Comércio cresceu 0,6% em abril de 2026
17 de junho de 2026
Redação

O Indicador de Atividade do Comércio da Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil, registrou crescimento de 0,6% em abril de 2026 na comparação com março. O indicador capta a intenção de compra mediada pelo crédito, ao refletir o volume de consultas realizadas pelos estabelecimentos no momento da concessão, funcionando como um termômetro antecedente da atividade do comércio.

A economista-chefe da companhia, Camila Abdelmalack, explica que o resultado indica continuidade da recuperação observada no mês anterior, embora em ritmo mais moderado, refletindo avanço na intenção de compra financiada, sobretudo nos segmentos de bens duráveis, que são mais dependentes do crédito. “Em contrapartida, setores mais associados ao consumo discricionário e ao consumo corrente apresentaram desempenho mais fraco em termos de uso do crédito nas transações, refletindo um ambiente ainda marcado por juros elevados e maior seletividade das famílias na alocação do orçamento”, afirma. 

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Ainda de acordo com Camila, o comportamento do indicador reforça a heterogeneidade do consumo. “Mesmo em um ambiente de crédito restritivo, alguns segmentos conseguem apresentar maior dinamismo, especialmente aqueles beneficiados por demandas represadas ou por decisões de compra de maior valor agregado. Ao mesmo tempo, o elevado comprometimento da renda das famílias e o avanço da inadimplência seguem impondo limites ao consumo mais amplo, o que ajuda a explicar a recuperação gradual e desigual observada no varejo”, explica.

Na análise por setores, “Móveis, Eletrodomésticos, Eletroeletrônicos e Informática” (1,8%) apresentou a maior variação no período, seguido por “Veículos, Motos e Peças” (0,7%) e “Combustíveis e Lubrificantes” (0,6%). Também houve avanço em “Supermercados, Hipermercados, Alimentos e Bebidas” (0,8%). Por outro lado, “Tecidos, Vestuário, Calçados e Acessórios” (-2,6%) registrou a maior retração do período, seguido por “Material de Construção” (-1,2%). 

Variação anual cresceu 4,8%

Na comparação entre abril de 2026 e o mesmo mês de 2025, a atividade do comércio apresentou alta de 4,8%, mantendo trajetória positiva no comparativo interanual.

O destaque ficou novamente para “Veículos, Motos e Peças”, que avançou 30,7%, seguido por “Móveis, Eletrodomésticos, Eletroeletrônicos e Informática” (6,6%) e “Combustíveis e Lubrificantes” (4,8%). Já “Material de Construção” (0,1%) apresentou estabilidade, enquanto “Supermercados, Hipermercados, Alimentos e Bebidas” (-0,9%) e “Tecidos, Vestuário, Calçados e Acessórios” (-2,8%) registraram retração na comparação anual.

Para a economista-chefe da datatech, o resultado anual evidencia que a expansão do varejo permanece concentrada em segmentos específicos. “O crescimento interanual continua sendo puxado principalmente por bens duráveis, mais dependentes do crédito, enquanto categorias mais ligadas ao consumo recorrente mostram desempenho mais moderado. Para os próximos meses, a trajetória do comércio continuará fortemente condicionada à evolução dos juros, da renda disponível e das condições de acesso ao crédito, fatores essenciais para evitar uma desaceleração mais disseminada da atividade varejista.”

Para conferir mais informações e a série histórica do indicador, clique aqui.

Metodologia

O Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio é construído pelo volume de consultas mensais realizadas por cerca de 2.000 estabelecimentos comerciais à base de dados da Serasa Experian. As consultas são tratadas estatisticamente pelo método das médias aparadas, com corte de 20% nas extremidades superiores e inferiores das taxas mensais de crescimento, relativas a cada estabelecimento comercial dentro de cada um dos seis segmentos varejistas pesquisados. Para a formação da série agregada do Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio, as taxas de crescimento resultantes de cada segmento varejista são ponderadas pelo peso relativo de cada um deles na Pesquisa Mensal de Comércio – Varejo Ampliado, do IBGE, respeitando-se as suas revisões metodológicas.

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