No coração do Sertão paraibano, onde a seca historicamente impõe limites à sobrevivência, uma iniciativa tem provado que o conhecimento é a ferramenta mais eficaz para romper o ciclo da pobreza. O protagonista dessa história é Damião Amorim, um servidor público aposentado da Receita Federal que, há 28 anos, fundou o que hoje é o Instituto Beija-flor de Educação, na zona rural de Patos, próximo ao distrito de Santa Gertrudes.
O Retorno às Raízes
A história de Damião é, por si só, um exemplo de resiliência. Filho de agricultores analfabetos em uma família de 11 irmãos, ele só começou a frequentar a escola aos 11 anos, após seu pai decidir deixar o sítio para buscar melhores condições em Patos [04:15]. Com um talento nato para a matemática, Damião saltou etapas escolares, formou-se em Engenharia e, por meio de concursos públicos, construiu uma carreira sólida na Receita Federal [05:22].
Em 1997, ao visitar sua comunidade natal, ele se deparou com uma realidade desoladora: crianças estudando embaixo de árvores, sem estrutura mínima [03:31]. Foi o “estalo” necessário. Inspirado pela filosofia de que “é melhor acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão”, Damião decidiu que precisava retribuir.
O Projeto Beija-flor
O nome da ONG, agora em processo de formalização como Instituto em Brasília, remete à fábula do pássaro que tenta apagar um incêndio na floresta levando gotas de água no bico [32:47]. O trabalho começou de forma simples, oferecendo um prédio digno para as aulas da prefeitura e garantindo merenda escolar [19:30].
Com o tempo, o projeto evoluiu para um sistema de bolsas em escolas particulares de Patos e parcerias com universidades. O resultado é palpável: o instituto já contribuiu para a formação de pelo menos 15 profissionais, incluindo médicos, advogados, enfermeiros e veterinários, todos oriundos da zona rural [31:55].
Impacto Além da Sala de Aula
A atuação de Damião não se limitou ao ensino formal. Em 2012, diante de uma seca severa que dizimava rebanhos e levava agricultores ao desespero, ele mobilizou recursos para perfurar um poço artesiano de alta vazão [33:26]. Hoje, a água atende cerca de 25 famílias da região, garantindo dignidade básica, como o acesso a chuveiros dentro de casa [34:57].
Atualmente, o Instituto Beija-flor passa por uma fase de modernização. Damião planeja transformar a sede antiga em um museu ou biblioteca e focar em projetos de reflorestamento e agricultura sustentável (como o conceito de “cidade esponja” e compostagem), utilizando seus conhecimentos de mestrado em Engenharia Sanitária e Ambiental [26:48].
Um Propósito de Vida
Para Damião, o projeto foi também uma cura pessoal, auxiliando-o a superar um quadro severo de depressão após anos de estresse profissional [23:35]. “O homem que tem um propósito de vida é outro homem”, afirma.
O exemplo de Damião Amorim reforça que a educação, quando aliada à solidariedade e à gestão ética, pode florescer mesmo nos solos mais áridos, transformando vidas de geração em geração.
Serviço:
Para conhecer mais e apoiar o trabalho, acompanhe o Instagram: @ibfe.osip [47:05].