Carros usados que mais caíram em agosto
5 de setembro de 2026
Redação

O IBV Auto, índice do banco BV que acompanha mensalmente a evolução dos preços dos automóveis leves usados no Brasil, ficou praticamente estável em agosto, com variação de -0,01%, a menor leitura mensal desde abril de 2024, quando havia recuado 0,51%. O resultado reforça o movimento de desaceleração iniciado em julho, quando o indicador avançou apenas 0,07%, e confirma que os preços dos usados estão praticamente estagnados.


No acumulado de 2026, o IBV Auto registra alta de 3,55%, ante 3,74% no mesmo período de 2025. Em 12 meses, a valorização desacelerou de 6,10% para 5,12%. Parte desse movimento decorre do efeito-base, já que, a partir de setembro de 2025, o índice passou a registrar variações mensais mais fortes. Caso os preços permaneçam próximos da estabilidade, a tendência é de nova desaceleração do resultado acumulado em 12 meses.


A dinâmica dos preços dos automóveis usados reflete um cenário de juros ainda elevados, maior comprometimento da renda das famílias e aumento do endividamento, somados à perda de força da demanda. Para Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, fatores econômicos e setoriais ajudam a explicar essa mudança.


“A ligeira queda de agosto, após o avanço modesto de julho, confirma a perda de ritmo dos preços dos carros usados. A desaceleração da atividade, a Selic em patamar restritivo e a forte concorrência no mercado de veículos novos ajudam a explicar esse movimento, ainda que com alguma defasagem”, diz Padovani.

Entre os modelos que mais contribuíram para a baixa em agosto estão Ford Ka (-2,27%), Fiat Mobi (-2,06%) e VW T-Cross (-1,66%). Na outra ponta, Fiat Uno (+1,68%), VW Fox (+1,39%) e Toyota Corolla (+0,51%) registraram as maiores altas.


Sul e Sudeste registram queda


Regionalmente, o Sul teve a maior queda em agosto (-0,44%), revertendo a alta de 0,22% do mês anterior. O Sudeste também recuou, com variação de -0,11%. Já o Centro-Oeste teve a maior alta (+0,81%), acelerando frente aos 0,29% de julho. Nordeste e Norte também tiveram avanços mensais, de 0,62% e 0,03%, respectivamente.


No total, 19 dos 27 estados tiveram alta e oito apresentaram queda. Apesar do avanço na maioria das unidades da Federação, as retrações observadas em mercados com maior peso na composição do índice contribuíram para a estabilidade do resultado nacional.


No acumulado em 12 meses, Rio de Janeiro (+6,28%), Sergipe (+6,18%) e Mato Grosso (+6,15%) lideram as altas. Santa Catarina (+3,20%) e São Paulo (+3,33%) apresentam os menores avanços, com diferença de cerca de três pontos percentuais entre os extremos. São Paulo tem peso relevante na composição do IBV Auto, o que explica a maior percepção de queda de preços dos carros usados em comparação ao resto do país.


Para Jamil Ganan, vice-presidente de Varejo do banco BV, o movimento deve avançar gradualmente pelo país. “O resultado de agosto sinaliza o enfraquecimento do ciclo de alta iniciado no fim de 2025. Essa mudança acompanha, ainda que com algum atraso, a forte concorrência entre os veículos novos e a chegada de novas marcas e modelos no mercado nacional. Embora ainda existam diferenças regionais, a tendência é de disseminação da desaceleração”, disse.
 

Elétricos seguem mais depreciados


Os veículos elétricos seguem apresentando as maiores perdas de valor de revenda. Entre os modelos ano 2023, a desvalorização acumulada até agosto chega a 46,15%, ante 26,36% dos híbridos e 21,72% dos veículos a combustão comparáveis. A amostra de elétricos da safra 2023 ainda tem participação reduzida de modelos chineses lançados mais recentemente no país. Por isso, o resultado não deve ser interpretado como retrato do comportamento atual dessa nova geração de veículos no mercado de usados.


Metodologia IBV Auto

O IBV Auto é um indicador desenvolvido para medir, com precisão e base metodológica robusta, a variação de preços de automóveis leves usados no Brasil. Construído a partir da base de dados do banco BV, líder em financiamento de veículos no país, o índice reflete as tendências de valor de mercado a partir de um volume expressivo de transações reais. Sua metodologia incorpora critérios rigorosos de amostragem, ajustes por depreciação e agrupamento técnico de modelos, permitindo acompanhar mensalmente a dinâmica dos preços por região e tipo de propulsão – combustão, híbrido ou elétrico

A ponderação é realizada com base no valor total das negociações (volume * preço): quanto maior o preço e mais comercializado for um determinado modelo e ano, maior será o peso do veículo na cesta que compõe o indicador.
 

O índice utiliza o ano de 2019 como base histórica inicial, fixando o indicador nacional em 100, para permitir comparações ao longo do tempo até o mês mais recente. Nos índices regionais, a base é ajustada de acordo com a diferença média de preços em relação ao mercado nacional naquele ano. Isso garante que a série reflita com precisão a evolução dos preços e as diferenças regionais, oferecendo uma leitura mais apurada do mercado de usados.
 

Além disso, o IBV Auto busca medir a evolução das taxas de desvalorização de cestas comparáveis de automóveis híbridos (HEV), elétricos (BEV) e a combustão (ICE) mensalmente. O objetivo principal é permitir a comparação da desvalorização de automóveis com diferentes tipos de propulsão (a combustão, híbridos e elétricos), tomando como base veículos de mesma idade e características gerais comparáveis (preço quando novo, tamanho, categoria, país de origem, entre outros).

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