Cimento tem alta acumulada no 1º T
13 de abril de 2026
Redação

A indústria brasileira de cimento registrou no primeiro trimestre a venda de 15,9 milhões de toneladas, o que representa uma alta de 1,8% em comparação ao mesmo período do ano passado, de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC). Em março, a comercialização foi de 5,8 milhões, um aumento de 9,1% frente ao mesmo mês de 2025. Na comparação por dia útil, as vendas do produto registraram 241,2 mil toneladas, uma retração de 1,2% em comparação a fevereiro.
 

O desempenho é reflexo de um mercado de trabalho aquecido, com a menor taxa de desemprego para fevereiro na série histórica (5,8%) e 102,1 milhões de pessoas ocupadas, com rendimento médio de R$3.679. Esses fatores fortaleceram a massa salarial e sustentaram a confiança do consumidor¹, que teve alta em março.


O cenário positivo é reforçado ainda pelo mercado imobiliário e o impacto do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), que já responde por 52% do volume de novos empreendimentos imobiliários no país. Após um 2025 com expansão de 13,5% nos lançamentos, a meta governamental de atingir 3 milhões de unidades até 2026 tem potencial para gerar um incremento de aproximadamente 5 milhões de toneladas na demanda por cimento no período.
 

De acordo com dados da pesquisa da Fundação João Pinheiro (FJP) divulgada em março pelo Ministério das Cidades, a retomada do MCMV, em 2023, ajudou no recuo do déficit habitacional brasileiro por dois anos consecutivos e fechou 2024 em 5,77 milhões de moradias, ante 5,98 milhões em 2023, atingindo o seu menor patamar histórico.
 

Paralelamente, o financiamento via SBPE sinaliza recuperação nas unidades financiadas, embora o setor acompanhe com cautela a taxa Selic — que apresentou redução para 14,75% em março. Há mais de um ano a indústria monitora com preocupação os reiterados recordes de inadimplência e endividamento da população.
 

Soma-se a esse desafio a ascensão das apostas on-line. Segundo o TCU, o gasto de R$ 3,7 bilhões de beneficiários do Bolsa Família com “bets” em 2025 sinaliza um desvio de recursos que historicamente eram destinados à autoconstrução e pequenas reformas. Esse fator, somado à escassez de mão de obra, mantém a construção em alerta, muito embora a confiança² tenha subido em março, impulsionada pelos investimentos públicos e privados em implementação.
 

No cenário externo, a guerra entre os Estados Unidos e o Irã tem gerado instabilidade nos mercados e na economia global, o que reflete diretamente nas cotações internacionais do petróleo, gás natural e subprodutos, impactando toda a cadeia produtiva.
 

Para a atividade cimenteira, esse movimento traz uma preocupação adicional no que diz respeito aos custos de produção e logística. Aproximadamente 90% das matérias-primas recebidas e o escoamento do produto acabado são transportados pela via rodoviária e o aumento do preço do diesel impacta diretamente o frete.

Além disso, há reflexos importantes sobre os custos de produção, como aditivos, explosivos e coque de petróleo, principal combustível energético da fabricação do cimento.
 

Nesse contexto, o coprocessamento se apresenta como alternativa importante para auxiliar na diversificação da matriz energética do setor, reduzindo a volatilidade do suprimento energético e a pegada de carbono. No Brasil, essa tecnologia implementada pela indústria do cimento, envolvendo desde biomassas, resíduos industriais e Combustível Derivado de Resíduos Urbanos (CDRU), já alcança cerca de 30% de substituição térmica, tendo evitado a emissão de aproximadamente 2,8 milhões de toneladas de CO₂ no último ano.
 

O Roadmap Net Zero 2050 lançado na última COP30 segue avançando em pilares como matérias-primas e combustíveis alternativos, eficiência energética, Soluções baseadas na Natureza (SbN), captura e uso de carbono. Ao mesmo tempo, o setor vem trabalhando com o Ministério da Fazenda, por meio da Secretaria Extraordinária de Mercado de Carbono na estruturação e regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE).

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