Custo de vida sobe em todas as capital
12 de maio de 2026
Redação

Uma convergência de fatores climáticos e geopolíticos encareceu o acesso ao alimento básico no Brasil. Segundo a edição de maio da Pesquisa Nacional de Preço da Cesta Básica de Alimentos, divulgada nesta segunda-feira (11), o custo do conjunto de alimentos essenciais subiu em todas as 27 capitais do país na comparação entre março e abril de 2026.

O estudo, fruto de uma parceria estratégica entre a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), aponta que as maiores altas mensais foram concentradas no Norte e Nordeste, com destaque para Porto Velho (5,60%) e Fortaleza (5,46%). No entanto, o Sudeste segue detendo o valor nominal mais alto: em São Paulo, o consumidor precisa desembolsar R$ 906,14 para adquirir a cesta.

O Peso do Cenário Externo e Logístico

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A análise técnica destaca que a instabilidade internacional desempenhou um papel crucial. A escalada de tensões entre Irã e Estados Unidos provocou volatilidade nos preços dos combustíveis, o que impactou diretamente o frete e os custos operacionais de remoção de produtos das fazendas para os centros de distribuição.

“Cada setor tem suas particularidades, mas foi verificado um aumento generalizado no custo das operações logísticas”, explica Gabriel Rabello, gerente da Conab.

Vilões da Mesa: Leite, Batata e Feijão

O relatório detalha o comportamento dos itens que mais pressionaram o orçamento:

  • Lácteos em alta: O leite integral subiu em todas as 27 capitais. O motivo é o período de entressafra, que reduziu a oferta de pastagens e, consequentemente, a produção no campo.
  • Hortifrúti: A batata encareceu em todo o Centro-Sul devido ao fim da safra. Já o tomate registrou saltos expressivos em 25 cidades, chegando a subir 25,58% em Fortaleza.
  • Proteína e Pão: A carne bovina de primeira e o pão francês subiram em 22 capitais. Enquanto a carne sofre com a oferta restrita de animais prontos para o abate, o pão reflete a alta do trigo, impulsionada por uma demanda global aquecida.
  • Arroz: Mesmo com o início da colheita, o preço subiu em 21 cidades. Produtores estão segurando lotes à espera de valorização, reduzindo o volume disponível no mercado.

O Contraponto: Alívio no Café e Açúcar

Nem todos os itens seguiram a tendência de alta. O café em pó ficou mais barato em 22 capitais, beneficiado pela proximidade da nova safra brasileira e pela redução no ritmo de exportações.

No recorte de 12 meses (abril/2025 a abril/2026), o cenário é mais heterogêneo: o custo da cesta caiu em nove capitais (como São Luís e São Paulo) e subiu em dezoito. Nesse período mais longo, o arroz e o açúcar destacam-se com queda de preço em todas as praças pesquisadas, oferecendo um respiro pontual ao consumidor.

Política de Abastecimento

A ampliação da pesquisa de 17 para 27 capitais é uma iniciativa recente (consolidada em agosto de 2025) para monitorar com maior precisão a segurança alimentar no país. Os dados completos podem ser consultados nos portais oficiais da Conab e do Dieese.

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