Consumo trava e varejo recalcula Black Friday
22 de outubro de 2026
Redação

Às vésperas do segundo turno das eleições, o varejo brasileiro se vê diante de uma equação delicada de liquidez para a Black Friday, que ocorre apenas 33 dias após a votação. O evento promete movimentar R$ 13,3 bilhões no e-commerce (alta de 20,7%), segundo estimativas analisadas pelo BTG Pactual. Contudo, o ambiente de incerteza do ano eleitoral travou o consumo de bens duráveis e represou até R$ 62 bilhões em vendas no trimestre, de acordo com estudo do IBEVAR-FIA com dados do Banco Central e do IBGE.

Com o consumidor segurando decisões de maior ticket até o resultado das urnas, o varejista enfrenta o desafio imediato de fechar pedidos e estimar caixa sem saber exatamente a velocidade da retomada das compras. “A trava no consumo que vimos até aqui é represamento de demanda, e não cancelamento. Tratar esse hiato como perda definitiva conduz ao pior cenário operacional: encomendar de menos e perder vendas por desabastecimento, ou comprar em excesso e pagar o fornecedor antes de o cliente voltar”, analisa Dema Oliveira, fundador e CEO da Goshen Land.

Para evitar decisões no susto e proteger o capital de giro nesta reta final de ano, a recomendação é transformar a incerteza em uma rotina estrita de controle financeiro dividida em seis etapas:

  1. Mapear o ciclo financeiro e fixar o “Teto de Estoque”

Antes de fechar ordens de compra, o varejista deve calcular exatamente o seu ciclo de caixa: o prazo de pagamento ao fornecedor contra o tempo de estocagem e o prazo de recebimento das vendas (especialmente as parceladas no cartão). Esse cálculo define o teto de estoque que o caixa suporta carregar, um limite financeiro inegociável para qualquer pedido, independentemente do otimismo das projeções.

  1. Dividir as compras em duas levas

Fazer uma única grande encomenda antes da definição política expõe a operação a um risco desnecessário. O ideal é fatiar os pedidos em dois lotes: o primeiro cobre o cenário conservador e é fechado de imediato; o segundo fica condicionado aos gatilhos reais de demanda observados nos primeiros dias pós-eleição.

  1. Realinhar prazos e flexibilidade com fornecedores

A negociação com a indústria precisa focar em três pontos: entregas escalonadas, prazos de pagamento alinhados ao fluxo de recebíveis do cartão e acordos de flexibilidade, garantindo reposição rápida dos itens de maior giro ou troca do que encalhar nas prateleiras.

  1. Estruturar o capital de giro em outubro

Se a operação exigir crédito ou antecipação de recebíveis para bancar as promoções, a captação precisa ser liquidada ainda nesta semana. Quem pesquisa e contrata linhas de financiamento com antecedência consegue comparar taxas e preservar a margem; quem busca dinheiro na semana do evento paga o preço da urgência.

  1. Proteger a margem e antecipar o CRM

O levantamento do BTG Pactual mostra que varejistas endividados perderam espaço para concorrentes com caixa equilibrado. Em vez de dar descontos lineares no catálogo, o caminho é fixar uma margem de contribuição mínima por produto e iniciar imediatamente o aquecimento da base própria de clientes, garantindo vendas antecipadas assim que o consumidor voltar às compras.

“Na Black Friday, a conta da operação chega muito antes do faturamento entrar. O empresário precisa pagar o fornecedor, bancar a mídia e muitas vezes dar desconto para receber isso fatiado no cartão ao longo dos meses. Calcular o teto de estoque e acertar esse cronograma até o fim desta semana é o que separa quem vai gerenciar a margem com folga de quem vai passar novembro apagando incêndio na loja”, finaliza o especialista.

Sobre a Goshen Land

A Goshen Land é uma empresa especializada em expansão de negócios. Fundada por Dema Oliveira, ex-executivo da Samsung e da TIM, desenvolveu a metodologia das “7 Inteligências da Expansão” para apoiar empresas em estratégias de crescimento sustentável. Apenas em 2025, mais de 600 organizações passaram por seus programas, que, segundo a empresa, contribuíram para a geração de R$ 2 bilhões em receitas entre os negócios atendidos. Entre as organizações que já participaram de suas iniciativas estão Unilever, Claro, TIM, Caixa Econômica Federal e Bradesco.

Compartilhe: