Dados vazados custam R$ 7,44 milhões
4 de novembro de 2026
Redação

O custo médio de uma violação de dados no Brasil chegou a R$ 7,44 milhões em 2026, alta de 3,5% em relação ao período anterior. O avanço ocorre em um cenário no qual a inteligência artificial amplia a capacidade de ação dos criminosos, mas também oferece ferramentas para reforçar a segurança digital das empresas. Apesar do potencial da tecnologia para prevenir ataques, os investimentos em proteção ainda não acompanham plenamente a evolução das ameaças.

Os dados são do relatório Cost of a Data Breach, elaborado pelo Ponemon Institute e analisado pela IBM. O levantamento avaliou 602 empresas no mundo, incluindo 42 brasileiras, entre março de 2025 e fevereiro de 2026. Segundo o estudo, uma em cada quatro ações criminosas já conta com apoio de inteligência artificial. Globalmente, ataques que utilizam esses recursos custam, em média, R$ 35 milhões, cerca de R$ 6 milhões a mais do que outras invasões.

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A IA permite automatizar etapas dos ataques, explorar vulnerabilidades em maior escala e acelerar operações criminosas. Por outro lado, empresas que utilizam automação e inteligência artificial na segurança digital registram custos com incidentes 30% menores. Entre as organizações que não adotam esses recursos, a despesa média chega a R$ 8,69 milhões. Ainda assim, apenas 33% das empresas brasileiras planejam ampliar investimentos em segurança e governança dessas soluções.
 

“A inteligência artificial tornou a segurança digital uma disputa de velocidade. Enquanto criminosos conseguem automatizar ataques e explorar falhas em escala, as empresas precisam usar a mesma capacidade tecnológica para identificar comportamentos suspeitos, antecipar riscos e responder rapidamente. O desafio não é apenas investir em IA, mas integrá-la a uma estratégia consistente de prevenção”, diz Fabio Roma, especialista em inteligência artificial e CEO da Impossibl.

O impacto financeiro varia conforme o setor. No Brasil, empresas de saúde registram o maior custo médio por violação, de R$ 12,55 milhões. Tecnologia aparece em seguida, com R$ 8,96 milhões, e serviços, com R$ 8,63 milhões. Além das despesas para conter ataques e recuperar sistemas, incidentes podem comprometer informações sensíveis, interromper operações e afetar a reputação das organizações.

A complexidade dos ambientes digitais também contribui para elevar os prejuízos. Sistemas com ferramentas desconectadas acrescentam, em média, R$ 645,2 mil ao custo de cada violação. Já o uso de programas e serviços sem autorização das equipes de tecnologia aumenta a despesa em R$ 720,3 mil.

No Brasil, mensagens fraudulentas usadas para roubar dados e ataques contra parceiros e fornecedores representam 16% dos incidentes cada. O custo médio chega a R$ 7,93 milhões nos casos de fraude por mensagens e a R$ 7,32 milhões nas ocorrências envolvendo terceiros.

Medidas preventivas podem reduzir parte dessas perdas. Simulações de ataques estão associadas a uma economia média de R$ 579,4 mil por incidente. A criptografia representa uma economia de R$ 478,1 mil, enquanto o controle de credenciais e permissões preserva R$ 454,7 mil. Apesar disso, apenas 37% das empresas vítimas de vazamentos no mundo utilizam criptografia para proteger dados sensíveis.

O levantamento também aponta crescimento de 5% nos ataques de sequestro digital, conhecidos como ransomware, que representam 39% das ocorrências. Além de bloquear sistemas, criminosos recorrem cada vez mais à ameaça de divulgar informações para pressionar as vítimas. Globalmente, setores de infraestrutura crítica, como energia e finanças, concentram 62% dos ataques impulsionados por inteligência artificial.

“A segurança digital deixou de ser apenas uma questão técnica e passou a integrar a gestão financeira e operacional das empresas. Em um cenário de ataques cada vez mais sofisticados, a capacidade de identificar vulnerabilidades, controlar acessos e responder rapidamente pode ser determinante para limitar prejuízos. A tecnologia oferece recursos para enfrentar esse desafio, mas seus resultados dependem de investimentos contínuos, processos bem estruturados e uma estratégia de prevenção”, finaliza.

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