Consignado pode antecipar consumo em 2026
13 de fevereiro de 2026
Redação

O Departamento de Pesquisas Econômicas (DPEc) do Banco Daycoval divulgou sua análise sobre o cenário de crédito no Brasil, mantendo a projeção de crescimento real de 4,1% nas concessões para 2026. O relatório aponta para um desempenho misto: enquanto o crédito para pessoas jurídicas (PJ) deve avançar 2,8%, o segmento de pessoas físicas (PF) tende a liderar a expansão com alta de 5,0%.

Retrospectiva 2025: O impacto da Selic

Em 2025, o saldo total real de crédito registrou variação de 5,7% frente ao ano anterior. No entanto, as concessões de crédito livre — aquelas com taxas definidas pelo mercado — sentiram o peso da política monetária restritiva.

O setor corporativo foi o mais afetado pela seletividade dos bancos e pelo custo de captação: o crescimento das concessões reais para empresas despencou de 13,6% em 2024 para apenas 2,1% em 2025. Já no segmento das famílias, a desaceleração foi mais suave (de 10,0% para 5,3%), sustentada pela resiliência do mercado de trabalho e da renda.

Perspectivas para 2026: Consignado e BNDES no radar

Para o próximo ano, os analistas do Daycoval destacam dois fatores que podem impulsionar o consumo:

  1. Isenção do IRPF: O aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda deve injetar liquidez nas famílias.
  2. Novo Consignado: A modalidade deve ganhar tração, servindo como antecipador do consumo de bens sensíveis ao crédito (como eletrodomésticos e eletrônicos), movimento que costuma ocorrer com dois meses de defasagem.

No setor empresarial, o cenário é de cautela no curto prazo. O desconto de duplicatas já mostra sinais de cansaço, e a expectativa para o primeiro trimestre de 2026 (1T26) é de fraqueza devido aos juros elevados. Por outro lado, o crédito direcionado — com taxas subsidiadas ou reguladas — segue resiliente. Linhas ligadas ao BNDES e ao setor rural devem sustentar o fôlego das empresas, após crescerem 4,1% em 2025.

Em suma, o mercado de crédito em 2026 será marcado pela dualidade entre o custo elevado do capital livre e o suporte vindo de medidas fiscais e linhas governamentais.

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