O Brasil passa a contar com uma matriz de referência unificada para orientar a regulação das plataformas digitais no país. Apresentado nesta quinta-feira (17) pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), o documento com 46 Diretrizes para Regulação de Plataformas de Redes Sociais estabelece parâmetros sobre a responsabilidade das empresas por conteúdos de terceiros, limites ao uso de inteligência artificial, regras de transparência algorítmica e combate a abusos de mercado. As diretrizes funcionam como um guia conceitual elaborado pelo colegiado multissetorial para orientar novos projetos de lei e subsidiar decisões do Congresso Nacional, do Judiciário e de órgãos reguladores.
A iniciativa é um desdobramento direto dos 10 Princípios para a Regulação de Plataformas de Redes Sociais, apresentados pelo Comitê em agosto de 2025, e consolida os debates conduzidos pelo Grupo de Trabalho sobre Regulação de Plataformas do CGI.br. A elaboração do documento incorporou também os insumos de duas consultas abertas promovidas pelo Comitê: uma ampla sobre regulação de plataformas digitais, realizada em 2023 com mais de mil contribuições da sociedade, e outra específica sobre os princípios regulatórios, conduzida em 2025. Além do material lançado nesta quinta-feira, será apresentado, ainda neste ano, um relatório completo com o detalhamento do histórico de trabalho e a metodologia aplicada na construção das diretrizes.
Princípios basilares

Todas as recomendações contidas nas 46 diretrizes foram guiadas pelos princípios da regulação assimétrica (que fixa regras diferenciadas conforme o porte, o alcance e o faturamento de cada empresa) e da proporcionalidade (que adequa as exigências ao grau de risco e de interferência que o serviço exerce na circulação das informações). Sob essa lógica, o modelo estabelece que as obrigações não devem recair de forma idêntica sobre toda a Internet, impondo deveres mais rigorosos às grandes plataformas sem inviabilizar a inovação, a atuação de pequenos provedores, redes sociais comunitárias e novas empresas no mercado.
“O ecossistema digital exige respostas regulatórias que acompanhem a complexidade das plataformas e garantam a proteção de direitos no ambiente online. Ao reunir consensos acumulados entre governo, setor privado, academia e sociedade civil, o CGI.br entrega uma matriz de referência técnica e institucional para subsidiar o Congresso Nacional e os órgãos reguladores. Nosso objetivo é oferecer balizas previsíveis e aplicáveis que fortaleçam o Estado Democrático de Direito e a integridade informacional, preservando a inovação e a diversidade na Internet”, afirma Renata Mielli, coordenadora do CGI.br.
Eixos temáticos
O documento estrutura as 46 recomendações em seis eixos temáticos interdependentes. Confira algumas das diretrizes de cada grupo:
Histórico de atuação do CGI.br
A apresentação das diretrizes ocorreu durante o evento “Plataformas Digitais no Brasil: Diretrizes, Transparência e Regulação”, promovido pelo CGI.br e pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) em São Paulo (SP). O encontro reuniu representantes do governo, setor privado, terceiro setor e comunidade acadêmica para debater a transparência das plataformas, modelos de negócios, desinformação política e confiança no ecossistema digital.
A publicação do documento reforça o papel histórico do CGI.br na construção de recomendações e diretrizes estratégicas para o desenvolvimento da Internet no Brasil. Em 2009, o Comitê lançou os 10 Princípios para a Governança e Uso da Internet (Decálogo da Internet), documento que serviu de base conceitual para a redação do Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014), sancionado durante o encontro internacional NETmundial, organizado pelo Colegiado.
Da mesma forma, os debates promovidos no âmbito do Seminário de Privacidade, organizado por CGI.br e NIC.br, constituíram subsídio central para a discussão do anteprojeto que resultou na Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD — Lei nº 13.709/2018). Mais recentemente, contribuições técnicas do Comitê foram incorporadas ao texto do Estatuto da Criança e do Adolescente para o ambiente digital (ECA Digital).
“O CGI.br tem o compromisso permanente de antecipar debates e oferecer subsídios técnicos qualificados para o país. Com estas diretrizes, o Comitê cumpre sua função de orientar a evolução da rede no Brasil, garantindo que o debate regulatório seja pautado pelo interesse público, pela transparência e pela construção de consensos“, destaca Henrique Faulhaber, conselheiro e coordenador do GT sobre Regulação de Plataformas do CGI.br.
Com o lançamento das 46 diretrizes, o CGI.br disponibiliza uma referência consensual e multissetorial para embasar futuras legislações e regulamentações sobre plataformas digitais e redes sociais no país.
O documento completo está disponível no link.
Sobre o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br)
O Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR — NIC.br (Link) é uma entidade civil de direito privado e sem fins de lucro, encarregada da operação do domínio.br, bem como da distribuição de números IP e do registro de Sistemas Autônomos no País. O NIC.br implementa as decisões e projetos do Comitê Gestor da Internet no Brasil – CGI.br desde 2005, e todos os recursos arrecadados provêm de suas atividades que são de natureza eminentemente privada. Conduz ações e projetos que trazem benefícios à infraestrutura da Internet no Brasil. Do NIC.br fazem parte: Registro.br (Link), CERT.br (Link), Ceptro.br (Link), Cetic.br (Link), IX.br (Link) e Ceweb.br (Link), além de projetos como Internetsegura.br (Link) e Portal de Boas Práticas para Internet no Brasil (Link). Abriga ainda o escritório do W3C Chapter São Paulo (Link).
Sobre o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br)
O Comitê Gestor da Internet no Brasil, responsável por estabelecer diretrizes estratégicas relacionadas ao uso e desenvolvimento da Internet no Brasil, coordena e integra todas as iniciativas de serviços Internet no País, promovendo a qualidade técnica, a inovação e a disseminação dos serviços ofertados. Com base nos princípios do multissetorialismo e transparência, o CGI.br representa um modelo de governança da Internet democrático, elogiado internacionalmente, em que todos os setores da sociedade são partícipes de forma equânime de suas decisões. Uma de suas formulações são os 10 Princípios para a Governança e Uso da Internet (Link). Mais informações em Link.