As mídias sociais e as plataformas de vídeo consolidaram-se como os canais preferidos da população global para acessar informação em 2026. Pela primeira vez na história, esses ambientes digitais superaram os canais de TV e os sites e aplicativos jornalísticos tradicionais. O dado faz parte do Digital News Report 2026, estudo coordenado pelo Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo e divulgado nesta terça-feira (16) pela Universidade de Oxford.
Audiência migra para as redes, mas desconfia do conteúdo
O levantamento, que entrevistou quase 100 mil pessoas em 48 países, revela um paradoxo central: embora a distribuição de notícias dependa cada vez mais de terceiros, a confiança do público nessas redes é mínima. Enquanto 54% dos participantes usam as plataformas digitais para se atualizar, somente 22% afirmam confiar no conteúdo que encontram por lá.
A resistência estende-se também às novas tecnologias. Mesmo com 10% do público mundial já utilizando ferramentas de Inteligência Artificial (IA) e chatbots para ler notícias, apenas 20% declaram botar fé nas respostas oferecidas pelos robôs. No Brasil, o uso de IA para se informar atinge 13% dos usuários, servindo principalmente como ferramenta complementar para resumir textos densos e explicar fatos complexos. Desse grupo que usa IA no país, 42% costumam clicar nos links originais, a maioria com o objetivo explícito de checar se a máquina não cometeu erros.

No Brasil, a confiança geral desaba ao pior nível em 12 anos
O ecossistema informativo enfrenta um desgaste generalizado. A média global de confiança nas notícias recuou para 37%, o patamar mais baixo desde o início da série histórica do indicador, em 2015. O recuo foi registrado em 29 dos 48 mercados pesquisados. Nos Estados Unidos, por exemplo, o índice despencou para 25%.
Cenário brasileiro reflete polarização e desinteresse
No Brasil, o cenário é crítico: a confiança nas notícias atingiu o nível mais baixo em 12 anos, caindo para 36%. Esse declínio é alimentado pela forte polarização política e reflexos de instabilidades recentes. Consequentemente, 47% dos brasileiros evitam consumir noticiário. Apesar disso, grandes veículos de comunicação no país mantêm índices de credibilidade superiores à média (entre 53% e 62%), sustentados por marcas consolidadas como Folha, UOL, CNN Brasil, entre outros.
Vídeo, redes sociais e a ascensão de criadores de conteúdo
A preferência por formatos visuais consolida o domínio do vídeo (77% de consumo semanal), com redes como Instagram e TikTok esvaziando o tráfego direto de portais. No Brasil, Instagram e WhatsApp lideram a busca por informações. Isso impulsionou influenciadores e produtores independentes, lembrados por um terço dos brasileiros, com nomes como Nikolas Ferreira, Felipe Neto e Galãs Feios citados como referências, ao lado de influenciadores financeiros. No entanto, pesquisadores indicam que esses atores funcionam mais como complemento, com apenas 3% da audiência dependendo exclusivamente deles.
Modelos de negócio e a busca por imparcialidade
O relatório indica uma estagnação no modelo de assinaturas, com uma pequena parcela dos consumidores disposta a pagar por conteúdo. O público valoriza o papel social da imprensa, mas exige coberturas neutras.
Outros pontos relevantes do estudo incluem:
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