Cesta de Natal sobe 8,9% e passa de R$ 321
7 de fevereiro de 2024
Redação

 
O preço da cesta de Natal no Brasil subiu 8,9% em 2023, segundo dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). O valor médio de uma cesta com dez itens essenciais, incluindo lombo, pernil, peru, sidra e panetone, chegou a R$ 321,13. O aumento do preço da cesta de Natal pode impactar o orçamento das famílias brasileiras, que já estão enfrentando o aumento da inflação e taxa de juros ainda elevada.
 

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Segundo a economista e professora da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), Nadja Heiderich, a taxa de câmbio também contribuiu para o aumento dos preços, já que alguns itens da cesta são importados. E o dólar subiu em 2023, o que elevou o custo de importação de produtos como azeite, panetone e espumante.
 

“O aumento foi superior à inflação acumulada no período, que foi de 7,7%. O principal fator para a alta dos preços foi a inflação de alimentos, que subiu 10,3% no acumulado do ano. Os itens que mais contribuíram para o aumento do preço da cesta de Natal foram o lombo, que subiu 15,3%, o pernil, que subiu 14,5%, e o peru, que subiu 13,4%”, acrescenta a especialista.
 

MOTIVOS 
 

O aumento do preço da cesta de Natal é resultado de uma combinação de fatores, incluindo a inflação de alimentos, a oscilação do câmbio ao longo do ano (o que torna mais caro importar produtos que são consumidos na ceia de Natal, como azeite, panetone e espumante); a guerra na Ucrânia; a seca no Brasil com consequente alta dos custos de produção; e a redução da renda das famílias brasileiras, que tem limitado o poder de compra.
 

Segundo a especialista da FECAP, a guerra na Ucrânia é um dos principais fatores que estão impulsionando a inflação de alimentos. O conflito está causando uma interrupção no fornecimento de alimentos, o que está levando a aumentos de preços em todo o mundo.
 

A seca no Brasil também está contribuindo para a alta dos preços dos alimentos, afetando a produção de grãos, como milho e soja, que são usados para alimentar o gado e produzir alimentos processados. Além disso, a alta dos custos de produção força o aumento dos preços dos alimentos. Os custos de energia, fertilizantes e outros insumos agrícolas estão subindo, causando aumentos de preços nas fazendas.
 

“A redução da renda das famílias brasileiras também está impactando o preço da cesta de Natal. As famílias estão com menos dinheiro para gastar, o que está levando a uma queda na demanda por produtos de alto valor, como carnes e aves”, afirma Nadja.
 

Apesar do aumento dos preços, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) espera um aumento nas compras de Natal em 2023. A entidade estima que o consumo de alimentos e bebidas na ceia de Natal deve crescer 10% em relação ao ano passado.
 

A Abras acredita que o aumento nas compras será impulsionado por fatores como o 13º salário, a antecipação do Auxílio Brasil e do Auxílio Gás, além da expectativa de uma melhora da economia no próximo ano. A entidade também espera um aumento no consumo de bebidas na ceia de Natal. A Abras estima que o consumo de vinhos e espumantes deve crescer 12% em relação ao ano passado.
 

“O aumento do preço da cesta de Natal é um desafio para as famílias brasileiras, que já estão enfrentando o aumento da inflação e da taxa de juros ainda em patamar elevado. No entanto, a expectativa é que as famílias ainda estejam dispostas a celebrar o Natal, mesmo com o aumento dos preços”, finaliza a professora universitária.
 

A especialista: Nadja Heiderich é Doutora em Ciências (Economia Aplicada) na Universidade de São Paulo. Possui mestrado em Ciências (Economia Aplicada) pela Universidade de São Paulo (2012). Graduada em Ciências Econômicas pela FECAP (2008). É professora no Centro Universitário FECAP. Tem experiência na área de Economia, com ênfase em Economia Aplicada, atuando principalmente nos seguintes temas: meio ambiente, modelagem matemática, logística, agronegócio.
 

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