esse público, as principais atividades serão descansar, assistir a séries e filmes e passar o tempo com crianças ou animais de estimação.
Para 26% dos entrevistados, a data representa uma oportunidade de reconhecer e agradecer aos pais. Outros 24% associam o domingo à reunião familiar. Ao mesmo tempo, 22% consideram o Dia dos Pais apenas mais uma data comercial e 18% relacionam a comemoração à saudade.
Entre as pessoas com 55 anos ou mais, o sentimento de ausência se torna ainda mais forte. Nesse grupo, 35% associam a data à lembrança de pais ou filhos que já morreram.

Campanhas precisam equilibrar emoção e comércio
O comportamento mais crítico dos consumidores também desafia as campanhas publicitárias. Para 27% dos entrevistados pela Hibou, mensagens baseadas em respeito, amor e diversidade são mais importantes do que promoções. Outros 25% valorizam a emoção da história contada, enquanto 18% prestam mais atenção aos descontos.
A presença de pais reais, com diferentes perfis e relações familiares, é especialmente valorizada pelo público jovem.
A pesquisa também mostra que 16% dos entrevistados já se sentiram incomodados com alguma campanha de Dia dos Pais. Entre os motivos estão comunicações consideradas artificiais, abordagens que ignoram situações pessoais delicadas e mensagens que despertam lembranças dolorosas.
Consumidor deve conhecer seus direitos
Com o aumento das vendas, especialistas recomendam atenção às regras do Código de Defesa do Consumidor.
Nas compras realizadas pela internet, telefone, aplicativos ou redes sociais, o consumidor pode desistir da aquisição em até sete dias, contados da assinatura do contrato ou do recebimento do produto. O fornecedor deve devolver integralmente os valores pagos, incluindo o frete.
No comércio físico, a loja não é obrigada a trocar um produto sem defeito apenas por causa do tamanho, cor, modelo ou preferência pessoal. A substituição depende da política do estabelecimento. Por isso, o consumidor deve perguntar previamente quais são as condições e pedir que a regra seja registrada na nota fiscal ou em outro documento.
Quando existe defeito, o fornecedor tem prazo legal para solucionar o problema. Caso o vício não seja corrigido em até 30 dias, o consumidor poderá escolher entre a troca do produto, a devolução do dinheiro ou o abatimento proporcional do preço.

Também é importante guardar nota fiscal, comprovante de pagamento, anúncios, mensagens trocadas com o vendedor e informações sobre prazo de entrega. Esses registros podem ser utilizados para exigir o cumprimento da oferta ou buscar reparação.
As mesmas proteções alcançam serviços oferecidos como presentes, a exemplo de viagens, hospedagens, jantares, massagens e vouchers. Datas disponíveis, necessidade de agendamento, restrições e prazo de validade precisam ser informados de forma clara antes da contratação.

Comércio aposta em tecnologia e experiência
Para aproveitar o aumento da procura, especialistas recomendam que comerciantes integrem estoques, vendas e logística. A medida ajuda a evitar atrasos, falta de mercadorias e cancelamentos.
O setor também aposta na ampliação dos meios de pagamento, no atendimento automatizado, no uso de inteligência artificial e em sistemas de prevenção de fraudes.
Agentes virtuais já são utilizados para responder dúvidas, identificar o perfil do presenteado e sugerir produtos. Em períodos de grande movimento, o atendimento rápido pode evitar que o cliente abandone a compra ou procure um concorrente.
Nas lojas físicas, organização, ambientação, facilidade para encontrar produtos e treinamento das equipes também influenciam a experiência. A avaliação do setor é de que o consumidor chega ao estabelecimento mais informado e espera atendimento capaz de acrescentar segurança e conveniência à decisão.
Data antecede ampliação da licença-paternidade
O Dia dos Pais de 2026 também será o último antes da entrada em vigor da nova legislação sobre licença-paternidade.
Sancionada em 31 de março, a Lei nº 15.371/2026 amplia o afastamento obrigatório dos atuais cinco para dez dias a partir de 1º de janeiro de 2027. O período deverá subir para 15 dias em 2028 e poderá alcançar 20 dias em 2029, conforme as condições previstas na legislação.
A norma institui ainda o salário-paternidade no âmbito da Previdência Social e assegura o afastamento em casos de nascimento, adoção ou guarda judicial, sem prejuízo do emprego e da remuneração.
Outra mudança é a estabilidade temporária. O trabalhador não poderá ser dispensado sem justa causa desde o início da licença até um mês depois do fim do afastamento. Caso a empresa demita o empregado após receber a comunicação da futura paternidade e antes do início da licença, frustrando o exercício do direito, poderá ter de indenizar em dobro o período protegido.
A lei também determina que o trabalhador comunique o período previsto para o afastamento com antecedência mínima de 30 dias, acompanhado de documentação médica ou judicial. Nos casos de parto antecipado, a licença começa imediatamente e os documentos poderão ser apresentados depois.
O profissional poderá ainda pedir que as férias sejam iniciadas logo após o término da licença, desde que observe o prazo de comunicação estabelecido.
A legislação reforça a proibição de discriminação relacionada à gravidez da esposa ou companheira, à adoção e ao exercício da paternidade. Isso significa que a futura licença não poderá ser usada para prejudicar contratações, promoções, avaliações de desempenho ou participação em projetos.
Empresas participantes do Programa Empresa Cidadã continuarão podendo conceder dias adicionais, elevando o período total de afastamento.
A mudança obrigará organizações a revisar normas internas, sistemas de recursos humanos, processos de desligamento e critérios de avaliação. Também exigirá treinamento de gestores para que o profissional não seja pressionado a trabalhar, participar de reuniões ou permanecer disponível durante a licença.
Assim, o Dia dos Pais de 2026 combina três movimentos: a força econômica de uma das principais datas do varejo, a crescente influência do ambiente digital sobre as compras e uma mudança legal que amplia o reconhecimento da presença paterna nos primeiros dias de vida e na convivência com os filhos.